
O mundo capitalista está desabando e a polvorosa social se amplia, consideravelmente. Há uma , por enquanto, leve inquietação no ar, adensando-se, sensação de desconforto, como se começasse a faltar algo debaixo dos pés. Dos jornalistas, por exemplo.
Pintam as notícias catastróficas. Oitenta e uma vagas extintas, 61 demissões, 11 de repórteres foram despachados pelo Correio Braziliense. Comenta-se que , também, no Jornal de Brasília, o passaralho estaria a caminho. Tomara que seja apenas boato, mas, infelizmente, nunca é.
Os jornais impressos estão com os dias contados. Os profissionais que se cuidem. Os americanos são os primeiros a irem para o brejo. Grandes folhas, grandes influências. Que época!
Como pagar os prejuízos, senão entrando em concordatas?
No Brasil – em que os jornais mais importantes têm tiragens ridículas, para o tamanho da população, pois nunca fizeram campanha pela educação popular, capaz de aumentar a demanda pela leitura deles mesmos, ao longo da história brasileira, tornando-se expressões do pensamento escravista-elitista-conservador-reacionário – pode estar em marcha tremenda crise financeira nas empresas jornalísticas.
Não dependem elas dos mercados? Se o mercado falha, adios. Correm para o colo do governo os desesperados de sempre. Mas, a demanda estatal estará cada vez mais disputado. Poderá sobrar relativamente menos. Ou não? Quem pagaria o pato em nome da preservação da taxa de lucro, senão a redação?
Os bancos, comenta-se, seriam os verdadeiros donos dos principais jornais, que se socorrem, quando as coisas ficam pretas, nas crises, do dinheiro público, via BNDES, quase sempre.
Crash geral é o resultado final da crise monetária dos anos de 1980, que lançou o poderoso neoliberalimso em cena, assim como , igualmente, é a bancarrota do próprio neoliberalismo, na nova crise monetária de 2008, detonada pela bancarrota do dólar derivativo, expresso em hipotecas imobiliárias compradora de castelos e sonhos fantásticos, como o de Mandoff. Que personagem!
Atualmente, o salário inicial de repórter depois de quase cinco anos na faculdade achata-se na casa dos R$ 1,5 mil mensais, R$ 18 mil, 7,5 mil dólares por ano, sem os descontos etc. Para trabalhar na internet, R$ 1 mil. Ou seja, salário de iniciante do Banco do Brasil, como disse um amigo, cuja filha passou no concurso do BB.
Com a vantagem, para o BB, pois, alí, a legislação protege mais do que a que vigora para o setor privado. Ai é savana africana. Depois que passaram a contratar via PJ – pessoa jurídica – os jornalistas, sem as vantagens que a pessoa jurídica dispõe de praticar, à larga, a elisão fiscal, livrando-se do imposto de renda, o campo, em tal savana, cheio de veados e zebras, ficou uma maravilha para as onças. Embora descarnados pelo salário descendente sob o juros meirellianos que impõe sobre-arrocho no ambiente de inflação, por enquanto, cadente, os rendimentos dos trabalhadores representam a melhor fonte de lucro para os patrões. Afinal, como diz Marx, o trabalho é valor que se valoriza.
Catástrofe à vista. Para as demais profissões, idem. O senador Cristovam Buarque, profeta da educação, se ilude quanto à possibilidade de o estudo salvar o jovem universitário da miséria. A educação capitalista que forma profissionais para o mercado capitalista ficará desempregado, seja qual for seu grau de competência, se o mercado capitalista se mantiver sob crash. O senador brasilienese, como dizia Lauro Campos, não percebe que o problema não é a falta de educação, mas o modo de produção capitalista que promove a exclusão, seja do alfabetizado, seja do analfabeto. Este, dotado de educação funcional, dada pela miséria social, pode, na crise, até se dar melhor do que o educado, já que a educação atual , como destaca o professor Tomio Kikuchi, autor de “Estratégia”, é, meramente, formal, não, fundamentalmente, funcional. O mercado não precisa da formalidade, mas da funcionalidade.
A concorrência global vai aumentar. Mão de obra especial, caindo pelas tabelas no mercado internacional se dirigem para o capitalismo periférico. Grandes profissionais ingleses, franceses, americanos, logo, logo, vêm parar por aqui, onde tudo está por fazer, com vantagem de disponibilidade abundante das riquezas naturais das quais demanda a manufatura global. Vêem e vêm para o futuro, porque do passado estão fugindo.
Arca de Noé será insuficiente

Desespero e perigo de catástrofes estão no ar. O país navegava na bonança até há quatro meses. De repente, o que era doce ficou amargo. A emergência de uma sombra sobre os trabalhadores fica cada vez mais escura e nítida, bem pior para os que chegam em casa e têm uma notícia ruim para a mulher e filhos, como os demitidos pelo Correio Braziliense.
São expulsos por estrutura produtiva e ocupacional concentradora de renda e poupadora de mão de obra. Cruel. Marx, sarcástico, sacou bem: “Quando tudo está bem, não há porque distribuir; quando tudo vai mal, não há o que distribuir“. Chute no traseiro é o presente final de Natal.
Hordas de desempregados estão em formação. Ovo de serpente.
Estaria sendo colocado em xeque tal modelo ou darão certo as apostas na sua recuperação, dando uma recauchuagem geral?
O jogo se tornou uniforme: os governos dos países capitalistas ricos, remediados e pobres – travestidos do eufemismo emergente, que virará submergente – , apostam tudo no fortalecimento do Estado, como mediador das categorias sociais que se lançam, antagonicamente, umas contra as outras no cenário da destrutição de riquezas fictícias em marcha.
Seria o bom caminho apostar no modelo que está colocando em risco total a vida da humanidade por ser intrinsecamente anti-sustentável na sua relação com a natureza, por violar, fundamentalmente, seus principios, ou a crise está parindo novos paradigmas, com mudanças qualitativas no plano social, político e econômico?
Para começar, o que é juro zero nos Estados Unidos senão excomungação do dólar e eutanásia do rentista tanto interno como externo que têm financiado o governo americano desde a segunda guerra mundial, candidatando-se, agora, a caloteado por Tio Sam?
Para o professor Tomio Kikuchi, já foi lançada a Arca de Noé, mas nela não vai ter lugar para todos, como na imaginação bíblica. A aposta redobrada na mesma embalagem sem conteúdo do modelo de desenvolvimento auto-destruidor da natureza, anti-interativo com ela etc, é aposta na catástrofe. Ou seja, explosão das contradições dialéticas. Qual será a síntese depois de a tese ter sido negada pela antítese?
A contradição, segundo o professor Kikuchi, tem sua base na inversão da própria realidade, dada pela característica básica do modelo agressor da natureza que elimina do homem a sua natureza instintiva e o predispõe às fragilidades, tornando-o incapaz de auto-educar-se, auto-criticar-se, auto-conhecer-se etc. Subordina-se não a sua auto-consciência crítica, mas à representação da realidade externa, dada pelo dinheiro. Este passa a ser a nova falsa consciência.
O dinheiro, diz o professor, é o deus que determina consciências, em vez de as consciências determinarem o dinheiro. Caminho, segundo ele, invertido, que impulsiona a humanidade à catástrofe. O modo de ser humano, sem consciência, acaba negando o próprio humanismo. Comanda não a preservação, mas a destruição da natureza, destruindo a si mesmo. Destroi o que lhe é essencial, sua natureza instintiva, necessária à relação com seu reflexo, o seu eu natural. Não precisaria embarcar na Arca, pois diz, seria a própria Arca de Noé.
Investir na própria destruição

O governo decide investir todas as suas fichas no financiamento à produção e o consumo em uma estrutura produtiva e ocupacional cujas determinações contribuem, decisivamente, para romper o desequilíbrio dinâmico natural.
Ao criar uma realidade invertida, tal estrutura aniquila, em vez de fortalecer a sociedade. Assim, quanto mais se investe nela,mais se aprofunda a catástrofe.
O homem segue a lógica da catástrofe. Esta se expressa na distância crescente entre ele e a natureza que, paulatinamente, elimina, do homem, sua natureza institinta.
Sem a âncora natural, que é o fortalecimento da natureza instintiva, o homem, suprimido ou excessivamente atenuado pelo consumismo o instinto natural, fragiliza-se, emocionalmente, Perde o auto-controle.
A expressão mais concreta dessa fragilidade é a perda das possibilidades da auto-educação e, consequentemente, do auto-controle e da auto-consciência.
Amplia-se a insegurança coletiva, justamente, porque, sem controle dos seus próprios instintos naturais, perdidos pela supressão da própria natureza instintiva humana, o ser humano perde sua potência natural, graças a sua marcha batida, essencialmente, anti-natural, rumo a auto-destruição catastrófica.
Aposta-se e apregoa-se a segurança externa da sociedade, mas a sua segurança interna, simplesmente, inexiste e se traduz na inversão expressa na tentativa de corrigir o acessorio, o externo, em vez de agir sobre o essencial, o interno, a auto-educação.
Sem o auto-controle, sucumbe-se à propaganda, à embalagem sem conteúdo, característico do consumismo descontrolado sem critério, anti-lógico, anti-natural.
A ausência do auto-controle gera a super-valorização do dinheiro, que atua como substituto da auto-educação. Esta fixa que o principal é o interno e não o externo. Tenta-se, no ambiente externo, com dinheiro, comprar a segurança que falta internamente.
O dinheiro, como mediador de todas as mercadorias, sendo a principal delas, as próprias consciências pessoais, submetidas, acriticamente, a tal mediação, elimina, por sua vez, o diálogo entre as pessoas, especialmente, entre pais e filhos.
Educação funcional é a familiar

Os pais, diante das demandas dos filhos, repassa-lhes dinheiro, para satisfazer suas necessidades artificialmente construídas como substituto da auto-educação.
Claro, Kikuchi alerta: “Sem diálogo com os filhos, os pais, como os filhos, perdem o auto-controle, na relação familiar, distanciando-se mutuamente, psicologicamente, inviabilizando, consequentemente, a auto-educação familiar, indispensável ao auto-controle.”
A educação, nesse ambiente de desencontro em que a prioridade ao dinheiro como solução se impõe, adquire substância invertida.
Passa a predominar, tão somente, a educação formal, acessória. A concorrência entre as faculdades deixa de focar no funcional para exaltar o formal. O importante é acumular títulos, embalagem
Não se consegue, pela educação, apenas, formal, alcançar o auto-controle, a auto-crítica e a auto-consciência. Somente a educação funcional confere tal atributos essenciais, pois trata-se de ligar-se à prática, que fortalece a natureza in stintiva.
“Não se cuida do interno como prioridade, mas do externo, que é secundário. Prioriza-se a anti-educação formal, exterior da realidade dominando a realidade interior. Desastre.”
Quando mais o dinheiro pode comprar , mas se aprofunda a fragilidade humana para enfrentar as consequências que essa opção pelo dinheiro produz em forma de destruição traduzida em distanciamento do homem da natureza.
Esquizofrenia mecanicista

No contexto das apostas redobradas no desenvolvimento da estrutura produtiva e ocupacional anti-natural, que está entrando em profunda crise de realização em escala global, esconde-se opção cega e alienada pela lógica da catastrofe.
Dominada pelo dinheiro, que elimina , paulatinamente, no contexto da estrutura que ele anima, a sensibilidade humana instintiva, a humanidade, segundo Kikuchi, segue a batida da acumulação do erro e não da possibilidade de, pelo erro, aprender a corrigir, optanto-se pelo fortalecimento da natureza instintiva.
Dá-se o contrário: a sociedade super-consumista, que explode na escassez da oferta de crédito, antes possível pela existência da confiança dos agentes econômicos entre si, agora, desaparecida, encontra-se destituída da natureza institintiva.
Consequentemente, destituída, também, de auto-conhecimento, auto-educação, auto-controle, enfim, perante sua própria fragilidade decorrente de sua opção anti-natural.
A auto-educação, intrinsecamente, dialética, por entender ser a realidade, essencialmente, dual, representa, na avaliação do autor de “Sobrevivência e destino humano”, “Autocontroleterapia – Transformação homeostásica pelo tratamento independente”, “Natureza – muito mais poderosa do que DEUS” etc, a única alternativa capaz de promover mudança qualitativa que transformaria o ser humano no panorama da catástrofe em marcha.
Impossibilitado de perceber, pela educação, o movimento positivo e negativo, simultâneo, que preside o desenvolvimento dialético, essencialmente, desequilibrado e dinâmico, que impõe a necessidade do erro e da correção imediata dele, sintonizando-se com o próprio desequilibrio do meio ambiente natural desequilibrante, o ser humano, dominado pela embalagem sem contéudo, fragilizado, emocionalmente, debilmente, infantilizado, substancialmente, invertido, está nágua.
Terá, explica, que deixar de lado a cabeça mecanicista, reducionista, racionalizante, que cria abstração para explicar a realidade, para dar lugar à simplicidade exposta pela própria realidade. Caso contrário, dançará no abstracionismo esquizofrênico anti-natural.