Bancarrota financeira neoliberal

A pregação neoliberal americana é para inglês ver. Vale da boca para fora. Aos países capitalistas da periferia, a solução é o neoliberalismo. Quando a situação fica preta na economia americana, a solução é estatal. O internacionalismo americano se transforma em nacionalismo bancário quase xenófobo. A estatização dos bancos imobiliários Fannie Mae e Freddie Mac, que têm  financiamentos imobiliários da ordem de 5 trilhões de dólares, demonstra a duplicidade da teoria americana. W. Bush, para evitar bancarrota financeira, entrou em campo. O tesouro americano vai assumir os prejuízos, jogando 200 bilhões de dólares na fogueira, para os consumidores, depois, pagarem a conta em forma de impostos, taxas e contribuições, já que não existe almoço grátis. Os aplicadores nas hipotecas dos dois grandes bancos privados, que atuam com o aval do governo dos Estados Unidos, para tocarem a política habitacional, estão dependurados na brocha. Governos asiáticos, que aplicaram suas reservas no Fannie Mae e Freddie Mac, podem levar prejuízos monumentais. As grandes exportações asiáticos, mediante moedas competitivas relativamente ao dólar, geram divisas que são gastas em compras de títulos da dívida americana e de grandes bancos dos Estados Unidos. A febre imobiliária, comandada pelos bancos Fannie Mae e Freddie Mac, atraiu muita grana asiática. Esta, agora, pode transformar-se em poeira. A ultra-especulação que se verificou, nos dois ultimos anos, no mercado imobiliário americano, espraiando-se pela Europa, deu-se com a proliferação do dólar derivativo. Dinheiro que gera dinheiro em escala global, levou o mercado imobiliário à esquizofrenia. Financiamentos para comprar casas se reproduziram em escala inimaginável no mercado de derivativos, alavancando negócios sem lastro, cujos efeitos, agora, são quedas violentas das cotações imobiliárias e perdas de hipotecas e falências generalizadas. Onze bancos já foram para o espaço. Os bancos, que alavancaram créditos podres, garantidos por outros créditos pobres, deslastreados, tiveram, diante da queda de preços dos imóveis, de suspender o crédito. A interrupção do mercado creditício levou ao empoçamento do dinheiro, que perde valor monetário. Sem a circulação do dinheiro no mercado, os prejuízos se avolumam. O capital, em sua fase puramente financeira, não consegue se reproduzir na produção porque a circulação das mercadorias se interrompe na bancarrota do crédito. Os bancos estão sendo condenados a registrarem prejuízos de bilhões de dólares. São quase 7 trilhões de dólares de prejuízos. Estes tendem a aumentar indefinidamente, especialmente, se os dois bancos estatizados tivessem ido à falência. O governo americano banca a estatização bancária como alternativa para evitar o colapso do capitalismo americano. Evidencia-se que na economia meramente monetária, bancada pelo dólar sem lastro, a estatização dos bancos vai se transformando em necessidade imposta por um fenômeno caracterizado pelo próprio colapso da moeda deslastreada, da qual os investidores, apavorados, fogem. O momento é de pânico na economia mundial, que, sob o dólar apodrecido no mercado de derivativos, gera tensões sociais e políticas, altamente, explosivas. Este é o momento mais crítico para a economia capitalista, segundo Lenin, pois, diante do perigo de perda de poder aquisitivo da moeda, as reações humanas se tornam irracionais. Nada mais adequado para as teses socialistas. Na verdade, as crises monetárias, conforme destacou o líder da revolução comunista soviética, em 1917, são as parteiras do socialismo, a melhor propaganda do movimento socialista internacional. Muitas tensões à vista nos próximos tempos de grande recessão na economia mais poderosa do mundo, cujos reflexos estão se fazendo sentir na Europa, podendo balançar os alicerces da social-democracia ocidental.