Estagnação capitalista favorece planeta terra

A situação do capitalismo está chegando a tal ponto que a estagnação ou semi-estagnação econômica temporária – não se sabe por quanto tempo – pode ser uma boa para ele.

Seria mais vantajosa do que a alternativa oposta à vista, a destruição, caso não haja um esforço global comum para evitar a bancarrota financeira, expressa na supressão/empoçamento do crédito em mar monetário que deixa de azeitar as relações econômicas globais.

Entre destruição e estagnação não há discussão. Vencerá o utilitarismo.

A natureza, por sua vez,  deve estar achando excelente essa possível paralisação ou semi-paralisação da economia americana, com reflexos globais.

No ritmo do super-consumismo ultra-exacerbado americano, que se espalha para China, Japão, Europa, Africa e América do Sul, uniformizando comportamentos culturais suicidas, rola, perigosamente, tremenda destruição ambiental.

Com a bancarrota financeira, entra em xeque tal modelo de vida, que ameaça a humanidade.

Se os Estados Unidos, punidos pela lógica da irracionalidade, que levou a nação ao buraco negro monetário, serão obrigados a viver possivelmente fase recessiva dura, significa que haverá menos demanda sobre o planeta, cujo resultado tem sido, claramente, crescente desequilíbrio do meio ambiente.

Desde 1987, os cientistas, preocupados com o avanço da irracionalidade capitalista, que avança destruindo a natureza, alertaram sobre o impasse decorrente das excessivas emissões dos gases C02, gás carbônico, e CH4, metano, responsáveis pelo aquecimento terrestre. 

Em 1997, foi assinado o Protocolo de Kyoto, em que os signatários se comprometeram a reduzir suas emissões de CO2 em 5% quando comparados aos níveis resgistrados em 1990. O acordo estipulava que ele só se tornaria efetivo quando fosse ratificado por, pelo menos, 55% dos países signatários e que somassem 55% das emissões.

 

Unilateralismo faliu. Multilateralismo ocupará o vácuo

 

Os Estados Unidos, maior economia poluidora do meio ambiente, responsável por 25% do total das emissões de gases de efeito-estufa, não assinaram o protocolo. Frustração mundial.

A contaminação do ar, das águas e do solo, seja pela queimadas das florestas, pela emissão dos gases tóxicos das indústrias químicas e de beneficiamento de minerais, ou pelas toxinas geradas na decomposição do lixo urbano, seguiu em frente, destruindo as forças naturais.

Cenário apocalipto, apresentado pelo Painel Internacional de Mudança Climática(IPCC), descortinou-se forte:o efeito estufa estaria estreitamente ligado ao aumento da ocorrência e intensidade de inundações e secas, amboas resultando em redução das reservas de água potável. Além disso, aquecimento da atmosfera aumenta mortalidade de velhos, crianças, graças a expansão de casos de doenças pulmonares e do aparelho digestivo.

O aquecimento global mudou características fundamentais do clima europeu, proporcionando elevação de temperaturas em continente onde o frio predomina, impondo temperaturas superiores a 40%. No Brasil, o aquecimento se expandiu com a destruição das florestas em escala irracional, estimulando ampliação da produção e exportação de soja, carne, milho, algodão e, sobretudo, madeira. 

A lista do desastre é interminável, no compasso do ritmo da destruição ambiental imposta pela busca insaciável do lucro, que não visa o interesse do contribuinte.

A natureza pede, desesperadamente, um tempo, racionalidade ao estouro consumista. Nada. Os interesses individualistas, preponderantes, relativamente, aos interesses coletivos, continuaram e continuam a destruição.

A bancarrota financeira, enfim, pode dar uma parada técnica na loucura, impondo a necessidade do interesse coletivo, socialista, impor-se, politicamente, sobre o individualista, capitalista, abrindo espaço a uma maior cooperação internacional, algo que os Estados Unidos se negaram a pratica, até agora, recusando assinar o Protocolo de Kyoto.

 

Chegou a hora de uma parada na busca louca do lucro

 

A crise bancária, que destroi riquezas puramente fictícias, sinalizando redução do nível de atividade geral, a partir dos Estados Unidos, conspira a favor dos interesses da natureza. Poderá arrefecer a destruição ambiental e dar uma orientação racional à irracionalidade anárquica capitalista.

A desaceleração econômica nos Estados Unidos, cujo consumo sustenta, organicamente, a economia mundial, dados os fios do tecido econômico traçados por ele, impõe novo rítmo aos parceiros comerciais, detonando lógica desacelarativa nos elos gerais do capitalismo global, em termos proporcionais.

Gigantes parceiros comerciais dos Estados Unidos, como China, Japão e Europa, que sofrerão sérias consequências decorrentes da derrocada financeira americana, terão novos comportamentos diantes dos demais elos mais fracos da cadeia econômica capitalista global? Ou será preciso chegar mesmo ao caos total, para surgir nova Arca de Noé?

Não estaria descartada possibilidade de acontecer com os Estados Unidos o que aconteceu, na década de 1990, com o Japão. Depois de viver, nos anos de 1970 e 1980, a farra dos nipodólares, expressos na euforia das exportações de produtos tecnológicos avançados, os japoneses se transtornaram nas angústias do empoçamento excessivo de dinheiro, que levou à deflação. O nacionalismo japonês, feito em casa, como está ocorrendo, com a China, trouxe, como resultado, paralisia. O capitalismo ficou parado, juro zero, deflação na porta, só jogando na exportação, com moeda desvalorizada.

Seria esse o futuro do nacionalismo chinês que abarrota o mundo de mercadorias de toda a natureza, sustentando o mercado de matérias primas global?

 

A terra se agita contra a expoliação destruidora do capital

 

A bancarrota americana pode servir de ponto de inflexão à lógica anteriormente desenhada pela exacerbação egoística capitalista global tocada por moeda podre especulativa implodida no excesso de dólares derivativos.

Viria por aí um relativo repouso econômico global determinado pelo estresse de Tio Sam? A natureza começaria a sorrir.

O perigo maior para os Estados Unidos é o excesso de moeda podre – fala-se em 60 trilhões de dólares derivativos, coisa de doido –  e a consequente desmoralização monetária que dificultaria a saúde do governo americano de continuar enxugando a base monetária global para evitar inflação exponencial.

O fato novo, portanto, é a crise do keynesianismo americano e não do liberalismo, que já havia entrado em colapso na crise de 1929.

O próximo presidente americano adotará as medidas neoliberais que a Casa Branca sempre pregou para a periferia capitalista, a fim de enxugar o excesso de gordura podre?

A natureza baterá palmas, porque o protocolo de Kyoto vai sair. Haveria parada obrigatória no gigante consumista , guerreiro devastador, impulsionador da economia de guerra, bancada por moeda estatal fictícia sem lastro.

A ordem unilateral está se rompendo, para dar lugar ao seu oposto, o multilateralismo. A tese produz a antítese. Qual será a síntese?

A primeira grande crise monetária do século 21 pode ser uma boa. Negação da negação. O keynesianismo negou o neoliberalismo e agora se vê negado.

Representaria freio ao capitalismo devastador e a imposição de uma nova ordem dada pelo excesso do próprio homem, que, de agressor, passou a ser agredido e condicionado pelas forças naturais racionais em substituição às forças humanas irracionais?

Estagnar, nesse contexto,  tornou-se útil.

Consumir menos significaria prejuízo ou avanço?

O que o crash financeiro pode conseguir, ou seja, menor demanda destrutiva econômica sobre a terra, minimizando desproporção incompatível com a sustentabilidade ecológica, representaria na prática, por outras vias, nova conjuntura que leva a humanidade a outros questionamentos.

Novas possibilidades, novas culturas comportamentais transformadoras, nova economia, nova ética?

Se não foi possível, enquanto o unilateralismo político-militar americano predominou, à custa de moeda sem lastro, com a destruição financeira, que coloca Tio Sam desmoralizado, pode ser que surjam as condições reparadoras, naturais, que impõem suas vontades supremas. Bloqueariam, consequentemente, o avanço da economia de guerra.

Pintaria a economia da paz, no rastro da falência keynesiana guerreira?

 

Explosão da falsa consciência consumista empobrecedora.

 

O modelo de desenvolvimento econômico apoiado na escala super-consumista, que desequilibra o meio ambiente, tornando-o irrespirável, tenderia a sofrer abalos.

Qual seria o perfil da economia, combinando forças produtivas compatíveis com a sustentabilidade ambiental?

Essa pode ser a grande promessa do século 21, sinalizando mudanças quantitativas e qualitativas, no compasso da desaceleração capitalista destrutiva?

O debate está aberto.

Haveria espaço para ampliação do individualismo, que levou à loucura, na medida em que se julgou absoluto, como forma de vida, ou o coletivismo ganharia nova dimensão, como forma equilibradora, capaz de mudar paradigmas culturais e psicológicos?

O socialismo real soviético, que levou a ideologia coletivista ao paroxismo, bloqueando potencialidades individuais de se afirmarem em sua plenitude, teve como antítese o capitalismo ultra-individualista e egoísta, depois da queda do muro de Berlim, em 1989.

Resultado prático: explosão das bases de sustentação humana na terra. O capitalismo, como já disse Marx, não pode desenvolver exponencialmente as forças produtivas, porque, na busca prioritária dolucro, explode a si mesmo. Atual.

Assim, entre as radicalidades de um e outro, de um lado, o coletivismo, de outro, o individualismo, qual seria a saída?

Individualismo mais coletivismo divididos por dois? Se o unitaleralismo explodiu na crise do subprime, o pluripartidarismo emerge como natural candidato a ocupar o vácuo político.

Por enquanto , as respostas emergentes são nacionalismos. Seriam suficientes, sabendo aonde desemboca o nacionalismo capitalista japonês, na deflação, caminho que pode, ser, também, o do nacionalismo chinês, como está sendo o nacionalismo americano guerreiro destruidor da natureza?

Nova era está se iniciando, no sentido de relativizar individualismo e coletivismo em nome de um acordo para permitir sustentabilidade ambiental terrestre.

Uma resposta para “Estagnação capitalista favorece planeta terra”

  1. Para todo movimento de giro exite o fim e o reenicio, o Capitalismo americano fracassou quando maquiou sua economia , sabendo que era inevitável sua repercussão colocando outras nações em apuros ocasionando o caos financeiro entre elas e esperando passar a turbolencia para o tio continuar dando as cartas .logicamente não abrirá mãos para a – União Européia – Tigres Asiáticos – China – Mercosul.
    Dificil – mais ja se fala num terceiro confronto mundial

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