Bloco dos sujos no Pacotão da sucessão

 

O carnaval 2009 chegou comandado pelo bloco dos sujos que vão animar a sucessão presidencial 2010. O processo sucessório, animado, ilegal e antecipadamente, pelo presidente Lula, ao lançar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, enroupada, politicamente, no PAC, poderá se desenvolver em meio a uma onda de cassações de governadores considerados corruptos. A semana foi marcada pela denúncias e decisões espetaculares contra os corruptos.

Primeiro, o senador Jarbas Vasconcelos(PMDB-PE), denunciou, em entrevista bombástica à revista Veja, que o seu partido é corrupto. O Globo destacou que 40 integrantes do PMDB enfrentam processos na justiça. O partido saiu do armário com uma nota sem vergonha, inacreditável, tipo avestruz, enfiando cabeça na areia. Jarbas que aguenta o PMDB desde o seu nascimento depois da ditadura militar demorou para dar o seu veredito, pecando por conivência,  e pode ter se suicidado politicamente ao condenar o Bolsa Família que sustenta a popularidade de quase 90% do presidente Lula e que será a bandeira eleitoral da situação e da oposição nas ruas na disputa pelo voto. Queimou a vice candidatura pretendia pelo governador tucano paulista José Serra. O titular do Bandeirantes marcharia no Nordeste com um crítico do bolsa família?

O segundo fato relevante da semana foi a decisão do Tribunal Superior Eleitoral(TSE) de cassar o governador da Paraíba(PSDB), Cássio Cunha Lima, por ter distrubuído 35 mil cheques durante a campanha eleitoral. Resta recorrer ao Supremo Tribunal Federal. O STF desvistiria sua ética política para derrotar o TSE?

Os partidos mais importantes do país estão envolvidos nas mais grossas denúncias de corrupção. O PT sujou-se, definitivamente, na Era Lula, pelo mensalão. Os mensaleiros estão com data marcada com o Supremo Tribunal Federal em 2009. O PMDB está bichadíssimo pela corrupção. e, agora, o PSDB, o tucanato moralista , com sede do poder em São Paulo, jogando na discriminalização da maconha, para despistar, demonstra que em suas hostes a corrupção, igualmente, grassa. Nova República, filha do Consenso de Washington, abastardada.

A campanha eleitoral será uma farsa em matéria de disputa política sob manto da desconfiança moral. O TSE sinalizou que está disposto a jogar no ataque, no sentido de moralizar os costumes. Tenta o TSE ganhar a corrida com o Ministério Público da União, que se transformou em poder mais temido do que o judiciário, envolvo em super-estrutura que o torna suspeito à sociedade. Joga o TSE uma afirmação pela ética nos costumes. STF dirá sim ou não a essa tendência. Se for levar em conta os ímpetos mudanças que o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, tem imprimido suas ações rumo a uma maior celeridade moral à justiça, os governadores corruptores estarão em sério perigo.

Depois de Cássio Cunha Lima, estão na fila dos juízes, os governadores Jackson Lago(PDT), Maranhão, Luiz Henrique da Silveira – olha o PMD aí, catarinense, confirmando a metralhadora giratória jarbista – , Ivo Cassol(sem partido), de Rondônia, Marcelo Deda(PT) – mensalão gerou filhotes gerais – , Marcelo Miranda(PMDB), José de Anchieta Júnior(PSDB), Roraima, e Waldez Góez(PDT).

Tem partido e acusados de corrupção para todos os gostos. A corrupção generalizou-se de norte a sul e de leste a oeste, contaminando o cenário do poder legislativo nacional comandado, sob governabilidade eternamente provisória,  pelo presidente do Congresso, senador José Sarney(PMDB-AP), considerado retrocesso pelo seu colega de partido, senador Jarbas Vasconcelos.

Sem dúvida, trata-se do bloco do sujo do carnaval 2009, correndo atrás  da marchina do Bloco do Pacotão, “Perereca de bigode”, de autoria do grande carnavalesco Joka Pavaroti:

“Perereca de bigode”

Eureca! Eureca!
Quem comeu sapo
engole perereca! (bis)
Estão maquiando a Dilma
Pra enganar o povão
O Lula gritou: Eureca!
Quem comeu sapo
Engole perereca!

Eu acho que vai dar bode
Dilma não tem barba
Mas pode ter bigode!

 
 
 

 

 

 

 

Eureca! Eureca!
Quem comeu sapo
Engole perereca! (bis)

 

 

Nova onda moralizadora

Nova onda moralizado está no ar a partir da cassação de Cássio Cunha Lima. Um buraco sem fundo para a candidatura do tucano José Serra(PSDB-SP) ou do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, à presidência da República. Desmoralização total do tucanato. Todas as lideranças do PSDB subiram à tribuna para elogiar o executivo estadual defenestrado pela corrupção.

Cunha Lima deu uma de Silvio Santos: “Quem quer dinheiro?”. Velhas práticas da política dos coronéis. Antes, disfarçavam com botinas, agora, com moeda sonante, mesmo, representada em cheque sem fundo. Enganação e roubo. O TSE abre picada cujas consequências serão retumbantes durante a campanha eleitoral já antecipada, configurando uma das mais longas da história política do país. Haveria possibilidade de uma candidatura, no meio do caminho, ser cassada pelo TSE? Como ficaria a acusação do senador Jarbas Vasconcelos de que obras do PAC, comandadas pela ministra Dilma, atendem interesses grossos dentro do PMDB. CPI para o PMDB?

Os coronéis estão sob ataques do TSE, que passa a atuar substituindo o próprio legislativo que ao virar corporação política se inviabilizou à tarefa de investigar os próprios legisladores. O judiciário torna-se carrasco do legislativo, que virou uma corporação oligopolizada, defensora dos interesses políticos corporativos. Cuidam da lei que os livra da cadeia, de modo que a proteção recíproca vira corporativismo intrínseco.

As declarações do deputado Edgar Moreira(DEM-MG), dono do castelo da corrupção e do jogo em Minas Gerais, de que se torna difícil julgar colegas, sendo ele larápio, condenam cada vez mais os representantes do povo que se esconderam sob infra-estrutura legal para exercitarem a corrupção. O DEM tenta expulsar a maçã podre, mas haveria mais maçãs…

A desmoralização dos políticos é completa. Passou -se quase uma semana e nenhuma palavra do titular do Legislativo, presidente do Congresso, senador José Sarney(PMDB-AP), à acusação que lhe foi dirigida pelo colega Jarbas Vasconcelos, desonrando a instituição. Nesse contexto em que as acusações se ancoram em processos judiciais que comprometem parlamentares peemedebistas e em que as campanhas eleitorais se fazem ao arrepio da legislação, rompendo-se pelo caixa 2 afora, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral criou fato político relevante.

A implosão de Cássio Cunha Lima, subindo no seu lugar o senador José Maranhão – cujo suplente, Roberto Cavalcanti(PRB-PB), está sendo processado na justiça – , cria tendência jurídica que estará produzindo efeitos retumbantes. Outras bolhas políticas corruptas estariam por explodir.

 

Perigo de morte para os coroneis

Os coronéis da política velha brasileira que cuidaram de evitar as reformas políticas que colocariam as atividades político-partidárias sob a luz da transparência pedagógico-popular, de modo a aumentar a fiscalização dos eleitores – como ocorre na Alemanha, com o voto distrital – , estão correndo perigos cada vez maiores. Podem ser atropelados pela democracia participativa, em avanço na América do Sul, na medida em que confirmam as lideranças rançosas dos coronéis hábitos inaceitáveis na era da informação digital.

O feudalismo político que a revista inglesa Economist caracteeizou a ação política histórica do senador José Sarney, considerando-o, como, também, fez Jarbas Vasconcelos, um retrocesso institucional, vence mais uma parada, mas, o poder de fiscalização sobre as práticas feudais, como desmontra a cassação de Cássio Cunha Lima, comprova o avanço institucional como fator limitante das práticas dos coronéis da velha política brasileira, expresso na representação conserrvadora incorporada no senador José Sarney.

A filha do presidente do Senado, senadora Roseane Sarney empunha as mesmas armas para tentar derrotar o governador do Maranhão, Jackson Lago(PDT) , com as quais o governador José Serra, em 2002, empunhou contra ela, para derrotá-la sob acusação de corrupção, conforme argumentam os partidários do titular do Senado. Seja de uma forma ou de outra, o fato é que  a família Sarney consta das velhas práticas nefastas da política dos coronéis. Por isso, não são inaudíveis os sons que vêm dos bastidores dando conta de que a Polícia Federal estaria no encalço de membro da família do senador por práticas ilegais apanhadas em emio a investigações ilegais. A eleição dele para presidente do Senado teria sido lenitivo. O seu poder de barganha pararia investigações em nome de interesses superiores partidários e supra-partidários?

A caracterização do titular do Senado como retrocesso político pelo senador Jarbas Vasconcelos e como expressão do medievalismo político pela revista inglesa Economist joga um balde de condenações morais sobre o ex-presidente. Trata-se de caldo grosso na sopa geral brasileira que prepara o cozimento fumegante dos governadores considerados eleitoralmente corruptos.

A falecimento político de Cássio Cunha Lima, herdeiro de velhas práticas políticas dos coronéis,  é nascimento de tempos novos, renovadores do ar irrespirável que as elites, manipuladoras dos mandatos comprados pelo dinheiro dos caixas dois da corrupção, utilizaram para eternizar sociedade dominada pelo juro alto e pela sobreacumulação da renda nacional que mantém viva a vergonha neo-escravocrata expressa em salário mínimo inferior a R$ 450.