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Cachoeira, produto do capitalismo em crise
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Colapso capitalista destroi direitos humanos
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Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipação economica nacional
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Corrida suicida ao dólar como reação ao colapso europeu sinaliza moratória global inevitável
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Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
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Posted 10 dias ago

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Posted 11 dias ago

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Juro abafa CPI e vira bandeira eleitoral
Consumo mais barato turbina reeleição
Posted 12 dias ago

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Crise neoliberal acirra mercado da fé

Cesar Fonseca. Sebastiao Gomes em 24/12/2008

Quando o terreno e o profano fracassam, as almas se voltam para o divino maravilhoso no espaço sideral infinito, incompreensível em seu todo contraditório, dialético e cheio de mistérios espetaculares e incomensuráveis.

Irresistível, principalmente, pelos mais simples, destituídos de tudo por um modelo de desenvolvimento poupador de mão de obra e concentrador de renda, socialmente, excludente.

O que lhes resta, senão a fé, sua força interior, resistência espiritual, que, segundo Tomio Kikuchi, autor de “Natureza – Mais forte que Deus” , fortalece, na pobreza, a natureza instintiva e a auto-educação?

Na grande crise neoliberal em curso, que balança, violentamente, o capitalismo, as certezas abrem-se às incertezas. Grande espaço passam dispor as pregações abstratas.

A Bíblia torna-se alvo de desejo geral. Ampliam-se os pregadores especialistas nela. Não apenas os norte-americanos se consideram possuídos do destino manifesto, mas todos, em si, alcançam, no plano da globalização, essa graça etc.

Ou seja, o fracasso do neoliberalismo pode estar sendo terrível para a economia, mas, para a religião, pode ficar uma beleza. A agressividade dos programas religiosos na TV, de manhã à madrugada, 365 dias no ano, martelando, demonstram que a disputa pelo mercado da fé está e continuará acirrada.

A demanda e a oferta se ampliam, extraordinariamente.  

A doutrina neoliberal ganha espaço no divino,  enquanto se desmoraliza no terreno. Todos podem pregar. Os mais acreditados passam a ser não mais os economistas, mas os bispos e bispas no credo geral da comunidade. Do púlpito para as câmaras de vereadores, assembléias legislativas, Camara e Senado Federal. Presidência da República? Sim, no Paraguai, deu padre: Fernando Lugo. Frei Beto e Leonardo Boff se habilitariam?

Como se perdeu a fé na economia, busca-se compensação na religião, por parte dos pobres, e na política, por intermédio das novas correlações de forças que a crise desata, grandemente, mediada pelo poder religioso.

O perigo é dar em um novo W. Bush, filiado a correntes religiosas reacionárias fatalistas, que transformam a guerra em religião do estado capitalista.

Os tempos floridos para os pregadores estão chegando. O Congresso está cheio deles. Depois que a pregação conservadora do neoliberalismo econômico deixou de ser útil na boca de inteligentes e brilhantes mecanicistas e positivistas, no Senado e na Câmara, sobra lugar para os que estavam deserdados, ou seja, as forças da dialética e , igualmente, as do além.

Pintaria clima de final dos tempos bíblicos, quanto mais as teorias econômicas liberais fracassam, redondamente, como solução útil para a humanidade?

Tempo de Natal. Saúde e paz a todos, com amor.

O espírito religioso – que floresce, mais intensamente, nessa ocasião, especificamente, mas que dispõe, também, de outra grande motivação, historicamente, dada pela grande crise mundial em curso, apavorante e fantasmagórica – está diante de grande oportunidade de expansão.

Globalização religiosa altamente concorrencial. Muitos interesses.

“Riqueza é poder e poder é riqueza. Comércio externo produz riqueza, riqueza produz poder, e poder preserva nosso comércio e religião”(Capitalismo Global – História econômica e política do século 20″, Jeffry A. Frieden , ZHAR) -máximas da monarquia mercantilista no secúlo 18, que ainda estão no pensamento dos líderes modernos.

A destruição das riquezas traria nova moda pautada na pobreza em ascensão como algo chique? Vamos esperar pelo lançamento das novas coleções…

 

 

Poder católico perde mercado

 

Um dos fenômenos mais interessantes dos novos ares brasileiros é a mutação religiosa. Catolicismo, Espiritismo, Presbiterianismo, Evangelismo, Judaismo, Islamismo, Budismo, Umbandismo, Mormonismo, Sidhartismo etc. O tema, evidentemente, é mundial.

Tem crença para todos os gostos. Os sites de todos eles são muito bem feitos e cheios de informação, demonstrando organização e gana para disputar os clientes espirituais.

São mais de 20 religiões oferecento suas mercadorias divinas, segundo levantamento do IBGE, em 2000(veja tabela). Destaca-se evidente redução do poder católico, antes, amplamente, dominante, até final dos anos de 1950.

Todas as cores, todos os odores. Democratização religiosa total no território nacional debaixo de uma mesma cultura linguística. Nos templos, nas ruas, nas praças, nas praias, nos morros, nas favelas, a palavra de Deus flui, livremente, pela boca de diferentes pregadores. De comun entre eles, naturalmente, o conhecimento da Bíblia, em maior ou menor escala, com suas leituras heterodoxas.

Não são possíveis as várias interpretações, visto que os escritos foram passados de boca em boca pelos tempos eternos por seres humanos passíveis de erros, levados às correções de rumo, de forma ininterrupta?

O poder, praticamente, exclusivo da Igreja Católica, predominante no Brasil, desde os primeiros tempos da colonização portuguesa, posteriormente, inglesa e americana,  simplesmente, acabou.

Basta ver a expansão das igrejas evengélicas, com destaque para o poder midiático do qual lançaram mão, como é o exemplo maior da Igreja Universal do Reino de Deus, criada e expandida por mais de 170 países pelo bispo Edir Macelo.

 

 

Escalada do sincretismo religioso nacional

 

A representação católica, excessivamente, pomposa, criou barreira à sua interação com os humildes, embora tenha sua base espiritual calcada no mais humilde dos seres humanos, Jesus Cristo.

Muita emplumação e pomposidade para o gosto popular. A prática inserida pelos bispos e bispas Macedos e Macedas tornou tudo muito mais simples e acessível às vocações religiosas, confrontando-se com o artificialismo paramentado católico. As pessoas simples se sentem inibidas. Se puderem sair disso, para ter sua alma salva, toma decisão útil.

A fé, no mercado religioso, antes monopolizado pela santa madre igreja, no Brasil e na América Latina, sofreu abalos, ao longo do processo de modernização econômica, que carrega consigo rastro de santidade, dor, sangue e ganância, no compasso de desenvolvimento capitalista.

A realidade neoliberal abre o mundo a novas leituras e o impregna de novas culturas. O avanço religioso descontraído pela boca dos bispos evangélicos, por exemplo, criou competição acirrada que levou o catolicismo populista dos grandes espetáculos religiosos comandados pelo padre Marcelo.

Rezar passou a ser menos reflexão e mais pulsação. Rock brabo. Caso contrário, como competir com os evangélicos e suas criatividades estéticas impressionistas, tornando-se visco irresistível para os fiéis consumirem?

 

 

Democracia religiosa

 

A fé, jogada nas palavras dos padres católicos, de um lado, e na dos bispos evangélicos, espiritualistas e espiritistas, budistas etc, de outro, transformou-se em mercadoria amplamente democratizada.

A concorrência na produção religiosa, de ambos os lados, conseguiu colocar a palavra de Deus ao alcance de todos.

As vocações religiosas puderam ser feitas livremente. Nesse contexto, a busca da utilidade ganhou espaço. Evidenciaram-se as formas e suas respectivas regras como fator de atração ou de repulsão.

Quanto mais exigências para a prática da religiosidade e do culto religioso, maiores as dissidências, mais amplas às escolhas, afinadas aos interesses pessoais.

Sob o capitalismo – ao qual todos os cultos, praticamente, se renderam – , cujo germe se assenta na propriedade privada, no egoísmo, agora, na crise neoliberal, implodidos, o mercado religioso registra um dos maiores fenômenos de multipardidarismo democrático global. Vitória neoliberal reliosa ampla, a demonstrar que o neoliberalismo representa o promotor da verdadeira democracia religiosa, dado o seu poder de destruição que promove buscas variadas de salvação.

 

 

Subordinação ou coordenação?

 

O utilitarismo venceu. Mais sucesso histórico angariaram os que pregaram que o fiel não tem que subordinar-se ao interesse da igreja, mas, ao contrário, a igreja é que tem de subordinar-se à liberdade de escolha do fiel, do interesse dele, como tática para conquistá-lo.

Foi o que fez, por exemplo, o bispo Macedo e assemelhados em geral, com marketing de primeira linha. Tiro no alvo.

A Igreja Católica, fixada, historicamente, nos seus dogmas pétreos, irremovíveis e altamente questionáveis, dado o caráter anti-natural de muitos deles, foi, paulatinamente, transformando-se em alvo das críticas dos que desejavam desenvolver sua religiosidade, mas sem renunciar à natureza para poder ampliar sua espiritualidade.

A subordinação aos dogmas explodiu em desejo de coordenação do próprio exercício da fé individual sintonizada com a natureza.

Afinal, dá para acreditar numa pregação, como a católica, que vai contra a natureza, como é o impulso sexual?

Seriam naturais as aberrações sexuais existentes no seio da madre igreja, entre padres e freiras, dando conta de taras, pedofilias, loucuras afetadas pelo demônio do sexo etc e tal, devidamente exorcizados com a queima na fogueira das Joanas Darcs históricas?

E o medo da ciência e da tecnologia em seus avanços de caráter essencialmente renovadores e revolucionários desenvolvidos pelos Giordanos Brunos?

Se fossem naturais tais comportamento anti-históricos, não implicariam, para a própria Igreja, processos reivindicando milhões de dólares de indenização e desmoralizações sem fim.

Pelo menos são impostas necessidades de pedir perdão. Cinismo insuportável.

 

 

Liberou geral

 

Ora, o que fizeram os evangélicos, os neo-luteros, o que fez e faz o bispo Macedo, com sua estratégia comercial-religiosa? Liberou geral.

Podem ser pregador-pregadora tanto os casados-casadas, como os descasados-descasadas ou solteiros-solteiras; pode haver bispo e, também, bispa.

Conhecedores e conhecedoras da Biblia: estabelecem-se, plenamente, quem mais têm competência no conhecimento e na comunicação. 

Liberdade ampla de oportunidades. Fomento ao empreendedorismo individual religioso e comercial. Puro capitalismo neoliberal. Jogo amplo de conquista de clientes.

Os mais convincentes conhecedores da religiosidade que pregam tornam-se os mais acreditados e afamados, principalmente, se conquistarem os corações dos fiéis pelo amor ao trabalho desenvolvido.

O amor, lei geral da vida, é a palavra-chave. As indulgências são o preço a pagar pela graça recebida. Todos pedem para sobreviver da fé do cliente que busca conforto espiritual.

Seja mulher, seja homem, aquele ou aquela, capaz de conquistar o coração dos fiéis, tudo está valendo para o bispo Macedo e os seus assemelhados, que pontificam não apenas nas igrejas, mas, igualmente, nas câmaras de vereadores, nas assembléias legislativas, distrital, Câmara Federal e Senado.

O genial autor de Os Sermões, Padre Vieira, glória humana da pregação religiosa-dialética, não teria podido fazer o que fez se sua religião não fosse a católica e a ela subordinasse sua disciplina religiosa, obediente aos dogmas de Roma e às proibições contra a natureza essencialmente católicas, castradoras.  Seria astro na igreja do bispo Macedo.

 

 

Culturalismo reprimido ainda não vencido

 

A liberdade estabelecida pelo bispo representou a negação da anti-liberdade fixada pela igreja católica quanto à oferta de oportunidade para os fiéis.

Resultado: as igrejas dos bispos evangélicos bombam de gente, enquanto a do papa e padres católicos perdem adeptos.

O lassair faire religioso, como a realidade tem demonstrado, tem sido, concorrencialmente, faturado, em termos relativos, pelos evangélicos, ao longo dos últimos sessenta anos.

Muito poder no Congresso, nos meios de comunicação. Tremenda neo-oligarquia que condiciona comportamentos dos poderes republicanos, impondo-lhes influência política decisiva.

Também, pudera. Não dá para aguentar a parafernália fora de moda histórica de um papa todo paramentado em cima de um altar todo rodeado de ouro. Pura fantasia de escola de samba.

A hierarquia católica, amplamente, vista em tempos natalícios, nas missas do Vaticano, televisionadas para todo o mundo, é a exposição do ridículo.

Trata-se de aparência, totalmente, incompatível com o espírito de humildade do próprio Cristo, que andava de sandália, ou descalso, com pedaço de pano por cima do corpo, leve, solto, despojado, extrovertido, pela estrada afora. Sem frescura.

O bispo Macedo e os pastores atuais perceberam o vácuo de poder e jogaram na simplicidade. Estão ganhando mercado.

 

 

Libertação religiosa e sexual da mulher

 

Um dos grandes méritos dos evangélicos e dos espiritualistas em geral, tendo a igreja do bispo Macedo faturado no marketing, copiado, amplamente, foi o de libertar a mulher para a pregação religiosa.

Imagine a mãe do homem, Nossa Senhora, as mulheres,  não poderem dar o seu recado, arregimentar fiéis, como acontece na igreja católica.

Expressão do amor, abençoada por ser natureza e gerar natureza, a mulher não tem voz na igreja católica.

Preocupada em preservar as heranças, para não ser dividida com as mulhures, o Vaticano proibiu o padre de casar. O celibato tem em sua base a ganância católica pela acumulação monetária, não o espírito de renúncia que impõe, no ser humano, a castração sexual.

A Igreja católica negou, com sua estratégia acumuladora de capital, o acesso da mulher ao púlpito. Sem ter a mulher como ser humano divino representado na igreja, os padres tiveram que vestir saia-batina, para dar ares de verdade para uma falsa representação.

A não valorização de Nossa Senhora como essencialmente pregadora é uma injustiça praticada pelo catolicismo. Seu exemplo de pregadora não prosperou no compasso do desenvolvimento do machismo católico acumulador de capital.

Castrou-se a vocação divino-pregadora de Maria como detonou-se o espírito de liderança singular de Joana Darc.

Jesus, sem dúvida, é grande, mas foi geminando na barriga de Maria. Quem tem o dom do amor para pregar aos fiéis, senão a mulher expressão do amor natural?

 

 

Freud explica

 

Maria teve sua voz negada pela igreja católica, como, igualmente, tamparam os dogmas católicos os ensinamentos e pregações revolucionárias-libertárias-socialistas do seu filho.

Quando a mulher, na igreja evangélica, dispõe da liberdade de dar o recado bíblico, é de se supor que as vocações religiosas femininas busquem, sinceramente, a oportunidade aberta pela liberdade para sua própria pregação.

Os evangélicos garantem essa liberdade; os católicos, comandados por Bento 16,  não.  Elas podem não apenas pregar, mas, da mesma forma, liberar sua natural sexualidade, sem pré-condições estabelecidas arbitrariamente a partir de considerações abstratas.

A igreja católica elimina a mulher do altar como pregadora,  mas adota a representação feminina, na figura do padre de saia-batina. Mulher é um negócio tão bom que até padre usa saía. Freud explica.

 

 

Poder do dinheiro ou poder da fé?

 

Enfim, a santa madre igreja católica apostólica romana não é nada santa. Ligada ao dinheiro, de forma quase atávica, ela, instalada no Vaticano, virou estado e dispôs de seu próprio banco, tornando-se banqueira.

Marcinkus, Marcinkus, Marcinkus, seu nome é corrupção no altar do Ambrosiano.

A santa madre exagerou-se tanto nas indulgências, a ponto de promover o seu contrário, isto é,  Lutero, que pregou, em 1517,  a exterminação dela em nome do restabelecimento da ética, rompida pela ganância dos papas banqueiros pregadores das indulgências para salvação eterna no outro mundo.

O luteranismo, evidentemente, desembocou, também, com o tempo, na pregação, necessariamente, acompanhada da recompensa financeira solicitada aos fiéis.

Os bispos macedos da vida não são outra coisa do que neo-luteros abastardados.

Não há como Roma reclamar do bispo Macedo por estar recolhendo dinheiro dos fiéis, para construir suntuosidades mundo afora e império de comunicação competente, que já faz sombra forte à Globo.

Os neo-luteros acabaram com os exclusivismos religiosos no coração dos homens. Marx, judeu, não aguentou o próprio judaísmo com seu exclusivismo abstratamente construído. Em “A questão judaica” detona a chatice e a arrogância. Para ele, não teria que haver uma emancipação exclusiva dos judeus no seio da humanidade. Como poderia haver a emancipação judaica, sem existir a emancipação essencialmente humana?

Categoria: (Cultura)

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