Prisão de Wajngarten estremeceria relação Brasil-Israel

Renan pede a prisão de Wajngarten por mentir na CPI da Covid - Brasil 247Lobista judeu na mira da CPI

O senador Renan Calheiros(MDB-AL) pisou no acelerador político dentro da CPI ao  pedir prisão do ex-chefe de Comunicação do governo Bolsonaro, Fábio Wajngarter, considerado menos servidor e mais lobista de grandes interesses internacionais relacionados à comunidade judaica; antes de fazer juramento de dizer a verdade ao presidente da CPI, senador Omar AziZ(MDB-AM), Wajngarter jurou pelos princípios morais do judaísmo herdado dos seus pais judeus; no entanto, o que ele mais fez foi mentir na CPI;  a inescrupulosidade do ex-ministro da propaganda bolsonarista, considerado um dos articuladores do gabinete do ódio, no Planalto, encheu as tampas do senador Calheiros que, sem paciência, pediu prisão dele; a posição conciliatória do senador Aziz de jogar água na fogueira, imediatamente, salvou o lobista judeu, defensor dos interesses judaicos, especialmente, no contexto da guerra das vacinas; esta, no momento de pandemia, envolve, de um lado, os laboratórios privados anglos-saxãos, dominados por oligopólios privados, comandados pelo capital judaico, de outro, os laboratórios concorrentes estatais da China, Rússia e Cuba;  Wajngarter, no governo, trabalhou, preferencialmente, para aproximação de Bolsonaro de Israel, aliado dos laboratórios farmacêuticos ocidentais; a prisão do ex-secretário, como deseja Renan Calheiros, criaria desentendimento internacional, que poderia abalar relações Bolsonaro-Benjamim Netanyahu, com reflexos imediatos em Washington. Como se sabe, o governo Biden, mais do que nunca, está interessado em proteger indústrias farmacêuticas anglo-americanas, na guerra às vacinas chinesa e russa, na disputa do mercado em território brasileiro na pandemia.

Porta-voz do governo-fake

Sobretudo, na CPI, Wajngarter se revelou autêntico defensor de política de comunicação de governo fake news; as generalizadas opiniões dos senadores investigativos do fracasso do governo na pandemia evidenciaram que o alicerce do governo Bolsonaro é a mentira; Wajngarter mente o tempo todo e mostra ter sido ele o anti-comunicador por não oferecer à população a informação correta para ela se proteger do novo coronávirus; ele desinformou a sociedade ao misturar fanatismo religioso bolsonarista com os pressupostos da ciência; diz que cuidou dos protocolos científicos relativamente ao seu comportamento cidadão; mas não comunicou isso à população, ou seja, os ensinamentos básicos de formação da opinião pública como arma de salvação nacional diante do inimigo letal; ao contrário, a política de comunicação de Wajngarter jogou a população na escuridão e confusão ideológica; por isso, tergiversa em todas as indagações da CPI, irritando e tentando desmoralizar os senadores, fazendo-os de bobos alegres.

Judaísmo negado

Wajngarter desmoralizou até seu pretenso judaísmo como pressuposto do apego à verdade, que, segundo ele, dá vida e vigor a uma comunidade milenar da qual se disse orgulhoso de representar; jurou mas não cumpriu, mentiu e enganou no Senado brasileiro, onde se investiga o governo Bolsonaro; fugiu do seu próprio juramento; deixou inúmeras controvérsias que fortalecem convicções de que ele se revelou mentiroso compulsivo;  desmoralizou a propaganda governamental; demonstrou ser propagandista fake news de baixa qualidade.

Verdadeira função

A incompetência de Wajngarter como pretenso profissional de comunicação social atestou que ele estava no governo não para exercer tal função, mas para desinformar e sabotar, como deixaram claros depoimentos dos ex-ministros da Saúde, na CPI, Mandetta e Teich; ambos tiveram negadas suas orientações fundamentais para combater o coronavírus transformadas em falsa política de comunicação pelo falso comunicador Wajngarter; sua técnica de comunicação foi a de desviar atenção da sociedade do rumo da salvação para o da destruição, marca registrada do negacionismo bolsonarista. No entanto, apesar do desserviço de comunicação social praticado por Wajngarter e as mentiras que proferiu, sua prisão criaria conflitos diplomáticos que estremeceriam relações Brasil-Israel. O governo Netaniahu, que, com apoio do governo Biden, massacra palestinos, sairá, certamente, em defesa do compatriota investigado e ameaçado de prisão em CPI do Genocídio.

Pq Ciro ñ se une a Lula pelo auxílio emergencial de 600?

Lula e Ciro se reconciliam em busca de novos interesses

Racha da esquerda

Se Ciro Gomes fosse realmente pragmático e voltado para a demanda imediata da população estaria ou não, em Brasília, essa semana, engajado com Lula para defender o auxílio emergencial de R$ 600, capaz de dinamizar a economia que padece de crônica insuficiência de consumo? Ao contrário, com seu confuso discurso, dispersa, dando prioridade à tarefa de demonizar o ex-presidente e aliar-se à direita, carente de candidato para 2022. Se os dois juntos já enfrentariam dificuldades para reverter o subconsumismo, imposto pela política do Banco Central Independente, determinada pelo mercado financeiro, de manter escassez de crédito ao consumo e à produção, imagine se continuarem cada qual por seu lado! Desperdiçam ou não, inutilmente, esforços que poderiam ser mais bem aproveitados em favor da demanda popular? Esta se reveste, na pandemia, em luta encarniçada para fugir da fome e do desespero diante da morte iminente acelerada pelo novo coronavírus, sem vacina para atacá-lo. Será que adotando a estratégia da divisão frente à questão concreta da aceleração do subconsumo, Ciro alcançará popularidade? Agindo dessa forma, conquistará 30% dos votos de modo a chegar ao segundo turno, na eleição presidencial, deslocando Bolsonaro, para um tete-a-tete com o candidato petista?

Conquista do Centrão

A presença de Lula na capital em plena CPI do Genocídio, que abre cova rasa para enterrar Bolsonaro, via impeachment, cada vez mais provável, evidencia seu maior pragmatismo frente a Ciro; pelos contatos realizados, visa, sobretudo, rachar o Centrão, completamente, inseguro em face de Bolsonaro que escorrega, a olhos vistos, na CPI; ali, sua base de apoio se revela, totalmente, despreparada para enfrentar a oposição majoritária na comissão de investigação. Enquanto isso, o candidato do PDT, com seu novo marqueteiro,  João Santana, cuida de dar retoques na aparência que se revela escassa de conteúdo, sem agregação de valor político substantivo. Do ponto de vista econômico, Ciro se mostra equivocado, ao passo que a experiência lulista se afirma de forma mais clarividente; se fosse, realmente, anti-neoliberal, como diz, perceberia, no plano da política econômica, o obvio, relevado por Marx e escondido por Keynes. Para o autor de O Capital, o capitalismo padece, desde seu nascimento, de insuficiência crônica de consumo, porque a lógica do sistema é a da sobreacumulação de riqueza, de um lado, e de pobreza e miséria, de outro, levando a economia, consequentemente, para a deflação, queda da taxa de lucro e crises recorrentes; de imediato, portanto, o fundamental é conquistar o auxílio de 600 pilas, para matar a fome da maioria socialmente excluída; caso contrário a economia afunda, como vem acontecendo desde o golpe de 2016; tudo piorou com a pandemia, para dar razão ao diagnóstico marxista de que o subconsumismo é o mal maior que ataca a economia sucateada pela receita neoliberal desestatizante. Diante dela, Lula intensifica defesa da distribuição de renda, visto que de nada adianta elevar investimentos, se o consumo está demasiadamente escassso.

Contradição capitalista

Ciro, em seu livro “Projeto Nacional, o Dever da Esperança”,  considera que o capitalismo brasileiro padece, menos de insuficiência de consumo do que de investimento, ou seja, o mesmo diagnóstico de Keynes diante da crise de 1929, que ele mesmo destacou ser de sobreacumulação de capital; como injetar mais capital numa economia que padece de insuficiência consumista crônica, devido ao excesso de acumulação de renda e de desigualdade social? Trata-se, para Ciro, mais de investir do que de distribuir, para vencer o subconsumismo; Lula, ao contrário, defende, primeiramente, matar a fome dos que estão socialmente marginalizados; por isso, gira a bolsa, em Brasília, atrás, preferencialmente, dos R$ 600, sem os quais consumo e produção não saem do chão.

Lula segue Biden

No auge da pandemia, Biden, engajado na economia de guerra norte-americana, segue, curiosamente, mais o conselho de Marx do que o de Keynes, ao lançar na circulação capitalista americana mais de 6 trilhões de dólares para atacar o subconsumismo e garantir demanda interna sufocada pela crise de sobreacumualação de capital; do mesmo modo, Lula, em termos proporcionais, ao defender o auxílio emergencial de R$ 600 é menos  keynesiano do que marxista; o keynesianismo não distribui renda; pelo contrário, sua estratégia é a de sustentar status quo que leva à redução de salário como arma para sustentar pleno emprego, como demonstra Lauro Campos, em a “Crise da Ideologia Keynesiana”. A prática, no segundo semestre de 2020, com o auxílio emergencial de R$ 600, puxou consumo e produção e elevou substancialmente a popularidade de Bolsonaro; agora, com, apenas, R$ 150, no bolso, o trabalhador, socialmente, excluído pelo neoliberalismo bolsonarista, tende a apoiar Lula; Ciro, portanto, perde tempo em tentar demonizar seu adversário, quando, se engajado com ele na causa que defende, teria muito mais a ganhar.

Confissão de crime fantasiado de cloroquina

Governo acuado: Pazuello treme de medo e foge da CPI da Covid | Partido dos Trabalhadores

Olha a faca!

A quarentena que livrará o general Pazuello de depor nas duas próximas semanas na CPI do Genocídio é ou não versão da facada em Bolsonaro que evitou que comparecesse aos debates na disputa eleitoral de 2018 com Fernando Haddad? Essa do general não engana nem criança; entrou em quarentena porque se relacionou com dois colegas militares que estavam de Covid? Primeiro, tem que ir atrás desses amigos, para serem investigados, ou não? Quais os procedimentos que estavam seguindo? Pazuello, por acaso, não saberia com antecedência que correria perigo, indo se encontrar com diagnosticados colegas com a covid? Ou isso representa álibi para não ir à CPI? Não estaria consciente de que esse compromisso é constitucional, exigiria cuidados especiais? Ou ele já estaria contaminando antes de ir ao shopping em Manaus, sem máscaras, como se a humanidade ainda estivesse vivendo na fase pré-pandemia? O general não entendeu que se vive nova realidade diante da qual, como autoridade, tem que dar exemplo? Confirmou ou não sua condição de ex-ministro da Saúde negacionista, obediente ao presidente? Comportou-se como playboy em busca de uma paquera em final de tarde, no shopping, na aglomeração; agiu como quem desrespeita a desgraça do outro; confirmou  negligência de sua gestão desastrosa de deixar faltar oxigênio na capital amazônica; consagrou-se como negacionista inescrupuloso; agora, ele vem com essa de não ir à CPI?

Carga pesada

Pesa nas costas dele as mortes por asfixia que deixou acontecer ao cortar o abastecimento de oxigênio na hora h; um militar estrategista que não consegue agir na hora h é desastre absoluto; só mostrou coragem nessa hora quando disse que a vacina seria aplicada no dia tal, na hora h, o que, na verdade, não aconteceu; demorou; mostrou-se o antiestrategista na hora h; revelou-se uma farsa de profissional como militar; sim, general da fuzarca; na hora h, para depor na CPI do Genocídio, fracassou, novamente; fugiu prá frente, para uma nova quarentena, que lhe permite sair do sufoco, momentaneamente, nas próximas duas semanas; nesse intervalo, novas correlações de forças poderão entrar em campo e, quem sabe, pinte acordos de cúpula para salvar o general; as forças armadas estariam sujas perante a história por não ter dado conta do recado na administração pública durante governo negacionista da realidade? História manchada de desonra para o exército de Caxias, na pandemia da Covid 19.

Presidente abatido

Foi rapidinha a constatação do desastre do presidente na condução da pandemia logo nas primeiras argumentações do ex-ministro Mandetta, da Saúde; ficou clara e indesmentível sua incriminação do presidente; fatos e provas abundantes; Bolsonaro não tomou providências, delegou para os filhos a execução da tarefa do Ministério da Saúde, isolou o titular da pasta, instalou um próprio para assessorá-lo sob comando dos filhos, desobediente da ciência e adepto do fundamentalismo, e partiu para a mercantilização da operacionalização contra a Covid via produção de cloroquina; rolou ou não um dinheirão? Há rastros em toda a argumentação do ex-ministro que comprometem a honorabilidade do presidente na gestão da pandemia; não cuidou da saúde e da prevenção, ao negar campanha de esclarecimento e preparação da população conforme normas científicas; isso, por si, só, já bastaria para incriminá-lo por crime de responsabilidade; sem informação como agir com consciência e conhecimento do problema? Não  deu exemplo de autoridade responsável pela cidadania; não foi  tomado do espírito de celeridade para enfrentar o grande desafio que ameaça sobrevivência da população; o general obedeceu cegamente o presidente e se esborrachou todo; a CPI é o fantasma do qual foge desesperadamente.

Tropa de choquinho

Os argumentos da tropa de choquinho do presidente na CPI foram pueris; buscaram sempre uma pegadinha para tentar derrubar Mandeta, que, no entanto, deitou e rolou em matéria de argumentação científica; fez barba, cabelo e bigode; deu aula de como deve ser comandado o Ministério da Saúde para atender população de 201 milhões de habitantes, no comando do SUS, arma do Estado contra a pandemia que Bolsonaro destrói com seu negacionismo; no período de sua gestão na Saúde seguiu o protocolo nacional e internacional, ditado pela OMS; os aliados do presidente na CPI foram um desastre nos questionamentos; estavam despreparados para o debate; revelaram-se incoerentes para a abordagem complexa, totalizante do problema da saúde pública, especialmente, em uma pandemia não conhecida histórica e científicamente; ficou evidente que serão abundantes os fatos que incriminam em comparação com o que os inocenta, articulados por uma narrativa chinfrim da tropa de choquinho; na verdade, a tropinha despreparada conta como triunfo frágil a quarentena do general; ganham duas semanas de prazo para continuar ou deixar de vez o conto da cloroquina para contestar a ciência e a realidade; por hora, o pescoço de Pazuello está salvo.

Biden barra sucesso diplomático Lula-Putin pela Sputnik

Petistas aconselharam Lula a pedir asilo à RússiaGovernadores reivindicam Sputnik

Embaixada americana, segundo fontes petistas, teria articulado com Planalto para frustrar encontro diplomático entre Lula e Alexey Labetskiy, embaixador russo, objetivando negociação pela vacina Sputnik; esta se transformou em alvo de ataque preferencial do presidente Biden, para favorecer vacinas americanas, no Brasil e na América Latina; ousadamente, o ex-presidente, já em campanha eleitoral, no contexto da guerra da vacina EUA-Rússia, impacta o ambiente político no momento em que CPI do Genocídio começa seus trabalhos, para investigar desastre sanitário produzido pelo governo Bolsonaro, com mais de 400 mil mortes, cujas consequências podem desembocar no impeachment bolsonarista.

Pressão na CPI

Nessa cruzada, Lula conta com apoio de governadores e prefeitos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, super-pressionados pela população, apavorada com escassez da oferta da Coronavac chinesa, que já leva governo cancelar segunda dose dela em diversas capitais brasileiras. Em pânico diante do ataque geopolítico americano, que consegue manter proibida a Sputnik e incerta a oferta da Coronavac, executivos estaduais e municipais vão para cima da CPI em busca de socorro; Lula buscou contraponto ao comportamento de Bolsonaro, rendido à geopolítica de Washington, cuja determinação, na pandemia, é boicotar as vacinas russa e chinesa, ameaças às concorrentes anglo-saxônicas no mercado global. Em seu movimento, politicamente, explosivo,  em Brasília, nessa semana, Lula se transforma no centro da disputa geopolítica entre Biden-Putin na guerra da vacina.

Ressurreição dos Brics

A combinação de Lula com russos é, por sua vez, sinal claro de que se disputar e ganhar a presidência da República, em 2022, possivelmente, polarizando com Bolsonaro, reanimará a geopolítica dos Brics,  considerada inimiga pelos Estados Unidos; Biden atua, decisivamente, para inviabilizar relações Brasil e Rússia, com a qual os Estados Unidos travam briga de vida e morte, no plano geopolítico; política externa brasileira sob eventual novo governo Lula fortaleceria estratégia tocada em parceria entre Xi Jiping, China, e Wladimir  Putin, Rússia; o objetivo de ambos é conhecido: ampliar, por meio dos Brics, as fronteiras econômicas da Eurásia, ao longo do século 21; essa é grande preocupação de Tio Sam, temeroso em ver união Rússia-China a exercer profunda atração na União Europeia, levando-a descolar-se de Washington, empenhado em melar relações Moscou-Berlim, para construção do maior gasoduto do mundo entre Rússia e Alemanha, na junção dos mares Negro e  Báltico; nesse contexto, o fortalecimento dos Brics é alvo fundamental de Lula, enquanto Bolsonaro trabalha, com Washington, para inviabilizá-lo; aumenta o temor dos americanos na disputa internacional, especialmente, diante da aliança  Moscou-Pequim, disposta em atrair Brasil para sua geopolítica conjunta.

Centrão na expectativa do impeachment

O esforço de Biden, principalmente, na tarefa de conquistar a Amazônia, é impedir geopolítica latino-americana que leve à aproximação com China e Rússia. A reanimação dos Brics, cuja criação teve dedo decisivo da geopolítica de Lula, agora, projetando-a para um futuro incerto em meio à pandemia, cresce como estratégia da esquerda, PT e aliados; trata-se de enterrar o mais rapidamente possível o neoliberalismo imposto ao Brasil com o golpe de 2016; a paralisia que provoca no consumo e na produção, responsável pela expansão incontrolável do desemprego, fortalece candidatura Lula e joga para baixo a de Bolsonaro; se Lula ataca a jugular do governo bolsonarista, o desemprego, ao defender o auxílio emergencial de R$ 600, que caiu para R$ 150, sob Bolsonaro, e busca a vacina, aproximando-se de Putin, pode virar alvo do Centrão; os centristas estão de olho no desgaste produzido pela CPI sobre presidente negacionista; o líder deles, deputado Arthur Lira(PP-AL), resistente em colocar em pauta, na Câmara, o impeachment, já fala que este depende das circunstâncias; nesse contexto, a candidatura Bolsonaro vê abrir-se sob seus pés a cova na qual pode ser enterrada, se ele for impichado.

A menina de Ouro Fino

Clara Favilla (@clarafavilla) | Twitter

Relato de uma emoção

“Tempestade tropical”, da jornalista Clara Favilla, é o relato brilhante dela de si e de todos nós, em sua caminhada trepidante atrás do sentido da vida, da notícia – sua matéria prima -, dos momentos inesperados, das emoções repentinas, das observações sutis do cotidiano e. sobretudo, do amor aos antepassados italianos; eles, por sua vez, despertam a paixão de Clara pela Europa; bebeu sua rica cultura para relatar a saga da sua família; as memorias dos italianos que marcam a vida brasileira são as argamassas do ser Clara Faville.

A menina  de Ouro Fino, terra de  montanhas e vales nas Gerais, terra do ouro e da agricultura, é fogo na roupa; escuta todas as conversas, faz todas as perguntas, bisbilhota, anota tudo e expele pelos poros emoção e poesia; sua narrativa invade nosso íntimo para que conheçamos o íntimo dela expresso em nós, mesmos; somos, em “Tempestade tropical”, comandados pela inteligência multifacetada de mulher moderna, universal, inteligente, como personagem de Pessoa: curiosíssima, insaciável pelos relatos, eles ficam gravados no fundo da gente; a menina de Ouro Fino, do sul das Gerais, extrai dos seus antepassados italianos a sabedoria marcada pelas experiências das famílias europeias que enfrentaram as guerras; sair da Itália na guerra era viver a experiência da negação da nação pelos seus filhos; os italianos entravam no navio para virem para cá de costas para a Itália; consideram a pátria uma madrasta, no tempo de Mussolini.

À flor da pele

É imperdível a descrição de Clara sobre a vida afetiva e efetiva, sob o duro trabalho dos migrantes, em busca de sobrevivência no Brasil; Ouro Fino foi habitat dessa população migratória para plantar café que iria construir a industrialização nacional com a revolução nacionalista de Getúlio; a humanidade dos emigrantes italianos familiares de Clara se aprofundam, espetacularmente, nas observações da jornalista e escritora; os detalhes dos afazeres domésticos, a culinária, as numerosas famílias e suas relações solidárias de classe, na construção de uma realidade em terra braziliz, são aula de dialética dos costumes; são traçados por observação sutil que encadeia movimento do passado com o presente e vice-versa, projetando, pela lei do movimento, o futuro; vê-se a vida se construindo no suor do dia a dia, cansativo e monótono, mas, também, agregador de valores morais, religiosos e culturais; a migração interna da família de Clara, nos anos de 1960, até Brasília, é aula de desenvolvimento econômico, político e sócio-cultural de uma sociedade brasileira em construção; JK fica na memória de todos; sobretudo, com Clara, destaca-se a dinâmica das relações de uma Europa miscigenando com brasileiros sendo tecida, poeticamente, em passagens memoráveis do cotidiano emigratório.

Essa mutação levará Clara ao mundo da sua aventura profissional; suas viagens relatadas com o sabor da sutileza e da carga emocional de quem saboreia a vida em cada um dos seus momentos, produz simultaneamente emoção e poesia. Não poderia dar outra: Clara abraçou a vida de repórter e virou escritora com seus cadernos de viagem; seu impulso é voar e escrever, para conhecer a humanidade em sua essência cristalina; tive a sorte de trabalhar ao lado dela; curiosíssima, inquieta, vivacidade a mil, a escritora domina a arte da palavra, apurada em ritmo de trabalho intenso de repórter, tarimbada na cobertura nacional e internacional;

Fruta madura

Em “Tempestade tropical”, Clara se desnuda inteira para o usufruto de sua arte requintada de registrar e escrever com competência,  paixão e graça; a paixão pela Europa e seus descendentes italianos é uma viagem histórica, estórica,  íntima e emocional; mergulho no inconsciente que é a verdade; de Ouro Fino para o mundo, sempre apegada ao seu instrumento maior de trabalho: suas raízes fortes capazes de sugar do solo todo o substrato que constitui sua naturaleza  ítalo-latinoamericana-brazilena; vamos esperar as próximas narrativas porque a viagem com Clara apenas começou; ela tem muito a contar sobre a melhor definição de Brasília no cenário nacional, dada por ela: “Esta é a cidade das tempestades em copos dágua.”