25 out
2008Ataque ao real antecipa sucessão presidencial
Cesar Fonseca em 25/10/2008

Na próxima semana, quando o Congresso, desconsiderado, até agora, no desenroladar da crise financeira global, que afeta o governo Lula, voltar, inteiramente, a esquentar suas turbinas, abaladas pelo nepotismo, estará instalado novo contexto que guiará a sucessão presidencial no compasso do ataque ao real com ajuda dos grandes bancos.
Qual será a reação dos congressistas no ambiente em que o PMDB, no perÃodo pós-eleitoral, sai forte das eleições municipais, pronto para ter seu candidato à presidencia da República em 2010?
Ao se recusar a colaborar com o governo para salvar pequenos bancos e irrigar a praça seca de moeda com recursos dos depósitos compulsórios, a custo zero, que preferiram jogar no overnight, a grande banca, que triplicou sua riqueza ao longo das Eras FHC e Lula, enquanto o setor produtivo penou no juro e impostos altos, obrigaram o governo a estatizar, bancos tamboretes e empresas,  levantando dúvidas generalizadas e consequente desvalorização da moeda nacional. Contribuiu, decisivamente, para jogar a economia em completa desorientação geral.
Não há dúvida quanto à motivação sucessória: a violenta crise financeira global, ao fragilizar, com a falta total de colaboração dos poderosos banqueiros relativamente aos esforços governamentais, abalados em seu otimismo exagerado, intensifica explosões contraditórias que se expressarão na disputa eleitoral, já antecipada pela bancarrota neoliberal.
A surpreendente valorização do dólar, mais intensamente, no Brasil, quando as previsões apontavam seu enfraquecimento, coloca a sucessão presidencial lulista na ordem do dia do Congresso. Ao desvalorizar a moeda nacional, põe em risco iminente de bancarrota a estrutura produtiva e ocupacional brasileira.
Pintariam desemprego, escassez de consumo, queda de arrecadação e suspensão dos investimentos, diante de tombos de fortes empresas, cujos efeitos são destronarem outras médias e pequenas empresas que fazem parte da cadeia produtiva delas. Receita certa para derrota eleitoral. A desaceleração econômica, naturalmente, jogaria a favor dos adversários do governo, o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo, possÃveis vitoriosos nas eleições municipais, nesse domingo.
Com a desvalorização do real, que pegou o setor produtivo comprado na especulação esquizofrência do dólar futuro, o patrimônio nacional, erguido de Getúlio Vargas até agora, pode ir para o espaço, caso as decisões, que estão sendo tomadas, atabalhoadamente, não redundem em condições competitivas para as empresas conseguirem sobreviver, tanto interna como externamente.
Serrra e Aécio estarão diante de excelentes motivações.
Para Serra, a polÃtica monetária atual, seguida pelo presidente do Banco Central, é suicida. Destroi o patrimônio, o emprego e a renda nacionais. Politizou, desde já, o assunto economia.
Aécio ficaria para trás, sabendo que os empresários mineiros estão apavorados com possÃveis fechamentos de empresas, dado o colapso creditÃcio?
Ambos, Aécio e Serra, assumiram o discurso do vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, contra os juros extorsivos brasileiros. A base da coligação governamental tenderia a rachar sob impacto dessa trÃade – Alencar/Serra/Aécio – crÃtica da polÃtica monetária favorável à especulação. Lula, com sua candidata preferida, Dilma Roussef, ministra da Casa Civil, gerente-mor do PAC, ficaria para trás?
Todos estão na Arca de Noé, furada pelo maremoto financeiro global, que a jogou no icerberg mil vezes mais potente do que o que detonou o Titanic numa noite gelada.
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Crise imporia compromisso comum Lula-Serra-Aécio?Â
A fragilidade do real frente ao dólar, que se segura no espaço, sem lastro, é o novo fato polÃtico com o qual o presidente Lula terá, obrigatoriamente, que se envolver, no Congresso, com cores sucessórias.
Poderia , como já se cogita, a situação levá-lo , de novo, ao FMI ou ao tesouro americano, falido, pedir dinheiro?
Repetiria FHC no final de mandato? Seria uma ironia da história. Correria chapéu em Washington, se, na semana passada, mandava tiros no xerife?
O senador Sérgio Guerra, do PSDB, faturaria em cima, com grande eloquência e regozijo. Que fariam os governadores José Serra e Aécio Neves, previsivelmente fortalecidos depois das eleições?
Vem empréstimo ponte por aÃ, como prevê o economista Eduardo Starosta, da Estplan,  ou o governo compraria , sem parar, dólares com reais, nas trocas de moedas, para irrigar a praça, como já começou acontecer nessa sexta feira, 24, diante do ataque especulativo sobre a moeda nacional?
Que dirá Serra, que comentará Aécio sobre essa manobra financeira arriscada, adotada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sob crÃtica de ambos os governadores? Serão chamados a discutirem com o presidente?
Reunião de governadores com o presidente, no calor da crise?
Qual seria mais vantajoso, tirar real dos depósitos compulsórios, poupança popular, para comprar dólar, cuja saúde ninguém sabe se dura ou não, nos próximos dias e semanas,  ou tomar emprestado dólar do FMI, sem precisar mexer, nem nas reservas nem nos depósitos compulsórios?
Ou, ainda,  não tomar nenhum empréstimo e apostar no real, cuja garantia é riqueza real nacional, expressa em matérias primas básicas, base industrial forte e reservas cambiais e depósitos compulsórios gordos?
Questões dessa natureza merecerão, no rastro da decadência neoliberal, solução, eminentemente, polÃtica, que passará a agitar os congressistas neste resto de ano legislativo.
O dólar tenderia a acalmar, se empréstimo ponte em dólar, caso tomado, não resolvesse?
No Japão, ao contrário do que ocorre no Brasil, a moeda japonesa, o yen, sobe relativamente ao dólar, porque os japoneses estão percebendo o óbvio: os créditos do governo japonês em dólar estão desacreditados na praça. Igualmente, o fenômeno ocorre na Europa.
Por que no Brasil sobe o dólar, com simultânea derretimento do real, quando o centro da crise não é o real, mas o dólar?
Seria vantagem trocar real por dólares, se os japoneses fogem, espertamente, da moeda americana?
Todos esses problemas se transformarão em assuntos emergentes no Congresso, sinalizando sucessão presidencial apimentada na dança diabólica da crise global.Â
Estado vira empresário e banqueiro. Baixará juro?
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As medidas provisórias 442, que dá poderes totais ao Banco Central para comandar os movimentos mais amplos da economia, no ambiente de devastação monetária, e a 443, que autoriza a estatização bancária e empresarial, transformando o governo, simultaneamente, em empresário e banqueiro, colocam em cena, não apenas a discussão da economia, mas da polÃtica e da sucessão.
A oposição, que não tem interesse em aprofundar a crise, para não se tornar culpada por ela, vai se render à lógica da estatização posta em marcha, diante da fuga dos bancos privados em ajudar o governo a equalizar o mercado financeiro, ou buscará uma composição polÃtica que poderia causar surpresas, já que tudo foi para os ares e novos paradigmas poderão surgir, tanto no plano econômico, como polÃtico?
Qual o preço do entendimento? Negociação do custo do dinheiro no paÃs a partir de uma concertação maior da economia, na qual se envolveriam governo e oposição, nessa hora grave, em que empresas e bancos quebram e obrigam o Palácio a estatizar tudo, mesmo que a contragosto, em nome do interesse público?
Conseguirá a estatização bancária em curso diminuir os juros por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, em nome da sustentação, a qualquer custo do desenvolvimento?
Os congressistas, sabendo que seus eleitores estão dependurados no crediário ao juro alto e pedindo socorro, porque seus rendimentos ficarão insuficientes para saldar suas dÃvidas, tornando-se, consequentemente, condenado à escravização jurista, poderão botar boca no trombone?
O desafio dos parlamentares é sobre o que fazer com a taxa de juro. Com ela alta como está, em meio à crise, que paralisa a economia, a tendência seria a revolta popular, como está acontecenda na Europa e nos Estados Unidos, com o povo na porta dos bancos, protestando.
Seria bom ou ruim para Lula, levar a crise para a rua e pedir ao povo o apoio, com o crédito de sua popularidade de quase 95%?
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Greenspan: confissão do fracasso.

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Revelou-se patente que a economia de mercado pregada pelos neoliberais dançou completamente. As desculpas pedidas por Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, no Congresso, na quinta, 23, foram grandiosas e patéticas, para as pretensões neoliberais, que oposição e governo, na Era FHC e Era Lula abraçaram.
Praticaram o laxismo excessivo em relação ao lucro bancário especulativo, impondo sacrifÃcios intensos aos setores produtivos.
Greenspan, com sinceridade tocante, destacou que errou ao liberar geral. Se viu, ao final, surpreendido. O sistema financeiro não funcionou conforme o modelo abstrato que estava na cabeça dele e dos neoliberais esquizofrênicos, crentes na equalização do mercado pelas suas próprias forças dinâmicas em permanente contradição. Não deu certo.
O que faz o ministro Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, senão repetir Greenspan, nesse instante, quando troca real por dólar no mercado futuro para irrigar no presente, sob crença na força da moeda americana, desacreditada pelos japoneses?
A monumental crise dos mercados livres, que está abalando as estruturas gerais, torna-se, preferencialmente, o assunto no Congresso, na sucessão lulista. O interesse popular está em jogo.
A entrada do governo na economia de forma mais direta, sobrepondo-se aos concessionários destacados na condução do crédito, isto é, os bancos privados, conforme prevê legislação nacional, demonstra que o Estado brasileiro avança no vácuo da incapacidade de o setor privado fazê-lo.
Se a taxa de juro não cair, pode pintar, no Congresso, movimento nacionalista para derrubá-la. Os congressistas, com a Constituição de 1988. estabeleceram limite de 12% ao ano para as taxas de juros, mas nunca regulamentaram o assunto, até ser removido, pelas forças neoliberais, na Era FHC.
Se tivesse em vigor o artigo 192 da Constituição, tudo ficaria mais fácil, porque seria apenas a batalha da sua regulamentação.
Poderia pintar nova investida dos congressistas, para controlar os juros? Ou  ficariam de fora dessa discussão?
Quando Alan Greenspan decide aliviar sua consciência de culpado, falando a verdade, perante a nação americana e ao mundo, o que dizer mais do modelo neoliberal especulativo, senão que fracassou geral?
O Congresso estará entre este modelo ou o novo que está surgindo, com Lula à frente, como empresário e banqueiro, assumindo posições gerais no processo econômico, para o bem e para o mal, como diria o General Geisel.









