Bolsa Família para aumentar arrecadação

O pobre faz o nobre, mas o nobre njão faz o pobre. O governo tem que ser mais agressivo n distriubição da renda via incremento do consumo para aumentar a arrecadação e os investimentos públicos que contribuirão para enfrentar com mais determinação a crise que aumenta o desemprego e a instabilidade política e social

Não há outra alternativa para o governo aumentar a arrecadação, senão promovendo, mais aceleradamente, o consumo nacional, para reverter a queda de 3,6% do PIB no último quadrimestre do ano, comparado ao terceiro trimestre, embora em relação ao mesmo período de 2007, tenha avançado 1,3%, conforme divulgado o IBGE, sinalizando desastres pela frente. Dessa forma, o tesouro arrecadaria mais. Duas medidas urgentes devem ser adotadas. Primeira, jogar mais seis milhões de novos cartões de crédito de consumo do Programa Bolsa Família na praça. Segundo, diminuir a taxa de juro.

Os seis milhões de novos consumidores diretos representariam 30 milhões de consumidores indiretos , que consumiriam cerca de 30 milhões de quilos de comida por dia(um quilo para cada pessoa) em todo o país. Movimentaria a cadeia produtiva, que precisaria receber o estímulo complementar da queda do custo do dinheiro o mais rapidamente possível. Chega de condescendência com a banca privada que está sabotando a economia nacional em nome da especulação jurista, bancocrática.

O beneficiário do Bolsa Família, que vai ao supermercado comprar sua lata de óleo, puxa pedido de vendas do supermercado à indústria, da indústria à agricultura, da agricultura à indústria, da indústria ao serviços, ou seja, tem-se uma circulação de mercadorias em , no mínimo, quatro etapas, durante as quais o tesouro nacional arrecadada 40% em cada uma delas.

Para rodar 24 a 30 milhões de quilos de alimentos pelo país afora, com a distribuição dos cartões de crédito de alimentação, será necessário aumentar a frota de caminhões, que, por sua vez, incrementa o consumo de combustíveis, de peças, partes e componentes dos veículos, aquecendo as montadoras etc.

Ao longo das estradas, serão alavancados serviços relacionados à distribuição impulsionada pelo incremendo da cadeia produtiva a partir do fomento ao consumo dos mais pobres. Enfim, será pelo crescimento do consumo, decorrente da melhor distribuição da renda, bancada pelo subsídio governamental ao programa social , que haverá possibilidade de vencer o que está deixando todos preocupados, isto é, o recuo da arrecadação de 12,2% acumulados em janeiro e fevereiro de 2009 relativamente ao mesmo período de 2008.

Certamente, tal deterioração da arrecadação tributária reflete a queda de 17% das atividades industriais em janeiro, divulgadas, na semana passada, pelo IBGE, e de 13,4%, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria(CNI), anunciada nessa segunda feira,09, sinalizando aos analistas necessidade de revisão do comportamento do PIB em 2009.

Inicialmente, o governo previu, logo depois do estouro da crise monetária especulativa americana, que se espraiou pela Europa, com excessivo otimismo, crescimento do PIB de 4,5%, mas o aprofundamento da desaceleração econômica global aponta para tombos mais expressivos, apontando 1,5% ou 1,2%, nesse ano negro para a economia mundial e brasileira.

Nesse ambiente, de desaquecimento da produção, de queda da arrecadação dos impostos, de recuo da inflação para a deflação, apontada pelo Indice Geral de Preços(IGP), de fevereiro, evidentemente, o comportamento do Banco Central, mantendo o juro alto, que obriga os empresários a repassar o custo do dinheiro para os preços, forçando inflação na desaceleração,  é puro suicídio econômico e financeiro, a ser expresso, mais intensamente, na elevação da taxa de desemprego ao longo de 2009.

 

Burrice econômica das elites

 

As elites brasileiras estão dominadas pela ideologia utilitarista da especulação que jogou o capitalismo no chão, enquanto não percebem o valor do cooperativismo expresso na distribuição melhor da renda nacional, para vencer a desaceleração da produção em um país onde somente 40% da população tem acesso à educação, a saúde e a segurança, enquanto 160 milhões pelejam com a miséria, mas tem, com o seu consumo, capacidade de criar situação salvacionista diante das elites desesperadas

Padece de sanidade mental os críticos do governo de que ele não pode gastar em aumento do salário mínimo e dos programas sociais, porque debilitaria a economia. É justamente o contrário. O governo, colocando poder de compra mais acentuado na mão das classes sociais mais afetadas pela desaceleração econômica e pela histórica concentração da renda nacional, contribui para circulação das mercadorias e, consequentemente, maior arrecadação tributária, que está caindo. Predomina a visão estreita da elite nacional de que distribuir renda é assistencialismo para os pobres que não terão mais emprego,  sob o capitalismo tocado pela ciência e tecnologia a serviço da produção, na economia do conhecimento. Quando o ser humano não presta para mais nada ainda dispõe, para o sistema c apitalista, de uma função fundamental, a de consumir. Ao comer, gira a circulação de mercadoria.

Que adianta  o governo jogar dinheiro para salvar as empresas encalacradas pela especulação que praticaram; para beneficiar os bancos, os maiores especuladores, liberando os compulsórios, que eles jogam na compra de títulos da dívida pública interna, em vez de emprestarem a juros mais baratos para os consumidores; e para minimizar os prejuízos dos agricultores – eternos sanguessugados pelos juros altos e ausência de seguros e preços mínimos para os seus produtos, quando , nos países capitalistas desenvolvidos, essa prática é comum, dada a necessidade de sustentar segurança alimentar para o povo – , se o consumo for mantido n a geladeira?

Na economia monetária, em que a moeda é lançada na circulação pelo governo, para movimentar a economia, sem que haja lastro real para a moeda, senão os juros compostos que regulam o movimento cambial global, é o governo que, ao incrementar a circulação, produz sua arrecadação. Se jogo no consumo e o consumo gira as mercadorias, cria, igualmente, a arrecadação, que, por sua vez, movimenta os investimentos públicos anticíclicos, no momento, em que a crise mundial se acelera, promovendo destruição do emprego, de forma generalizada. Não atentar-se para a lógica da produção de arrecadação tributária na economia monetária, que deixou o padrão ouro lá atrás, no se´culo 19, é praticar burrice econômica em nome do combate à inflação quando o consumo em queda aponta o pior dos mundos.

 

Reduzir estoques com juro alto? 

 

O juro alto mantido pelo Banco Central sob comando do bancocrático presidente do BC, Henrique Meirelles, é o fator mais prejudicial à economia brasiliera, que está na contra mão do capitalismo, sob o qual, nesse momento, predomina a eutanásia do rentista, para salvar a produção, o consumo e o emprego, enquanto no Brasil, vigora o oposto sob orientação da bancocracia

Com o incremento do programa social Bolsa Família será possível diminuir aquilo que mais preocupa os empresários, nesse instante, que é a formação de estoques, cujo resultado, sob juro alto, é destruição da empresa.

Como reduzir os estoques?

Antes de o governo incrementar o Programa Bolsa Família, os empresários, diante dos estoques altos, corriam ao tesouro para pedir desvalorização cambial. Com a depreciação forçada da moeda para incrementar exportações, desovando mercadorias estocadas, criava-se pressão inflacionária, acumulação de renda nas classes ricas em detrimento das pobres, maior exclusão social, incompatível com  clima democrático posto em marcha pela conquista institucional de maior oferta de direitos e garantias individuais inscritas na Constituição ao longo dos últimos vinte anos.

Ocorre que, sob batida da violenta crise mundial, com a queda acentuada das exportações e das importações, principalmente, de bens de capital, que estavam impulsionando a modernização industrial brasileira, capaz de dar competitividade internacional ao país, se houver desvalorização da moeda para forçar vendas externas em queda e, consequentemente, diminuir estoques, o resultado a ser colhido será maior pressão inflacionária.

Haveria mortífera e esdrúxla combinação de pressão deflacionária, de um lado, produzida pela redução do consumo, com pressão inflacionária, de outro, gerada pela desova de estoques em busca de exportação via depreciação cambial. Tal contradição, fruto do encavalamento de crises de diferentes teores, sobreacumuladas por modelo de desenvolvimento concentrador de renda, poupador de mão de obra e promotor de exclusão social, requer, para ser superda, a distribuição mais acelerada da renda, via programas sociais. Estes se transformaram, no ambiente da concentração da renda, sob pressão da crise internacional e nacional, em saídas para a própria deterioração da economia.

 

Dinheiro do pobre faz o nobre

 

Quando o ser humano não presta para mais nadam, resta-lhe a função de consumidor, comendo para alimentar a cadeia produtiva na circulação que gera arrecadação e investimento público, sem o qual os ricos não sobrevivem

O governo Lula iniciou seu projeto de Programa Bolsa Família prevendo distribuição de 12 milhões de cartões de crédito alimentação, com os quais colocou poder de compra na mão dos mais pobres. Cerca de 60 milhões de pessoas estão sendo beneficiadas. Foi esse consumo que contribuiu para o país equilibrar desenvolvimento sem pressão inflacionária ao longo dos últimos cinco anos de  bonança internacional, graças à circulação de mercadorias produtora de crescente arrecadação tributária.

Os críticos destacam que o Programa Bolsa Família não representa sequer 1% do PIB, mas esquecem que ele gira a mercadoria na circulação capitalista nacional de modo a promover arrecadação em quatro-cinco etapas, enchendo os cofres do tesouro. Se a crise diminuiu esse ímpeto produtor de arrecadação por meio do consumo dos miseráveis excluídos do modelo de desenvolvimento, afetado pelo recuo do consumo interno, agravado por queda de renda e aumento do desemprego, que reduz arrecadação, resta, para fortalecê-la, propulsionar o consumo via programas sociais.

Será muito mais produtivo salvar o consumo dos miseráveis do que salvar empresas. Se se salva empresas, sem garantir o consumo, condena-se as próprias empresas. O contrário, ou seja, botar poder de consumo nas mãos dos miseráveis, será a garantia de que a empresa sobreviverá e, com ela, a economia nacional.

O dinheiro do pobre faz o nobre, mas o do nobre não faz o pob re. Muito mais vantajoso para a sociedade fortalecer as classes sociais mais necessitadas do que salvar bancos de dificuldades, ou melhor, dar moleza para os banqueiros, que, visivelmente, estão deixando o governo na mão, sem dispor de vontade suficiente para dinamizar o crédito direto ao consumidor, na medida em que sustenta a taxa de juro, para os consumidores, na casa dos 170% ao ano, sangrando a economia popular.

O governo precisa endurecer o discurso contra os banqueiros sanguessugas. Se não cooperarem devem ser estatizados em nome do interesse público.