Militares, Centrão e Esquerda contra Guedes

Fomos derrotados. A corda arrebentará pelo lado mais fraco. Advinhe quem deve cair.

Nova geopolítica-econômica pós eleitoral

É completamente contraditório o discurso do comando do Exército de que as Forças Armadas não devem interferir na política e manter seu papel constitucional de guardião do Estado e da segurança nacional, como temas permanentes.
Isso, na teoria.
Na prática, porém, a conversa é outra.
Eles entraram de cabeça no governo Bolsonaro e, agora, não têm como pular fora, de uma hora para outra.
As recomendações deles ao titular do Planalto para moderar seu discurso ultradireitista, fundamentalista etc, depois da derrota de Trump, são, essencialmente, políticas.
Eles já não acreditam na retórica bolsonarista radical, que começa a afastá-la do dinamismo político de centro-esquerda que vai saindo das urnas, nas eleições municipais.
Se a esquerda vencer em capitais como Recife, São Paulo, Belém e em diversas cidades metropolitanas de porte médio e grande, como Contagem e Juiz de Fora, em Minas Gerais, cujo discurso é o de mudança na política econômica neoliberal, estará comprometida presença do ministro Paulo Guedes, no comando da Economia.
Isso ocorrerá, quanto mais se vai evidenciando recorrência da Covid-19 em escala nacional e internacional.
Os militares já falam abertamente da necessidade de mudanças na economia, pois as reformas neoliberais, conjugadas ao novo coronavírus, ampliaram recessão e desemprego.
AUXILIO EMERGENCIAL CONTINUA
O caldo, somente, não entornou porque o Congresso seguiu o discurso de esquerda favorável à supressão do teto de gastos, por meio de orçamento de guerra, pelo menos enquanto durar pandemia. Se o Centrão não tivesse apoiado o Auxílio Emergencial de R$ 600 e caído na esparrela de Paulo Guedes, defensor de uma esmola de, apenas, R$ 200, ele, de Centrão, teria se transformado em grande periferia política, esmagado nas eleições municipais.
Como são incógnitas os prognósticos de que a pandemia será removida, enquanto não pintar a vacina, para todos, os congressistas, o Auxílio Emergencial terá que continuar.
Já há economistas neoliberais que pregam, abertamente, emissão de moeda para resolver o problema de falta de dinheiro, em decorrência das dificuldades evidentes de continuar tentando cortes orçamentários, cujas consequências são estagnação econômica.
Tal contexto eleva exponencialmente as preocupações militares com a economia, que pode gerar distúrbios sociais, levando-os ao choque com Paulo Guedes, pregador da remoção do orçamento de guerra, no momento mais inoportuno, apenas, para atender as demandas do mercado financeiro especulativo.
IMPASSE NEOLIBERAL
Paulo Guedes está entre o mercado financeiro e a população
Indubitavelmente, o tema político mais importante se relaciona à saúde e à necessidade de arrumar dinheiro para enfrentar o vírus, preocupação central da sociedade, no Brasil e no mundo.
Nesse sentido, os militares estão com o Centrão – e, também, com a esquerda -, no Congresso, contra o discurso neoliberal e favoráveis às iniciativas que apoiam em favor do Programa Pró Brasil, de retomadas de obras de infraestrutura, para puxar a economia e combater o desemprego, que avança para 20% da PEA.
Centrão, esquerda e militares, portanto, podem, depois do resultado anti-bolsonaro pós eleitoral, fritar Guedes e sua turma ultraneoliberal fiscalista, para abrir espaço a novo momento político no legislativo, como resposta às urnas, inconformadas com a política econômica antinacionalista.
A frente de esquerda que deve nascer das eleições para enfrentar o neoliberalismo, leva o Centrão e os militares, avalistas de Bolsonaro, a flexibilizarem a política econômica, para não afundarem na eleição presidencial de 2022.
Nesse sentido, os militares, ao contrário do seu discurso de distanciamento da política, nunca foram tão obrigados a mergulharem de cabeça nela.
Com derrota de Trump e fracasso nas eleições, militares recomendam moderação a Bolsonaro
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Com derrota de Trump e fracasso nas eleições, militares recomendam moderação a Bolsonaro

Exclusão de ilicitude bolsonarista racista matou Beto Freitas

Delegada diz que morte de Beto Freitas no Carrefour não foi racismo - 20/11/2020 - Cotidiano - Folha
Mourão minimiza AI-5: 'Passam a ideia de que todo dia alguém era cassado, e não foi assim' | HuffPost Brasil

Barbárie legalizada

O Brasil, bestificado, assiste a negação da história amparada na exclusão de ilicitude fascista do falso de direito bolsonarista racista  de matar. Como deseja o vice presidente seguir carreira política depois de deixar o cargo no qual não conseguirá se manter, pelo menos ao lado de Bolsonaro, que não quer mais vê-lo, nem pintado de ouro, se nega a realidade?
Porque viveu dois anos nos Estados Unidos e lá viu um racismo violentamente segregacionista, aberto, conclui que, por aqui, por ser oculto e cínico, ele não existe, embora seja escrachado para quem tem olhos para ver.
Não acompanhou ou pelo menos não tem notícia dos resultados da CPI, na Câmara, sobre a violência racial, cujas vítimas são os negros, jovens e pobres?
Nunca leu Machado de Assis, Lima Barreto?
Não sentiu nem percebeu nas páginas desses geniais artistas negros, os sinais evidentes de uma sociedade doente, afetada pelo preconceito de raça?
Não leu a História do Povo Brasileiro, de Darci Ribeiro, a antropologia de Abdias do Nascimento?
Agora, a gente vai entendendo o que Bolsonaro disse ao destacar que Mourão é muito mais tosco que ele, o presidente, em cuja pessoa se sente total ausência de espírito de solidariedade para com o outro.
Qual o pior: Bolsonaro, que se patenteia, explicitamente, como um bronco sem qualificação, hoje, renegado pelos seus próprios pares, como se vê pelas opiniões sobre ele do general Santos Cruz, ou Mourão, que vê a realidade como câmara invertida?
Mourão repetirá a mentira mil vezes até que ganhe, pelo menos na cabeça dele, foros de verdade, e se sinta recompensado por enganar a si mesmo, atuando na linha de Goelbs?
Ele poderá, com seus botões, raciocinar que é, até, mais negro que branco, chegado ao cafuzo, concluir que, apesar disso chegou a general e afirmar, com convicção, que, pelo menos, no Exército não existe racismo.
Individualiza-se a situação em si e a generaliza para o resto, de modo a aplacar sua consciência abstrata, descolada do real concreto em movimento, como diria Hegel.
Mas bastaria ler, para derrubar seus equívocos, Escravidão, de Laurentino Gomes, ou o Abolicionismo, de Joaquim Nabuco, que retrata sua luta política no Império, para chegar ao entendimento contrário.
O fato, enfim, é o seguinte: a realidade nazifascista que predomina no Brasil, na Era Bolsonaro/Mourão, é a que expressa o conceito jurídico de exclusão da ilicitude, que os bolsonaristas aprovaram num Congresso de maioria ultradireitista insana.
Primeiro, atira, depois, argumenta em defesa da sensação de se estar sendo atacado para reagir em legítima defesa.
Os assassinos de Beto Freitas, no Carrefour, em Porto Alegre, sentiram-se, inconscientemente, amparados pela legislação fascista bolsonarista.
Praticaram o crime sentindo-se amparados por lei.
Nos tribunais fascistas, serão absorvidos.
Estarão resguardados juridicamente, e tudo, certamente, ficará por isso, mesmo, no País em que a prepotência do vice-presidente anuncia inexistir racismo, como se sua sentença abrigasse valor absoluto, carente de qualquer bom senso.

Obama, o golpista, salva a Globo e condena Lula

Pedro Bial questiona Obama sobre Lula e Bolsonaro e dá o que falar | RD1Quem aplaudiu Obama tem que aplaudir Lula - Wasny de Roure - Brasil 247

Novo lobista global

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu entrevista ao repórter Pedro Bial, da Globo, divulgada em amplo espaço do JN, para fazer apreciações do momento político global e nacional, quando sai da Casa Branca, Donald Trump, e chega Joe Biden.

Aparentemente, parece entrevista, para lançamento de livro de memórias, como outra qualquer, destacando-se, é claro, a relevância da fala de um ex-presidente do Império, que, por sinal, foi o que conduziu os Estados Unidos em permanente guerra internacional, durante 8 anos, embora tenha sido condecorado com prêmio Nobel da paz, em 2009.

Certamente, é um criminoso de guerra.

Evidentemente, trata-se de cinismo monumental que a geopolítica constrói para conjugar interesses inconfessáveis de Oslo, na sua relação com os poderosos da América.

Mas, no fundo, a fala de Obama tem cara de puro lobby, do seu livro, mas, também, da causa da Globo..

Essencialmente, pelo que ficou explícito, a Globo, brilhantemente, lançou mão de Obama para se aproximar de Bolsonaro, visando, sobretudo, seus interesses ameaçados de não ter renovada, a partir de 2021, concessão estatal para continuar sua programação, politicamente, condenada pelo bolsonarismo fascista.

Obama seria ou não muito útil a Bolsonaro para abrir-lhe relações na Casa Branca, com o novo presidente dos Estados Unidos, que foi seu ex-vice presidente no período de 2013-2017, já que perdeu esse canal político com a derrota de Donald Trump?

Rei Morto, Rei Posto

Disse Obama a Bial que a recomposição das relações de Bolsonaro com a Casa Branca, a partir de agora, sob comando do Partido Democrata, não é algo impossível.

Ela será, perfeitamente, viável, se houver ajustes na condução bolsonarista em diversos setores, mas, principalmente, em relação à política ambiental.

Acompanhando, submissamente, Trump, que rompeu com o acordo de Paris, jogando para o espaço, os acertos globais sobre o clima, Bolsonaro fez o mesmo e abriu a porteira da Amazona para a devastação florestal.

Ficou sujo na praça mundial, comprometendo-se, consequentemente, sua relação com Biden.

Mas, na política cabe tudo.

Nesse contexto, tudo foi articulado de forma brilhante pela Globo, na entrevista conduzida com competência por Bial, alinhado ao neoliberalismo do Instituto Millenium, como se sabe.

A Globo, porta-voz de Washington, no Brasil, terá ou não barrado tentativa de Bolsonaro de detoná-la, negando-lhe mais um período de concessões, se Obama, atuando como lobista dela, usa um álcool-geo diplomático para desinfetar distúrbios verbais de Bolsonaro, que ameaçou, comicamente, Biden com pólvora, se não ocorrer diálogo, relativamente, ao debate sobre a Amazônia?

Bolsonaro recusaria pedido da Casa Branca para aliviar a Globo, tradicional parceira do poder americano em terra brazilis, desde 1964, depois do golpe militar, que apoiou, abertamente?

“O Cara” vira mafioso

De quebra, Barack, que volta a ser alvo dos comentários gerais, lança livro no qual detona o ex-presidente Lula, taxando-o de mafioso e condutor de interesses inconfessáveis, cujas consequências, no cenário político, nacional servem, também, para fortalecer tanto Bolsonaro quanto a própria Globo.

Depois de considerar o presidente brasileiro “o cara”(para ser detonado?), refaz sua fala para expô-lo como criminoso internacional.

Que moral tem Obama para considerar alguém mafioso, logo ele, guerreiro de carteirinha, fantasiado de pacifista, que mandou espionar a presidenta Dilma Rousseff, preparando o golpe de 2016, e de, durante jantar no Itamarati, assinar ordem para bombardear a Líbia, para matar Kadafi, sob gargalhadas de Hilary Clinton?

O fato é que a acusação de Obama fortalece Bolsonaro  e a própria Globo.

O presidente, com essa denúncia obamista, passa a dispor de mais uma arma contra o ex-presidente brasileiro, e a Globo, da mesma forma, vai utilizá-la como mais um argumento na sua tarefa obsessiva de arrebentar com Lula, para inviabilizar, custe o que custar, sua retomada política rumo à Presidência da República.

Law faire jurídico

Teria ou não relação direta ou indireta essa acusação de Obama com as reiteradas resistências do Supremo Tribunal Federal em atender solicitações dos advogados de defesa do ex-presidente de acesso aos processos que, teoricamente, o livrariam de acusações por não conterem provas cabais, capazes de condená-lo?

Ao juízo de abalizados profissionais do Direito, no Brasil e no exterior, inexistiriam tais confirmações categóricas, mas tão somente manifestações explícitas das práticas de lawfare contra Lula, assim como contra políticos cuja sobrevivência política não interessa a Washington.

São os casos de Cristina Kirchner, na Argentina; Rafael Correa, no Equador; Evo Morales, da Bolívia etc, todos militantes do nacionalismo latino-americano contra os quais os neoliberais, alinhados a Washington, buscam inviabilizar, via golpes políticos, seja pela mão pesada militar, seja pela mão leve jurídico-política-parlamentar, como rolou no golpe de 2016, contra Dilma Rousseff etc.

Enfim, Obama, que, agora, parece, virou lobista da Globo, é aquele que, segundo Mangabeira Unger, é serviçal dos interesses do Pentágono, senhor da guerra, laureado na periferia vira-lata como irresistível negro charmoso, sempre pronto a defender a supremacia branca racista guerreira norte-americana no mundo.

Lula renuncia à hegemonia do PT

Declaração de Lula sobre falta de apoio a Boulos gera crise no PT

Novo pragmatismo petista

Para apoiar Boulos, que capitaneou a esquerda em São Paulo, Lula, com visão estratégia e pragmática, rompeu com o próprio PT de raíz, vamos dizer assim, sem chances alguma, com candidatura Tatto. Logo pela manhã, em São Bernardo, como diz o analista arguto, Luís Galvão, o ex-presidente petista deu a dica para o voto útil, a arma da esquerda para levar Boulos ao segundo turno. Com isso, de saída, Lula deu um cruzado no estômago de Bolsonaro, consciente de que o verdadeiro adversário é o bolsonarismo fascista. O PT não se mostrou, na capital paulista, à altura desse desafio. O triunfo da esquerda contra o presidente, na Paulicéia Desvairada, só poderia ser então alcançado na garupa de Boulos e Erundina. Tanto que a observação do possível vitorioso, no primeiro turno, o prefeito Covas, foi cáustica: Bolsonaro colheu sua pior derrota, até agora, ao tentar queda de braço com Dória. No fundo, o vitorioso eleitoral contra Bolsonaro foi o novo coronavírus contra o qual se rebelou na falsa compreensão de que a população não tinha como inimigo principal o vírus, mas Dória, que tentou enfrentá-lo com as armas da ciência. O fundamentalismo religioso e ideológico bolsonarista, portanto, levou traulitada federal daquele que tentou desdenhar. A gripezinha desdenhada pelo presidente atuou como aliada principal de Covas/Dória na medida em que o corona respeitou aquele que o respeitou e não tentou negá-lo. Bolsonaro negou-o, por isso, perdeu; Dória e Covas respeitaram-no, por isso, faturaram no primeiro turno. Igualmente, Boulos jogou com a ciência e contra a ignorância bolsonarista, para dar arrancada decisiva. A união da esquerda contra Covas-Dória vai ter que se intensificar, agora, não com foco no coronavírus, pois ambos contendores estão de acordo, nesse sentido, mas em relação ao modelo econômico que os tucanos abraçam, o do neoliberalismo bolsonarista, embora repudiem Bolsonaro. Agora é batalha contra a fome que está inundando as ruas das cidades. E o maior promotor dela é o teto de gastos neoliberal que o PSDB apoia, junto com Paulo Guedes, com quem, ideologicamente, fecham. Lula, ao renunciar à hegemonia petista, dá o novo conteúdo político da esquerda: fortalecer quem, nas suas fileiras, melhor estiver colocado nas pesquisas de opinião para não perder tempo com idiossincrasias desnecessárias.
https://oglobo.globo.com/brasil/eleicoes-2020/declaracao-de-lula-sobre-falta-de-apoio-boulos-gera-crise-no-pt-24747590

Estratégia peronista para Brasil

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Novo jogo latino-americano

Com previsível derrota de Bolsonaro nas urnas nas principais capitais, Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre etc, Lula já faz o discurso União de Todos que deu certo na Argentina, para derrotar o neoliberal Macri e garantir retorno do Peronismo ao poder, com a jogada de Cristina Kirchner de sair dos holofotes e embalar candidatura vitoriosa de Fernandez. Cristina percebeu, assim como Lula, também, já sentiu a mesma coisa, que não daria prá ela. Cairia na armadilha da justiça, monitorada por Washington, assim como ele, Lula, da mesma forma, está. Repetiria o erro, sabendo que o STF, comandado por Washington, não deixaria ele disputar, novamente? A articulação de Lula, portanto, é a mesma de Kirchner, para eleger, aqui, uma nova versão argentina, a partir da união de todos. Qual seria o candidato de consenso das esquerdas, possivelmente, unidas? O resultado eleitoral contribuirá para saber. Vamos aguardar o resultado desse domingo. Lula deveria ir a Buenos Aires, logo, logo, para dar sequência a sua nova estratégia. Ou não?