30 nov
2008Lula e mídia massacram Santa Catarina
Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 30-11-2008

Todos os méritos para os comentários sarcásticos e irônicos de Joelmir Beting, no Jornal da Band, na sexta, 28, ao levantar o absurdo e o massacre que o governo Lula, através da Caixa Econômica Federal(CEF), patrocina em Santa Catarina em plena catástrofe maior da história, penalizando , brutalmente, os catarinenses por intermédio de empréstimo-socorro(cruz credo) com juros de quase 2% ao mês.
Tremendo agiota sanguessugando as energias exauridas da população, que perde casas, filhos, comércio, indústrias, lavouras, estradas, pontes etc. Diante dessa barbaridade, Joelmir disse que não é hora para levar em consideração a contabilidade, mas a humanidade. Genial.
Os juros da Caixa escravizarão ainda mais o povo de Santa Catarina, que enfrenta momentos dramáticos, sob ajuda de todo o país, em campanha de doações, de norte a sul e de leste a oeste. Nesse ambiente de devastação, emerge o agiota governamental para impor ainda maiores sacrifícios.
O comentário de Joelmir mexe com os nervos, esquenta o sangue, agita a mente. Jornalismo de conteúdo. Trata-se de crime contra o interesse público, que merece profunda discussão popular. Transforma o telespector em agente e não em mero paciente da notícia.
O episódio dos juros da caixa para acabar de matar os flagelados das enchentes – juros-enchente – demonstra, pela sagacidade do repórter, a distância entre a burocracia e o povo. Aquela não está nem aí.
Os políticos de Santa Catarina até agora não pediram a cabeça da presidente da Caixa, que compromete a cabeça do presidente Lula em todo o país, em face de uma postura absurda com o dinheiro bancário estatal para sufocar quem já está sufocado.
Causas soterradas na falta de investigação jornalística
Os políticos catarinenses, provavelmente, não teriam fôlego para levantar grandes discussões sobre as razões reais do desastre e nem a imprensa está levantando essa discussão a fundo. Os jornais e revistas de final de semana demonstram a falta de apetite para as reportagens investigativas.
Talvez, porque mexeriam nos interesses que manipulam as obras públicas que tocaram a infra-estrutura urbana nas grandes cidades brasileiras e continuam ainda tocando em grande rítmo, agora, sob impulso do PAC.
As relações das classes políticas com os empreiteiros, por meio dos recursos que aquelas levantam no Congresso, para irrigar os empreendimentos urbanos desordenados do ponto de vista do interesse público e ordenados tão somente pelo interesse privado em busca dos lucros com investimentos da arrecadação tributária, jamais mereceram CPI, para valer, no Congresso.
Se tivesse que ir às raízes do porque da imprudência governamental em permitir planejamentos anti-urbanos morro acima, fragilizando a estrutura do solo da região de Itajai, cuja camada superficial, como informam os especialistas, é argilosa, a grande mídia tacaria fogo em paiol dos interesses das grandes imobiliárias e empreiteiras, estimuladoras dos políticos para levantarem as tão mal afamadas emendas parlamentares. Tudo em troca de dinheiro gordo para campanhas eleitorais. Caixa de marimbondo.
O solo afetado pela irracionalidade ocupacional, cuidadosa com os interesses lucrativos e descuidadosa com os interesses sociais, permitiu infiltrações que, com o tempo, fragilizaram as bases das construções, para levá-las aos escombros diante de chuvas fortes e continuadas.
São tais obras, realizadas de forma desordenada, quanto ao planejamento, como tem denunciado o repórter Washinton Novaes, há anos, as que propiciam os desastres no médio e longo prazo e lucros altíssimos no curtíssimo prazo. Como este é o que interessa, fica valendo a observação cínica de Keynes, em obediência ao mero utilitarismo: “no médio e longo prazo, todos estarremos mortos”.
Se houvesse maiores investigações jornalísticas, o que não aconteceu, evidenciaria o óbio: o cruzamento dos interesses entraria em campo e o assunto poderia ser engavetado, como foi muitas vezes, não , apenas, a discussão sobre as relações entre empreiteiros , políticos e poder, mas, igualmente, políicos, poder e banqueiros, cujas ações conjugadas impediram, até hoje, ampla investigação do endividamento nacional durante a Nova República, dominada, depois da crise dos anos de 1980, pelo Consenso de Washington.
Essência escondida pela aparência terrificante
Os jornais e as revistas foram pródigos em mostrar as imagens e depoimentos dos flagelados, os pânicos populares, o desamparo em geral. Excelente cobertura visual.
Mas, por trás dos escombros, dos fatos que levaram ao horror, essencialmente, os fatos econômicos, que não são expressões neutras no processo, ficou faltando o esclarecimento da conjuntura que propiciou a emergência de tudo.
Nela, chafurdam os interesses escusos das relações setor produtivo-setor estatal na discussão e autorização de realização de obras públicas cujo conteúdo não visam o interesse público, como o desastre catarinense comprova à larga.
Os desastres urbanos atuais foram todos causados por negociatas em torno do dinheiro público para expandir exponencialmente os espaços urbanos tocados por grandes obras de engenharia que pouco se lixaram para os aspectos ambientais que, desdenhados, provocariam tragédias catarinenses de maior ou menor grau Brasil afora ao longo dos últimos anos.
Os exemplos são diários. Chega o tempo da chuva, repeteto de absurdos. As galerias pluviais nunca estão prontas para minimizar as enchentes, que, a cada ano, são mais destrutivas, por conta da insuficiência de competência capaz de gerar empreendimentos públicos eficientes e duradouros, adequados ao equilíbrio populacional, nunca levado em conta etc.
Os demandos dos poderosos que agem de forma umbilical com os governos na implementação das obras públicas para servir de instrumento de viabilidade para as demais atividades produtivas da sociedade não merecem a observação crítica nem da imprensa, em forma de jornalismo investigativo, nem dos políticos, principalmente, estes, que paparicam as grandes empresas para obterem financiamentos nas campanhas eleitorais.
A reação corporativa dos políticos avançam extra-fronteiras. Veja o caso da Norberto Odebrecht no Equador. A empresa brasileira está naquele país há 25 anos, realizando obras públicas e se inter-relacionando estreitamente com os governos neoliberais anteriores ao atual, algo semelhante ao que acontece no Brasil desde sempre.
O que fez a grande mídia diante da acusação de que a empresa patrocinava corrupção no país feita pelo presidente do Equador, Rafael Correa, que destronou a classe política com a qual a empresa brasileira negociava, umbilicalmente?
Ainda não saiu aquela grande reportagem investigativa, buscando as razões da acusação presidencial, nem um perfil geral da empresa e suas relações em cerca de 20 países, gerando orgulho nacional, pelo potencial empreendedor brasileiro no mundo, mas, também, produzindo controvérsias relacionadas às denúncias de corrupção levantadas. Os dois lados da questão têm que se evidenciar, caramba.
Não é preciso ir longe. Estão rolando investigações criminais contra a mesma empresa que está, igualmente, por trás do desastre ambiental causado, em São Paulo, por obra governamental que desabou, assim, como aconteceu no Equador, mas a opinião pública carece da investigação jornalística sobre o assunto.
Assim como o governador José Serra, de São Paulo, indignou-se e mandou a justiça investigar as causas do desastre que provocou prejuízos e mortes, da mesma forma, Rafael Correa, diante de desabamento de obra construída pela Norberto Odebrecht, com dinheiro do BNDES, mandou investigar.
Até o momento, passados mais de um ano, não se leu, ainda, aquela bela reportagem sobre o estouro do túnel em São Paulo, assim como o estouro da hidrelétrica de San Francisco, no Equador. Dinheiro público enterrado com os corpos de flagelados que não receberão indenizações.
Os políticos catarinenses apoiariam , no Congresso, CPI, para ir fundo no mais destruidor desastre ambiental da história brasileira?
Investigação ou descrédito
O que a imprensa, depois do brilhante comentário de Joelmir Beting, deve fazer é o jornalismo da verdade. Do contrário, ficará na manipulação de sempre, sem penetrar nas verdadeiras causas da devastação. Ou ocorre a competente investigação jornalística ou emerge o descrédito jornalístico.
As políticas públicas urbanísticas nas capitais brasileiras precisam ser profundamente investigadas. Não, apenas, a aparência, mas a essência. Isso, por exemplo, a Veja não fez na última edição.
Colocou na capa uma foto punjente da bela menina Luana Eger, de 3 anos, primeira ser levada pelas águas; descreveu competentemente o estrondo do encontro entre o anticiclone, em sentido anti-horário, com o vórtice ciclônico, no sentido oposto, para dar o verniz técnico-científico do problema fatal; enumerou prejuízos, mais de R$ 1 bilhão; mencionou, de passagem ligeira, superficialmente, desorganização urbano-ambiental, mas não investigou as razões de tal desorganização, que induziu desordenadamente ocupação e destruição ambiental cujo resultado representa, agora, implosão de tudo.
Veja e Época ficaram na superficie das águas. Os atos políticos que levaram os governos a contratarem empresas para dinamizar espaços urbanos obedientes a uma orientação econômica anti-sustentável ambientalmente não foram devidamente investigados.
Os parlamentares catarinenses que formaram comissão especial para lutar por Santa Catarina caminhariam nesse sentido, como clamam os internautas, que interferem nas reportagens pouco investigativas, pedindo, clamando, mais fatos, mais evidências para permitir formação de opinião mais ampla?
Certamente, ficarão, como a grande imprensa, na superfície, para salvarem a pele: enumerarão, criteriosamente, os prejuízos, levantados pelas estatísticas do governo e das federações empresariais, do comércio, da agricultura e dos serviços, para pedir reparações oficiais.
Debaterão com a comunidade os desvios e desacertos das políticas públicas e dos investimentos governamentais em infra-estrutura, apoiados por eles, por empresas e empreiteiras que levaram a situação conjuntural e estrutural urbana do vale do Itajaí ao desastre?
A mídia precisaria botar o assunto no cenário, para estimular opiniões. Fará isso?
Nos jornalões de domingo, nada. Nas revistas, noticiário fraco, perdendo de goleada para aquilo que a televisão deu à larga, mostrando ao vivo, tudo. A aparência emergiu, a essência, submergiu.
Eis a grande tragédia nacional de sempre, como diria Beting, sem humanidade, mas com muita contabilidade.
A bancarrota financeira global, que se intensificou, nos Estados Unidos, com o socorro emergencial do governo W. Bush ao Citibank, um ícone bancário de varejo, orgulho americano em todo o século 20, agora, no chão, levou o presidente Lula, no Brasil, a mudar o cenário econômico e político, depois da reunião de terça feira, 25, na Granja do Torto, quando reuniu todos os ministros para, juntos, traçarem os novos rumos da economia. Redobrou sua aposta super-otimista na economia brasileira, a ser embalada por propaganda consumista, em meio à crise de crédito, e colocou em cena o discurso do vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, adversário maior dos juros altos, praticados pelo Banco Central.
Os bancos públicos, dessa forma, por meio de decisão governamental, de caráter , nitidamente, intervencionista, partiram para disputa de mercado com os bancos privados, que fugiram de qualquer compromisso com o governo, apesar de instado por este, a trabalharem com juro mais baixo, mediante oferta de depósitos compulsórios a juro zero, para evitar bancarrota empresarial. Lula não apenas força a concorrência, mas abre espaço, também, para fortalecer a candidatura de Dilma Roussef, se o crediário começar a esquentar, novamente.
O titular da Fazenda, nesse aspecto, estaria ajudando o presidente Lula com seu propósito de, animando a economia, empinar a candidatura Dilma, o que dificilmente aconteceria, se forem mantidas elevadas as taxas de juros sob monetarismo ortodoxo bancado pelo ministro Henrique Meirelles.
O caso da empresa nacional Odebrecheth, que há 25 anos atua na economia equatoriana, realizando obras públicas, para governos de matizes ideológicos neoliberais, é paradigmático. A subida de novo governo coloca em cena conflitos que envolveram a empresa e os governos anteriores em situação que tribunal internacional está avaliando a pedido do presidente Rafael Correa, em meio a uma efervescência nacionalista, que levou o país a uma Assembléia Constituinte, configurando nova correlação de forças internas, a exemplo do fenômeno que avança em praticamente toda a América do Sul, nesse momento histórico de explosão do capitalismo desenvolvido, envolto em bancarrota.
Como Rafael Correa está em processo eleitoral, já que, em fevereiro, haverá, no Equador, eleições gerais, e o presidente continua sob pressão dos oposicionistas, seu posicionamento político não poderia ser outro senão seguir adiante sob pena de dançar na mão dos adversários, que sensibilizaram a opinião pública diante da incompetência empresarial da firma nacional que construiu obra comprometedora aos interesses da sociedade. 
Os passos de Rafael Correia, que irritam o governo brasileiro, nesse momento, em sua caminhada política nacionalista, são semelhantes aos dados pelo governo nacionalista de Getúlio Vargas, em seu início, em 1931, quando decidiu, sob pressão de acusações políticas, investigar sonegação de impostos e irregularidades generalizadas praticadas pelas companhias americanas distribuidoras de gasolina – Standard Oil Co. of Brazil, The Texas Co. Ltd, Anglo-Mexican Petroleum Ltd, Atlantic Refining of Brasil e The Caloric Company.
Não se deve esquecer, a título de exemplo, da trama armada pelos Estados Unidos contra o Iraque, em 1990, no conflito deste país com o Kuwait, culminando com invasão das tropas de Saddan Hussein, em 1990.





Marx está deixando Delfim Netto completamente doido.
Pelo que consta dos escritos de Marx, ele nunca teorizou o estado autarquico como resultado do estágio final do desenvolvimento capitalista contraditório das forças produtivas, de um lado, e o das relações sociais da produção, de outro, abrindo espaço para revoluções sociais e transformação do capitalismo em socialismo.
Se o não desenvolvimento pleno das forças produtivas representa o não socialismo, o seu oposto, isto é, o desenvolvimento pleno de tais forças, expresso, atualmente, na realidade econômica do capitalismo americano em colapso, comprovaria a materialização da tese marxista.
O ex-ministro e ex-deputado deitou falação despropositada sobre Lênin. Demonstrou que não leu Lênin, especialmente, os aspectos econômicos desenvolvidos pelo líder soviético, o que seria sua obrigação, como expert em economia.
Exaltou Lenin o empreendedorismo individual dos camponentes e destacou que o fundamental não era fazer a distinção entre coletivo e individual, como propulsores do processo econômico, mas perceber que, qualitativamente, a integração de ambos seria fundamental como sobrevivência econômica do país.
Naquela altura, 1922, a NEP já completara três anos e os fracassos eram evidentes. Baixa produção e produtividade e alta de preços especulativos.
Onde está o pensamento autárquico leninista, que Delfim, levianamente, caracterizou, porque não percebeu o que Moniz Bandeira sacou, que Lenin, hoje , está na China?
Alavacar, ainda mais , as forças produtivas, no ambiente de desaceleração dada pela limitação dessas proprias forças, sob predomínio do espírito absolutamente privado?