Letra do Tesouro para povo enfrentar crise

A melhor forma de superar a crise é ampliar a distribuição da renda por meio dos programas sociais e dar oportunidade para os brasileiros pouparem ganhando como os grandes bancos. Por que a sociedade ganha um juro de poupança ridículo(6%), enquanto o banqueiro fatura o juro absurdo da selic(12,75%), comprando letras do tesouro? Já chegaram a ganhar 45%, em 1997/98, na Era FHC.
Se o governo lança letras do tesouro para serem adquiridas pelo poupador em compras de balcão, sem intermediários e custos financeiros altos de intermediação, garantida pelo tesouro, terá o financiamento popular para o desenvolvimento nacional. No momento em que os bancos se recusam a emprestar a poupança mal remunerada do povo para movimentar o crédito, a produção e o consumo, paralisados pela crise, preferindo jogá-lo na compra especulativa dos títulos públicos, ganhando o triplo, tal possibilidade pode ser ampliada para todos, como solução para o próprio dinamismo do consumo, visto que a poupança virará consumo se houver equalização nos ganhos do poupador e do aplicador(bancos). Tal equalização, produzirá, por sua vez, novas expectativas no mercado para sustentação da taxa de investimento, minimizando os temores presentes quanto ao futuro da economia nacional.
Seria a materialização da poupança nacional popular aliada ao esforço de desenvolvimento nacional, assegurando produção e consumo relativamente equilibrados na crise, em razão da disponibilidade de poupança para gastar e investir. Se o povo obtém não apenas o jurinho de 6% da poupança garantida pelo governo, mas os 12,75% dos juros básicos selic, que os bancos auferem nos títulos, haveria maior justiça econômica e social a partir dos ganhos da poupança nacional que, igualmente, representa o investimento nacional.
Chegou a hora do pobre fazer o nobre. Isso somente será possível se forem elevados os ganhos dos mais pobres. Por que só os bancos terão essa mamata, que leva-os a aplicarem no exterior, etc e tal? O dinheiro do povo, na letra do tesouro popular, não iria para os paraísos fiscais. Ele deslocaria, isso sim, para o comércio, a indústria, a agricultura e a cultura, que, se estiverem girando, estarão rendendo impostos para o governo, que, por sua vez, ampliaria investimentos públicos, PAC etc.
Haveria , ai, uma corrente positiva para promover o desenvolvimento sustentável. A letra do tesouro popular seria instrumento de irrigação do mercado de dinheiro que por sua vez garantiria oferta de crédito mais substantivo a preço mais baixo, dada maior garantia de rendimento dado pela garantia do tesouro em poder dos portadores. Chegou o momento de descolonizar economicamente o país dos financistas, que escravizam o povo com o juro alto.

Dinheiro ao portador

Até o valor R$ 1.000 reais portador a letra teria poder de compra para pagamentos e recebimentos, esquentando o meio circulante. 
A utilização requererá flexibilidade. O poupador poderá fazer a sua carteira com letras de diferentes datas de resgates de acordo com seus compromissos. O pai de família, por exemplo, que tem compromisso de pagar colégios, aluguéis e outras dividas mais, todo mês, se organizaria na compra dos papéis com prazos de vencimento adequados ao cumprimento de seus compromissos. 
A letra do tesouro cobriria os prazos dos compromissos assumidos pelo cidadão, mantendo seu poder de compra. Flexibilidade seria, portanto, principal da regra de utilização da letra do tesouro popular. Seria criada cultura popular de o poupador ir ao banco, adquirir no balcão, sem intermediário, com prazo de resgate fixado, tendo como garantia o valor de face dado pelo teosuro nacional. No mercado, pode ser negociável. Naturalmente, nesse contexto, o preço da letra flutuará, como qualquer outra mercadoria, no compasso da oferta e da demanda.
As principais vantagens seriam transparência, facilidade e custo barato. Acabam as taxas que o sistema financeiro cobra para emprestar ao cliente sujeito ao saguessuguismo jurista. O custo da letra é minimo, seu portador vende a hora que quiser, ao próprio banco, ao preço do dia, dispondo de uma variedade de renda decorrente da variedade dos prazos dos títulos que possuir em sua carteira de letras do tesouro nacional.
 

Cooperação contra ganância

Os banqueiros privados estão dando largas demonstrações de que não são solução para o desenvolvimento enquanto agentes cujos interesses são somente lucros especulativos. Ao contrário, estão se revelando problema. Não utilizaram os depósitos compulsórios que recebem a juro zero para emprestar, a fim de minimizar a crise financeira. Não aceitaram as recomendações do governo para que os grandes bancos adquirissem os pequenos, com dinheiro público, para atenuar as expectativas pessimistas, evitando o que já está acontecendo, ou seja, a recessão. Sobretudo, os bancos passaram a cobrar juros mais altos em um cenário de desaceleração. Fizeram tudo para agravar a crise. Buscaram segurança no juro mais alto e nos títulos do governo, aos quais têm acesso exclusivo. Por que só eles?
Demonstraram os banqueiros inexistir entre os próprios grandes bancos qualquer espírito cooperativo. Revelaram-se, do ponto de vista do interesse público, no qual se centra  o governo, nesse instante, incompatíveis com a mais importante lei ideológica do capitalismo, o Utilitarismo. Jogaram no luxo o critério de utilidade, tornando-se inúteis, problemáticos.
A solução não é acabar com os lucros dos bancos, mas o privilégio dos bancos. O povo merece ser o agente número um do desenvolvimento, sem os intermediários financeiros, para se transformar, com sua poupança , em motor do desenvolvimento nacional, no ambiente da crise mundial. O país dispõe das riquezas de que o mundo capitalista precisa e a mão de obra diligente para conquistar o espaço capaz de transformar a economia nacional na mais forte do mundo nos próximos vinte anos. No ambiente monetário, onde moedas podem se transformar em pó, o Brasil dispõe de riqueza real cujo potencial abre as portas do mundo ao país nos foros internacionais. 
Basta sair da canga financeira, da armadilha da dívida , que se transformou na escravidão nacional imposta pelo juro alto. Se o juro alto só tem beneficiado os grandes, a saída é beneficiar, com ele, também, os pequenos, permitindo acesso aos ganhos que os grandes conseguem obter por meio da democratização das oportunidades para o poupador. Se o juro alto distribui a renda para o rico, poderá distribuir, também, para o pobre, a partir das letras do tesouro.