Comitês comunitários para casa própria

 Lula entra para a história por ter percebido que programa social é projeto de desenvolvimento econômico interno que eleva o consumo e a demanda para a produção e o emprego de forma sustentavel, se o espírito cooperativo for convodado a participar, para baratear os preços para os mais pobres, livrando-os da sangria dos bancos

Prefeitos, governadores, construção civil, arquitetos… O presidente Lula, enfaticamente,  convocou todos, menos a comunidade, para engajar na luta da construção da casa própria para os pobres, por meio do programa habitacional “Minha Casa , Minha Vida”, o Bolsa Casa, com a previsão de erguer 1 milhão de casas populares nos próximos três, quatro anos. envolvendo investimentos de R$ 34 bilhões, com foco maior no Nordeste e no Sudeste, a fim de atender majoritamente os que ganham de 1 a 3 salários mínimos. No programa Bom Dia Brasil, a ministra Dilma Roussef, da Casa Civil, enfatizou os agentes, destacou, rapidamente, sem ênfase,  os movimentos sociais como coadjuvantes. Será colocado em circulação dinheiro capaz de construir uma nova Brasília, só que resultante de investimentos disseminados por todo o país, cujos efeitos serão dinamização do mercado interno.  Faz-se necessária a convocação da população pobre, como agente econômico principal. Ela poderia ser organizada em associações comunitárias, para atuar em todo o território nacional. Grupos de 50 moradores se organizariam em suas associações, às quais as prefeituras ofereceriam terrenos e infra-estrutura e a Caixa Econômica Federal os recursos baratos. Garantir-se-ia envolvimento social para produzir casas a preços baratos, sem atravessadores. A população de baixa renda ficaria livre dos bancos sanguessugas, associados às empreiteiras, dispensada de pagar juros. Os comitês comunitários dariam nova feição ao mercado interno, a partir dos quais se desenvolveria e fortaleceria  novo espírito empreendedor nacional, para dinamizar a produção e o consumo, em bases cooperativas e interativas. É do fortalecimento dessa base social, do mercado popular, que a indústria alavancará, tornando-se possante no cenário globalizado no qual os países ricos estão perdendo terreno diante da bancarrota financeira em que se encalacraram.

 

Mercado interno sustentável 

 

Os trabalhadores organizados em associações poderão construir em dois anos não apenas um milhão, mas cinco ou mais milhões de casas populares a custo barato, porque não haveria maiores problemas para arregimentação comunitária, salvo a defesa dos seus interesses

Acreditar no poder comunitário, devidamente, organizado, é acreditar no país. Trata-se de injeção de dinheiro , por meio do Bolsa Casa, para incrementar o consumo das famílias em material de construção, da mesma forma que o Bolsa Família incrementa o consumo de alimentos dos mais pobres, cujos efeitos são dinamizar o parque industrial, o setor agrícola, o comércio e os serviços. A filosofia é a mesma, jogar dinheiro público para aquecer o consumo. Os países asiáticos estão repetindo a solução brasileira. Estão distribuindo dinheiro para o consumo. Garantem, com isso, arrecadação, para tocar os investimentos públicos. O espírito do programa habitacional é esse: apostar no pobre, porque o dinheiro do pobre faz o nobre, mas o dinheiro do nobre , apenas, destroi o pobre. Seguida essa receita haverá um boom de vendas na indústria de material de construção. Serão fortalecidos o setor de transporte, o consumo de gasolina, o aumento de empregos nos postos de abastecimento, o aumento do faturamento dos restaurantes ao longo das estradas, os borracheiros, igualmente, terão mais pneus para consertar, enfim, uma girada de dinheiro na circulação, cujo resultado é aumento da arrecadação governamental. Esse tem sido o papel do Bolsa Família. Embora seja de apenas 1% o efeito do programa no contexto do PIB, ele cria uma circulação de dinheiro, a partir do início do consumo da dona de casa, retirando o óleo da prateleira do supermercado, que implica em movimentação da indústria, do comércio, da agricultura e dos serviços, em geral, cujos efeitos são, em cada etapa da circulação, de um setor a outro, aumentos de recursos para o tesouro nacional. Sustentar o consumo dos mais pobres é a saída para os mais ricos. O consumo dos ricos não é suficiente para girar a produção e consumo. São poucos demais. Programa social é programa de investimento. Lula aprendeu a fazer desenvolvimento interno, conjugando o econômico e o social. Sem a distribuição da renda, haverá estoques acumulados que exigirão desvalorização cambial e pressão inflacionária, sem se ter c erteza de que tal jogada dê certo, diante do mercado externo em colapso. O modelo exportador esgotou suas possibilidades diante da baixa distribuição da renda nacional em meio a bancarrota global.

 

Fiscalizar os prefeitos

 

Os políticos em geral perderam a confiança da comunidade, como demonstra a operação policial castelo de cartas em cima de uma grande empretiera que deu dinheiro para políticos, a fim de receber em trocas investimentos em grandes obras públicas. Por isso, precisam ser fiscalizados, rigorosamenteNão é à toa que o Banco Asteca, do México, do ex-presidente Salinas de Gortari, apostou suas fichas no consumo no Nordeste, financiando compras mediante garantia dada pelo cartão de crédito de alimentação do Bolsa Família. O mesmo deve ser feito relativamente à construção das casas. As prefeituras, que doarão os terremos, terão, por sua vez, de ser bastante fiscalizadas, pois a crença popular nos políticos estão em baixa, graças a uma legislação eleitoral que os torna prisioneiros dos caixas dois eleitorais. Olha aí a política federal dando batidas em cima de uma grande empreiteira, Camargo Correia, suspeita de corrupção no envolvimento com a classe politica. Todo o cuidado é pouco. As associações, trabalhando em mutirão, têm condições de exercer a fiscalização, enquanto dinamizam o mercado interno, na base do movimento econômico de massa.  Fica-se livre dos sanguessugas do juro alto.  Se o dinheiro for para as empresas, que financiarão os pobres, com empréstimos cujos custos se tornem crescentemente insuportáveis, como aconteceu em planos habitacionais anteriores, o processo fracassará, pois poderia pintar inevitavelmente as relações dos políticos com as empresas em larga escala, colocando em risco a idéia do programa. A população de baixa renda, de 1 a 3 salários mínimos , com o dinheiro que ela pode pegar, por meio de associações comunitários , em movimento comunitário nacional,  fará, traquilamente, sua casa com custo baixo.  É preciso evitar o que ocorreu em Alexania, Goiás, e em muitos outros lugares: um prefeito recebeu recursos do estado para construir 300 casas, construiu, apenas, 150 e embolsou o resto do dinheiro. A comunidade organizada em associações não deixaria que isso ocorresse.

 

Banco público popular

 

A força popular tem que prevalecer no grande projeto popular habatacional, do contrário, pode ser uma oportunidade para empreiteiras e empresarios faturarem em cima da exploração popular

Os exemplos estão ai, nessa crise. Os bancos, embora o governo procure capitaliza-los e dispor de garantia para permitir que possam movimentar o comércio, a indústria e agricultura, preferem especular e correr para os títulos públicos. A Caixa Econômica Federal não deve estar preocupada com os lucros do programa. Os lucros virão com o movimento do consumo desencadeado pelo movimento popular destinado a comprar materiais de construção e a movimentar toda a cadeia de produção, envolvendo comércio, industria, agricultura e serviços, para complementar e dinamizar a produção e o consumo que estão parados. O presidente Lula entra para a história por ter percebido e praticado a estratégia de fortalecer a classe pobre, que, durante toda a história brasileira, não foi considerada como agente do desenvolvimento, porque os modelos de desenvolvimento sempre se apoiaram, preferencialmente, nas exportações, desde o descobrimento do país. A grande crise internacional, que é uma crise da produção impulsionada pelo desenvolvimento tecnológico e científico, cujos efeitos são gerar aumento exponencial da produtividade, que traz quedas de preços, dada a oferta maior que a procura, na acirrada competição internacional, serve de alerta. Os modelos exportadores estão falindo. A Ásia, que depende do mercado externo, para os seus produtos de vanguarda tecnológica, agora, distribuem dinheiro para a população consumir os produtos, com cartões de crédito de consumo, os bolsas tecnologias, para desovar os estoques e continuar havendo a produção, como alternativa ao desemprego.

 

País está por fazer

 

Se o governo acreditar no povo terá a resposta positiva para o que deseja ou seja distribuir recursos para o povo gastar em construção e alimentação tendo como retorno arrecadação para novos investimentos públicosdesenvolvimento-popular1

O mercado interno é a salvação nacional, porque o internacional tornou-se ponto de desova geral da produção mundial, onde os preços desabam. Quem não tiver mercado interno, com depressão do externo, estará perdido. Os investimentos de R$ 34 bilhões, que compreendem o total a ser aplicado na construção das casas populares, representam a injeção decisiva, para promover a reação do PIB, que, no último trimestre do ano passado e no primeiro desse ano, mergulharam no abismo. Todas as apostas no mercado interno, eis a solução. O Brasil, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, ainda é um país por fazer em matéria de infra-estrutura. Como dispõe de matérias primas, base industrial forte , classes empresarial e laboral diligentes etc, os investimentos na infra-estrutura nacional – e igualmente no continente sul-americano – tendem a se transformar no novo pólo de atração dos investidores. Os ganhos que estavam sendo permitidos ao capital sobreacumulado nos países ricos focavam na especulação financeira por falta de espaços na infra-estrutura, visto que esta, nos países ricos, está concluída. Se o investimento especulativo trouxe a destruição, o investimento produtivo, para continuar a acumulação capitalista não se encontra mais nos países ricos, mas nos países pobres. Fortalecendo o mercado interno dos pobres, os ricos, mais uma vez, conseguirão se salvar. Não há outra saída para eles, senão aposta na gente.