O combustível do narcotráfico

Os lamentáveis episódios da última semana de rebeliões de menores no Caje, devido às super-lotações dos presídios, e a do assassinato de soldado e ferimentos em outras três pessoas por menor armado, em Planaltina, assombrando a população, tornando-a prisioneira do medo, demonstram, junto com episódios semelhantes que se repetem Brasil afora,  que o abandono total do Estado em relação aos menores de 14 a 18 anos produz o combustível da marginalidade, em especial do narcotráfico.

São os soldados juvenis do crime organizado, comandado, muitas vezes, por ex-policiais, expulsos da corporação por péssimos comportamentos, além dos bandidos que se sedimentam no contexto da falta de trabalho no país. Que faz um ex-policial, senão retornar à base do crime com o qual compactuava, para dizer que está no jogo, como alternativa que lhe sobrou depois da expulsão?

Como superar essa tragédia urbana, que forma um exército da marginalidade de forma contínua, em série, traduzindo em lotações sistemáticas das cadeias e deterioração geral das relações humanas, emergindo a bestialidade?

Resposta viva

A resposta está à vista. Basta olhar quem comanda o poder do Estado brasileiro atual para concluir quem são os personagens e como começaram na vida.

O presidente Lula e o vice-presidente José Alencar vêem do mesmo ramo das famílias pobres que começam a trabalhar cedo, a buscar profissão e encaminhar filhos na  rota do trabalho e dos bons constumes, na fase da industrialização nacional, que começa nos anos de 1940.

Dos 14 aos 18 anos, os jovens, instintivamente,  buscam sua família vocacional, no contato com a experiência do trabalho e do estudo. Nesse período, em que a tentação das boas coisas e perigosas ainda não está suficientemente desenvolvida na cabeça, o jovem tem que se preparar para os desafios da existência.

É a lei natural que não está escrita nos bancos escolares, mas, fundamentalmente, nas empresas, onde as atividades produtivas são exercidas com disciplina, sabedoria, ousadia e ponderação impostas pelo cotidiano na transformação da natureza em mercadoria, que será vendida no mercado pelo preço competitivo. Tremenda escola.

Lições básicas

Foi nessa labuta que Lula e José Alencar aprenderam as lições básicas, a prática que abastece a teoria, que, por si só, não se realiza sem o trabalho.

O presidente aprendeu uma profissão de torneiro no Senai antes de ser líder político sindical, sua vocação divina; Alencar, igualmente, saiu pelo mundo como comerciante e se enriqueceu com o suor do próprio rosto. Se fizeram por si mesmos.

Ambos começaram a partir dos 14 anos. São frangos caipiras e não frangos de granja. Os primeiros, por terem oportunidade, desenvolvem sua família vocacional, no trabalho, vão à luta, ciscam para catar minhoca. Os segundos, precisam que alguém busque a minhoca para eles, ficando de bico aberto, esperando alimento.

O país precisa de frango caipira, não de granja.


Empresas, oficinas-escolas, urgente

No Brasil, onde se busca inventar moda, trabalho juvenil virou sinônimo de escravidão. Grave equívoco. Não se tem mais aprendizes das diversas profissões dentro das empresas, o santuário da aprendizagem, como exercício prático, associado às tarefas educacionais, porque, na cabeça dos diplomados, trabalho e estudo são incompatíveis e inconvenientes.

Lula e José Alencar, se predominasse essa lei abstrata, não estariam onde estão, vindo das camadas mais pobres.

Urge encaminhamento ao trabalho dos jovens de 14 aos 18 anos nas empresas, para recebê-los em forma de oficinas-escolas.

Nelas, os jovens, nessa faixa etária, teriam sua carteira de trabalho assinada. No entanto, pagariam, apenas, seguro de acidente de trabalho.

Certamente, não poderiam pagar previdência social. Aposentariam cedo demais, impondo graves ônus financeiros ao país, via déficit previdenciário.

Aos 18 anos, quando estiver escolhido seu rumo, profissionalmente, aí, sim, poderá o jovem ou a jovem correr atrás dos sonhos normais que a idade proporciona, como o de viajar, ter seu carro, para ir namorar no restaurante e depois no motel, preparatório do casamento futuro, com responsabilidade etc.

Praticará suas loucuras com responsabilidade dada pela formação intermediária dos 14 aos 18 anos.


Distorção completa

Mas, o que acontece? O jovem de 14 anos, não podendo trabalhar, graças a uma legislação equivocada, chega aos 18 anos sem alcançar os sonhos que essa idade sugere.

Despreparado, será requisitado para a marginalidade, pois seu desejo de ter o tênis do filho da classe média só será atendido pelo roubo ou pelo tráfico, no dinheiro fácil.

Essa trágica realidade acontece no Brasil, graças à visão distorcida, que predomina na legislação que norteia a ação do Ministério do Trabalho, ancorada na abstração da lei do menor.

Adequada para os países ricos, que já estão com sua infra-estrutura pronta, tal lei, no Brasil, país ainda pobre, é, completamente, inadequada. Aqui, tudo está por fazer, sob o impacto de uma má distribuição da renda nacional, que cria distorções estruturais absurdas.

A inflexibilidade legal criou um MInistério do Trabalho que exige o impossível, de modo a levar as empresas a não pensarem em tarefa social para resgate do menor brasileiro.

No entanto, quando as mães vão para as portas do Caje e das Febens, desesperadas diante do perigo de mortes de filhos absorvidos pelo tráfico, o Ministério não vai lá socorrê-las.

Socorro imediato e eficaz

As oficinas-escolas nas empresas representariam tal socorro imediato. A exclusão do menor de 14 a 18 anos, que representa cerca de 30% da população brasileira, seria estancada e superada a contradição que domina o panorama nacional no plano social e econômico, com graves deteriorações políticas.

De um lado, o jovem que não pode seguir a sua vocação nem se preparar para o futuro. De outro, o jovem que sai da universidade, mas não tem futuro, porque não construiu, na prática, as possibilidades de conquistar os sonhos.

Não atendem, por isso, as necessidades das empresas, pois os que não sabem sonhar não sabem, também, pensar e criar, no contexto global dominado pela economica do conhecimento, dominada pela ciência e tecnologia.

O espírito colonial que dominou o desenvolvimento histórico brasileiro impediu a produção da educação técnica, como ocorreu, durante a revolução industrial,  na Europa e nos Estados Unidos. Neles, 70% da população detêm cursos técnicos-profissionais de alta qualidade.

Essa defasagem somente poderá ser superada pelo apoio às empresas.

O papel delas em se transformarem nas próprías escolas e universidades brasileiras mais destadacadas, para acelerar o resgate da marginalidade, por meio das oficinas-escolas, significa que continuarão a produzir líderes para o país, como são os casos concretos de Lula e José Alencar.


Comunismo verde-amarelo

Não podemos mais suportar um Ministério do Trabalho que age como se o pais vivesse sob o comunismo, sequestrando os filhos das famílias mais pobres, impedindo que os pais coloquem seus filhos para trabalhar desde cedo ao mesmo tempo em que estudam.

Pela lei brasileira atual, aplicada pelo Ministério do Trabalho, os pais perderam o direito sobre os filhos. Estes, porém, quando se rebelam, o Ministério não comparece para assumir suas responsabilidades.

O presidente e o vice-presidente são exemplos vivos da nação a indicarem os caminhos a tomar em matéria de formação de profissionais e de espíritos empreendedores para o Brasil, sintonizados com visão nacionalista, justa, progressista, sem xenofobismo.

Sem resolver esse impasse, o país caminha para um destino trágico, da guerra, em que os soldados serão aqueles que deixaram de ser treinados dentro das oficinas-empresas, para se transformarem em seres sem causas, nas oficinas da marginalidade, abraçados a causas desesperadas e perdidas.

Seremos burros o suficiente para concordar com tal vaticínio destruidor da principal energia da pátria?