CPI para PMDB corrupto que vira ARENA

Os impérios começam a desmoronar por dentro. Foi assim com Roma, com a Inglaterra. Está sendo assim com os Estados Unidos. Quando a disputa pelo botim não atende a todos, os descontentes com a situação botam a boca no trombone.
A plateia, de fora, espera ou exigirá aprofundamento das denúncias do senador Jarbas Vasconcelos(PMDB-PE) de que seu partido, o mais poderoso do país, que manda no poder,  joga com a corrupção?
 
Os tiros jarbistas no PMDB acertaram, também, em  Dilma Rousseff. Considerou o parlamentar o PAC, que ela comanda, um amontoado de obras que guardam interesses políticos e empresariais conhecidos. Sabendo-se que com esses interesses políticos se relacionam os aliados governamentais e que o PMDB é o maior aliado da coalização lulista, Jarbas Vasconcelos estaria envolvendo em corrupção o próprio PAC. O PMDB , que nasceu MDB, para, durante a ditadura, combater a ARENA, partido dos militares e dos cambalachos, no Congresso, ganha, 24 anos depois do nascimento da Nova República, herdeira dos estragos antidemocráticos militares autoritários, a cara da própria ARENA militarista.
 
O instrumento econômico anticíclico colocado em marcha pelo governo Lula, o PAC, para tentar reverter a tendência recessiva da economia, desacelerada por conta da bancarrota financeira internacional, tornou-se suspeito, depois da entrevista bombástica de Jarbas à revista Veja. Os dois principais líderes do partido, o senador José Sarney(PMDB-AP) e deputado Michel Temer(PMDB-SP) , ficaram mudos durante todo o final de semana. Não tiveram coragem, até o momento, de rebater. Enfiaram a cabeça na areia, como avestruzes. A nota oficial da direção do partido é uma vergonha. Autocondena a agremiação à necessidade de submeter a uma CPI.
 
Se O PAC esconde interesses políticos e econômicos dos aliados peemedebistas, arrolados em corrupção por membro peemedeb ista, e se o partido é, essencialmente, corrupto, Jarbas Vasconcelos coloca no palco político nacional a necessidade de ser feita uma radiografia do PMDB.
 
Somente uma Comissão Parlamentar de Inquérito completaria essa tarefa. Possível? Impossível? Precisaria de fato consumado, para avançar. Investigações sobre os interesses que estão por trás do PAC se fariam necessárias, especialmente, porque cerca de 80% delas são comandadas pelos aliados peemedebistas, dentro do cronograma de Dilma Rousseff.
 
Surrealismo puro. O presidente do Congresso, senador José Sarney, representaria, para Jarbas, retrocesso, imobilidade política, que interessa à corrupção chamada PMDB. O retrocesso seria a corrupção. Se Sarney é o retrocesso e o retrocesso, a corrupção, Sarney seria a corrupção. Interessaria ao próprio presidente do Congresso se despir das suas vestes políticas para se dispor à investigação de si próprio em seu próprio altar como resposta à acusação jarbista? Ou vai engolir a seco?
 
 
 
Fogo às próprias vestes
 
A pecha de corrupto para o partido obriga a agremiação a dar uma resposta conclusiva à sociedade. Os peemedebistas seriam extrovertidos o suficiente para assinarem  pedido de CPI, como resposta à necessidade de investigação do partido, pelos representantes da sociedade, frente a acusação de tal gravidade?
 
Jarbas disse que não dará nome aos bois. Teria, apenas, dado pontapé inicial, para que os grupos sociais, politicamente, organizados façam pressões adicionais. Ex-governador pernambucano, conhecedor profundo dos meandros do jogo de interesse que tem feito o PMDB preferir faturar o poder nos bastidores do que à luz da disputa majoritária, Jarbas Vasconcelos não apenas crucifixa o seu partido, colocando-o em saia justa, quando ganha o poder absoluto no parlamento, dispondo-se a dominar todo o governo Lula, mas, sobretudo, lança chamas mortíferas sobre a ética peemedebista, simplesmente, inexistente, que destruiria a honorabilidade do PAC, com o qual o presidente Lula pretende fazer a ministra Dilma Rousseff sua sucessora na eleição presidencial 2010. Também, não ficaria impune quem, como os peemedebistas, ao longo dos últimos anos comandaram a comissão de orçamento por onde as grandes jogadas financeiras corruptas, sintonizadas com o executivo, foram armadas e concretizadas.
 
A nota da executiva nacional do PMDB joga água na fervura. Diz que Jarbas fez generalizações. O parlamentar reafirmou as acusações e disse que tinha que preservar sua estratégia, não especificando, nomes. As acusações podem ser genéricas, mas a ação partidária corrupta genérica é, sobretudo, uma ação humana. Como certamente a convocação de uma CPI para discutir os bastidores podres do PMDB não seria efetivada pelo espírito corporativo congressual genericamente corrupto, torna-se necessário abafar.
 
O abafamento emerge-se como expressão da falta do que responder? Não, há provas? Ora, não vale ser investigado em CPI o que disse há poucos meses o ministro Temporão, da Saúde, a respeito da Funasa, pela qual o partido, segundo ele, manobrou corruptamente, promovendo altas malandragens? As criações intermináveis de cargos em comissões para ajeitar manobras articuladoras nas mesas da Câmara , na eleição de Michel Temer, sob orientação dos peemdebistas, não mereceriam ser investigadas?
 
A eleição de Sarney foi uma negociação interminável de cargos. O PSDB pediu alto, embora reclame dos escândalos. Santo do pau oco. FHC comprou votos para a segunda eleiçãoNovos cargos, novas despesas, estes têm sido os resultados das eleições para não-renovação do parlamento pelos próprios parlamentares. Os salários extras criados pelas comissões acomodatícias dos interesses partidários seria a corrupção mencionada por Jarbas Vasconcelos. A generalidade das acusações seria facilmente identificável.
 
 Uma das histórias mais escandalosos do Congresso, que envolveram, diretamente, o PMDB, como protagonista, ocorreu no auge da redemocratização, quando a constituição cidadã era escirta pelos congressistas, em 1988. Um dos seus expoentes, o ex-deputado Nelson Jobim, do Rio Grande do Sul, comandaria manobra para inscrever no texto constitucional o artigo 166, parágrafo terceiro, item II, letra b, que torna cláusula pétrea o pagamento dos juros aos banqueiros, na medida em que proibe contingenciamento de recursos destinados ao serviço da dívida.
Vestido de redemocrata, o partido ajudou, decisivamene, a construir, na Nova República, herdeira da ditadura, a bancocracia nacional. Privilégio para os banqueiros em prejuízo da sociedade. A denuncia realizada e documentada pelos professores Pedro Resende e Adriano Benayon, da Universidade de Brasília, comprovaria que os caminhos do PMDB seriam obscuros na fixação da preferência pelos interesses da bancocracia neorepublica à qual se renderam todos, tanto o PMDB, como os tucanos e finalmente, os petisas, aliados, agora, dos corruptos, do PMDB, assim visto por uma das suas maiores expressões históricas, o senador Jarbas Vasconcelos.
 
Tucanos estão doidões
 
À oposição interessaria investigar se o PMDB é corrupto?
 
Os oposicionistas perderam totalmente o discurso no estrondo do modelo neoliberal ao qual tucanamente se aninharam na Era FHC. Sem discurso, sem proposta para a grande crise, FHC, agora, discute a discriminalização da maconha. Os tucanos querem enfrentar a situação de cabeça feita.
 
O senador Arthur Virgílio(PSDB-AM) entra em choque com o governador de São Paulo, tucano José Serra, por considerar errada sua crítica à política monetária do governo Lula, ancorada nos juros altos. Depois de criticarem o PT de antiético, os tucanos embarcaram na canoa do petista senador Tião Viana contra o conservador José Sarney. Contradição.
 
Agora, a insistência extemporânea, irrascível, tucana, no monetarismo neoliberal totalmente desmoralizado na cena nacional e global, dada sua condição de inútil – jogando por terra a ideologia capitalista utilitarista – , quando essa solução virou problema, apenas, demonstra que os tucanos estão muito doidões no embalo da discriminalização da erva do norte, como diz Paulinho da Viola em samba famoso. Entrariam na investigação contra o PMDB naquela base, baseadamente.
 
Tremendo enredo carnavalesco. Vai ficar por isso, mesmo? Não teria sido à toa que Jarbas teria feito sua grave denúncia à véspera do carnaval no ambiente do fumacê discriminalizatorio fernandista.
 
Jarbas seria, junto com o senador Pedro Simon(PMDB-RS), últimos dos remanescentes ulissistas em ação no Congresso, criadores do MDB , depois do PMDB, obrigados, hoje, a suportar a arenização peemedebista. Ambos estão entre aqueles que jamais engoliram Sarney. Quando Tancredo Neves morreu, em 1985, repudiaram o que consideraram manobra jurídica do ex-ministro da Casa Civil do governo do general João Batista Figueiredo, de impedir que o sucessor de Tancredo fosse o presidente da Cãmara, no caso Ulysses Guimarães, escanteado por José Sarney, vice na chapa de Tancredo. Ironia da história. O bravo PMDB teria que se subordinar a um integrante da adversária Arena, servidora do militares, travestida de PFL, na pele sarneysista, outrora servidor da ditadura. Hoje o PMDB, com Sarney, vira a Arena repudiada pelos velhos ulissistas.
Deslocado dentro do PMDB, dominado por Sarney e Temer, Jarbas, com seu desabafo,  cria fato político relevante. Seria seu lance para marcar posição capaz de levá-lo à candidatura de vice em eventual chapa com o governador José Serra, a quem já apoia antecipadamente? O jogo jarbistas já se inseriria na sucessão lulista.