Bolsa Família salva Brasil da bancarrota

Minha  vida empresarial me ensinou que é o consumo que move a produção. Sem consumo não há produção. O presidente Lula entra para a história porque, com o programa Bolsa Família, assegura o consumo dos pobres que faz a alegria dos ricos.

O dinheiro do pobre faz o nobre, o do nobre não faz o pobre.

Ao dar poder de compra ao cartão de crédito popular Bolsa Família, com dinheiro estatal, o governo cria a demanda para o setor  privado, mata a fome no país e aumenta a arrecadação diante da expansão da circulação da produção de mercadorias.

Sem isso, o país estaria despencando na bancarrota financeira neoliberal em curso.

Os três pratos de comida que Lula e Alencar prometeram em campanha eleitoral estão na praça. Não há caminhão para entrega, nem se quiser comprar à vista. Somente com sete meses de prazo.

As estradas brasileiras, caindo aos pedaços, estão entupidas de caminhões. Cheios de alimentos, prá baixo e prá cima, pelo Brasil afora.

Antes, sem consumo interno, quando os excedentes realizavam grandes estoques, os empresários corriam, pedindo socorro, ao governo, em forma de sobredesvalorização cambial, para aumentar as exportações.

O subconsumismo era fomentador de inflação crônica, advindo do enfraquecimento da moeda. No rastro do subconsumismo, vinha os golpes de estado em toda a América do Sul. Fidel Castro sabe que não há revolução com a população de barriga cheia.

Com o consumo interno suficiente e em expansão, a moeda valoriza, porque não precisa desvalorizar para desovar estoques. Estes passaram a ser consumidos internamente. Sem desvalorização selvagem, não há inflação incontrolável. O consumo equilibra a inflação.

Os 12 milhões de cartões de crédito do bolsa família, que compõem universo de quase 60 milhões de consumidores, destruiram o excedente, abrindo novas perspectivas para os setores produtivos trabalharem sem medo de inflação.

Os economistas, salvo honrosas exceções, não sabem pensar. Falam  que o Bolsa Família é correspondente a 1% do PIB, não é nada. Esquecem da circulação. É na circulação que o capital se reproduz e o governo aumenta sua arrecadação.

Dona Maria vai à prateleira do supermercado, saca o cartão de crédito, compra a lata de óleo e inicia o processo. O supermercado pede reposição à industria, que pede reposição à agricultura, que vai indústria, que abastece o comércio, que fomenta os serviços. Em cada etapa da nota fiscal, o governo arrecada 40% e os bancos, 10%, no crédito direto ao consumidor, taxa mais alta do mundo, um absurdo. Circulando, arrecadando e enriquecendo.

O presidente prometeu 18 milhões de cartões. Faltam 6 milhões. Será possível? Sim, mas não pode ser de uma vez só, se não, aí, dá inflação. Haveria aumento excessivo do consumo e a carência de infra-estrutura não suportaria. Será preciso ir devagar com o andor, porque o santo é de barro. E mais: Bolsa Família tem que ser aferido pela sua capacidade de alavancar, também, a educação.

Reservas de dólares para investimentos

Imagine se o país estivesse sob o subconsumismo crônico anterior ao Bolsa Família?

A moeda, nesse instante, estaria sem crédito, os especuladores correriam contra ela. Pânico.

Agora, pelo menos, a moeda está segura não apenas pelo mercado interno mais forte, mas, também, porque o Brasil e a América do Sul dispõem de tudo para o desenvolvimento autosustentado: terra, água, sol, que garantem três safras irrigadas anuais; petróleo, energia, alimentos, minerais estratégicos, petróleo.

Temos o lastro real para a moeda sul-americana, em comparação com as moedas podres que quebram os bancos nos Estados Unidos e na Europa. Por que ter medo?

O dinheiro do estado nacional entrou na circulação capitalista por meio do cartão bolsa família para garantir o consumo nacional, cuja ausência, se estivesse presente, nesse momento, seria fatal para a economia, especialmente, em que a demanda global mundial cai, diminuindo os preços das commodities, sinalizando deficit comercial maior, já que as importações crescem mais do que as exportações diante do real valorizado.

O consumo interno, impulsionado pelo poder de compra estatal, materializado nos cartões de consumo dos pobres, é o dissuassivo da crise.

O recomendável não é cortar o consumo, seguindo a receita do juro alto, mas apostar nos investimentos para evitar desequilíbrio entre a produção e o consumo interno, decorrente de falta de infra-estrutura.

O dinheiro das reservas cambiais em dólares, que corre perigo diante da crise bancária internacional, precisa sair do entesouramento, que empobrece, para o investimento, que enriquece.

Com a infra-estrutura, o consumo pode aumentar ainda mais sem medo de inflação.

Medo de inflação?

Se a produção aumentar e não tiver como escoar, os preços caem por causa da falta de circulação suficiente das mercadorias, dada a insuficiência da infra-estrutura. O governo quebra, porque sem circulação, não há arrecadação. Entesouradas nos locais de produção, impossibilitadas de circular, as mercadorias não se transformam em dinheiro, não geram novos investimentos.

O consumo é a arma do desenvolvimento

É a infra-estrutura que dá a segurança tanto ao vendedor como ao comprador. Não adianta produzir, se não pode entregar ou atrasar a entrega. O cliente não espera. Chega o concorrente e leva.

JK apostava tudo no aumento do consumo interno. Vi e ouvi várias vezes, aqui, em Brasília, Juscelino Kubistchek encher os olhos e chorar quando sonhava com as estradas e ferrovias de seis pistas, rasgando o Brasil de fora a fora, para generalizar o consumo para todos.

Convivi com José Maria de Alckim, ministro da Fazenda de JK. Brilhante, via, também, o Brasil recortado de norte a sul e de leste oeste com as estradas e as ferrovias e hidrovias mais lindas do planeta. Visionários. Enxergavam a exuberância da natureza nacional pelos olhos do futuro, fincados no aumento do consumo interno, garantido pela infra-estrutura moderna. Seria a segurança da circulação e do aumento da arrecadação, que proporciona investimentos públicos.

Novo rico do mundo

 

O Brasil e a América do Sul precisam pensar juntos com a Unasul, pois, afinal, o continente sul-americano é o novo rico do mundo. Tem indústria competitiva e matéria prima na porta. Não precisa pagar frete para atravessar os mares.

O lastro é seguro, não ficítico, como se percebe no sistema bancário internacional, tocado por moeda especulativa sem garantia.

A força sul-americana está no consumo sul-americano, a ser aquecido não por moeda podre, mas por garantial real, riqueza sul-americana que tem mais valor do que as moedas que estão apodrecendo.

Inverteu-se a deterioração nos termos de troca. Os pobres ficam ricos e os ricos, pobres.

E olhe as mulheres aí, chegando, graças a Deus, com a brilhante performanece  de Michelle Bachelet, na Unasul, para inaugurar o pensamento sul-americano.