Lula desata onda nacionalista

Getúlio Vargas
Getúlio Vargas

O petróleo pode bombear o terceiro mandato para o presidente Lula, se vingar a campanha nacionalista-getulista que passou a estimular de defesa das reservas petrolíferas do subsolo do território nacional como propriedade da população de 190 milhões de brasileiros e brasileiras e não de apenas meia duzia de empresas multinacionais investidoras na exploração do ouro negro no país.

Na terça, 12, no Rio de Janeiro, o titular do Planalto fez um pronunciamento histórico, ao convocar os estudantes a se mobilizarem para defender o petróleo nacional, a partir da criação de uma empresa estatal que gerenciaria as novas reservas descobertas na camada pré-sal do litoral fluminentes, estimadas em mais de 8 bilhões de barris. Seu discurso, surpreendente, de caráter eminentemente nacionalista, ocorreu no terreno onde se instalou a antiga União Nacional dos Estudantes(UNE), destruída pela intolerância da ditadura militar.
No mesmo dia, em São Paulo, a Petrobrás recebia homenagem de “Empresa de Valor” do ano, feita pelo jornal Valor Econômico, no rol das 1.000 principais empresas brasileiras. Com faturamento anual de R$ 45,2 bilhões, em 2007, lucro líquido de R$ 21,5 bilhões, produção de 2,3 milhões de barris/dia de petróleo e gás, 71,121 funcionários, 70 sondas de exploração, 109 plataformas de produção(77 fixas e 32 flutuantes), 16 termelétricas com capacidade para gerar 6,1 mil MW, frota de 154 navios(55 da empresa), 11 refinarias no Brasil e mais 4 planejadas, 38% do mercado de distribuição de combustíveis com mais de 6 mil postos e presente em 19 países, a Petrobrás, hoje dominada por 40% dos acionistas privados, fonte de preocupação governamental, no momento, nasceu da mobilização popular nacionalista, em que, como lembrou Lula, a participação estudantil foi fundamental.
Ovacionado pelos jovens, aos quais prometeu reparar, indenizando o mal feito pelos ditadores, que, também, cultivavam o pensamento nacionalista, o presidente ressaltou ter sido fundamental a luta histórica e patriótica da classe estudantil de engajamento na campanha do Petróleo é Nosso, desencadeada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, que culminou com a estatização das reservas petrolíferas brasileiras antes mesmo de criada a Petrobrás em 1954.
Tratou-se do maior movimento popular de massas, no Brasil, de cores nacionalistas, destinado a defender as riquezas nacionais.
Cinquenta e quatro anos depois, Lula, em gesto tipicamente getulista, repete a dose: convoca os jovens para defender o patrimônio nacional, ou seja, a descoberta bilionára dos novos campos petrolíferos abaixo da camada de sal, que despertou o mundo para o poder brasileiro no campo da produção de petróleo.
A disposição presidencial pela criação de nova empresa estatal para gerenciar essa nova descoberta, sob o argumento de que tal riqueza tem um dono, o povo brasileiro, gera intensas ambiguidades.
Sabendo que as reservas se encontram no subsolo e, estando ai, automaticamente, representam patrimônio nacional, evidentemente, todas as demais reservas ainda não exploradas ou em exploração, no subsolo, pela Petrobrás nou qualquer outra empresa internacional, já têm dono.
Portanto, os acionistas privados da Petrobrás não seriam os donos das reservas, nem as existentes na camada pré-sal, nem nas águas profundas sob exploração da empresa estatal.
A reação dos acionistas de se disporem ir à justiça para reclamar direitos em forma de resistência à criação da empresa estatal nova mencionada pelo presidente tende a se ampliar internacionalmente.
Para enfrentá-la, Lula teria que dispor de amplo respaldo popular. Os estudantes dariam esse respaldo, ou haveria mobilização, não apenas, deles, mas, também, dos trabalhadores e demais classes sociais, no engajamento da pregação lulista de que o dinheiro do petróleo brasileiro deve ser para intensificar investimentos em educação?
Grande movimento político
Está em marcha movimento político de grandes proporções e envergadura , convocado pelo presidente da República, cujas consequências são incognitas, podendo, inclusive, culminar em fator positivo para fortalecer a tese dos que defendem terceiro mandato para o titular do Planalto, a ser conseguido por referendo ou plebiscito.
Lula joga politicamente com a força da riqueza nacional para despertar espírito nacionalista no momento em que os preços de tal riqueza se sobrevalorizam no compasso da sobredesvalorização do dólar, responsável pela atual inflação mundial.
A convocação do presidente aos estudantes representa chamamento à mobilização. Como reagirão os estudantes? Irão à luta pela defesa do patrimônio nacional, a fim de atender a convocação presidencial, ou ficarão parados, com a boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar, como disse o poeta Raul Seixas?
Lula está dando uma tremenda sucudidela na classe estudantil, que frequenta  universidades públicas, classe essa,, indiscutivelmente,  filha da elite, já que os pobres não podem frequentá-las, dada a insuficiente oferta de vagas para a maioria, sendo obrigados a trabalhar e pagar caro universidades particulares nos turnos noturnos, depois da labuta diária extenuante, regada a salários baixos.
Os filhos da elite irão encarar nova campanha pelo Petróleo é Nosso ou se rendirão aos ensinamentos macroeconométricos que dominam mentalmente a ordem universitaria mediante pensamento meramente mecanicista, matemático, racionalista, cartesiano-positivista-neoliberal, anti-dialético, distante dos fatos políticos, que impõem o que Lula propõe, ou seja, a mobilização política para mudanças dialéticas, transformadoras, emancipadoras?
Vão à luta ou optarão pelo hobby atual de grande parte da juventudade universitária, isto é, fazer cursos para jogar na bolsa de valores, acompanhando, freneticamente, a partir das dez horas da manhá, diariamente, ininterruptamente, preocupadamente, as oscilações das ações das empresas negociadas no pregão, como esporte nacional que se amplia, exatamente, entre os filhos da elite?
A mobilização universitária seria vital para o presidente Lula sustentar campanha nacionalista. Ela representaria disposição lulista de conquistar terceiro mandato nas águas do nacionalismo, utilizando os estudantes como massa de manobra?
O debate está aberto . Os estudantes negarão fogo ou se engajarão?
Na hora H, eles, recentemente, demonstraram sua garra, ao irem à luta pela derrubada de ex-reitor que desrespeitou o contribuinte, exorbitando-se em gastos públicos anti-eticos e abusivos.
A causa, agora, é bem maior, envolvendo o patrimônio público como um todo, que estaria sendo cobiçado por meia dúzida de grandes investidores internacionais.
A UnB e as demais universidades brasileiras estão com a palavra.