Susto político para unir esquerda e rachar direita

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Desprendimento que faltou a Dilma pode faturar?

O grande desafio de Cristina Kirchner será unir as forças progressistas. De saída, sentiu que não alcançaria essa tarefa, jogando como cabeça de chapa, para disputar com Macri, apoiado pelos Estados Unidos e todo o mercado financeiro especulativo; preferiu abrir mão do protagonismo central, para ir de coajuvante; fez como Peron, em 1973, na chapa Câmpora-Peron, vitoriosa e, em seguida, desfeita, mediante anistia política, para o líder assumiu; não se sabe, é claro, se a história se repete ou não, mas é um engenho, cujas possibilidades estão em aberto; Cristina exercitou realismo e desprendimento político; mostrou-se diferente do modo como agiu, por exemplo, Dilma Rousseff; seu segundo mandato dividiu o PT; uns queriam ela; interessavam em descartar Lula, para, com Dilma, alçar outros voos; Rousseff insistiu no seu direito constitucional de disputar segundo mandato; as forças que defendiam Lula preferiram recuar; convenceram-se de que o ex-presidente seria pule de dez, depois de Dilma; erraram; não contaram com o golpe neoliberal de 2016, dado, tanto para derrubar o petismo dilmista, como para inviabilizar novo lulismo; Cristina Kirchner, que carrega vários processos nas costas, com o coro grosso, produzido pela experiência política, pensou e disse: não dá para mim; vou de coadjuvante, em nome da unidade política das forças progressistas, para tentar desalojar o neoliberalismo macrista do poder; dará certo?; sim e não, como é da política; indiscutivelmente, porém, abalou os adversários; estes não previram tamanho desprendimento como arma política; nem os argentinos deixaram de ficar assustados; entrou em cena, na Argentina, o susto como arma política!

 

 

CRISTINA EVITA ERRO QUE DILMA COMETEUNão é para qualquer um sentir que seu nome não soma, mas divide; abrir mão dele,…

Posted by Cesar Fonseca on Sunday, May 19, 2019

 

 

Keynes brasileiro bombardeia FHC e Bolsonaro

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Show de humor, ironia e cinismo do maior economista brasileiro ativo e operante 

Vale muito a pena ouvir, assistir e meditar sobre essa entrevista ao Roda Viva. Delfim está impagável. A começar pelo conselho que dá ao Bolsonaro: para de usar tuiter. Gostaria de ficar no que ele sofisticadamente destrói: o Plano Real. Tratou -se de uma genialidade destrutiva. Combateu a inflação, sim, mas destruiu a indústria nacional pela má utilização da política cambial. Acreditaram os gênios de FHC na virtude infinita do mercado. Desprezaram a eficácia do governo como comandante dos investimentos. Mercado sem governo é receita para o fracasso. Delfim lança seus venenos sobre Paulo Guedes, que vai na mesma linha fernandina, na verdade, submissa, em demasia, a Tio Sam, como foi FHC, relativamente, ao Consenso de Washington.

O chumbo grosso do experiente sábio economista e, sobretudo, político, na medida em que desdenha a economia como ciência, vai naquilo que, agora, um dos pais do Real, André Lara Resende, está criticando, ou seja, a prática abusiva dos juros pelo BC, para compensar as barbeiragens do populismo cambial: sobrevalorizar a moeda para combater inflação e, assim, ganhar eleição. Os gênios do Real foram, isso sim, marqueteiros políticos, como dizia Lauro Campos. Lara Resende rende-se à crítica de Delfim. O BC, desde o Plano Real, trabalhou com taxa de juro acima da taxa de crescimento da economia. O investimento público, por isso, decresce, sistematicamente, há 25 anos. Empresário algum investe, se o gasto/investimento público cai por conta da orientação da política monetária, na qual o juro corre na frente do crescimento do PIB. Vai sobrar mercadoria por falta de consumidor. O juro real, na Era FHC, chegou a 26%, com o PIB crescendo abaixo de 2%. O custo do endividamento público bombeado por câmbio sobrevalorizado, antidesenvolvimento industrial, a exigir juro real estratosférico, rompeu todos os parâmetros de racionalidade.

O desajuste permanente das contas públicas, impulsionado por juro anti-crescimento, produziu economia doente. Os gênios do Real, em vez de, humildemente, reconhecerem que os juros provocam inflação, deficit, arrocho salarial e subdesenvolvimento crônico, gerado por insuficiência de consumo, engolia o diagnóstico do Consenso de Washington, segundo o qual inflação decorre do excesso de demanda global. Para combatê-la, tome juro e mais juro sobre juro, juros compostos, condenados, inclusive, pelo STF, como crime de Anatocismo, segundo a Súmula 121. O plano Real criou correia de transmissão para carrear renda da população para os bancos. Quanto mais o crescimento da economia fica abaixo do crescimento dos juros, fixados pelo BC, mais o risco do crédito ao consumo aumenta, levando banqueiros à agiotagem em nome do risco. O Brasil virou fábrica de juro que favorece rentista que foge do investimento para ganhar mais com os títulos da dívida, estabelecidos pela especulação jurista.

A dívida se transformou em instrumento de exploração, em vez de funcionar como mecanismo de financiamento do desenvolvimento. Ergueu-se nação de novos escravos. Os gênios inventaram que juro só cai se a relação divida/PIB equilibrar-se, se for cumprido receituário do credor: superávit primário, metas inflacionárias e câmbio flutuante, mandamentos de Washington. Mais de uma geração de repórteres econômicos repetem essa baboseira, diariamente, acriticamente, como se fosse verdade, agora, negada por um dos seus patrocinadores, Lara Resende.

Essa enganação econômica se desmoralizou com a crise capitalista de 2008. Os governos do primeiro mundo, endividados pela prática de juro acima do PIB, inverteram a situação. Jogaram fora a tese de que inflação é fenômeno monetário, decorrente de excesso de oferta de moeda na circulação capitalista, para seguirem outra: expansão da oferta dela, jogando juro para zero ou negativo. A velha teoria foi para lata de lixo. Mais dinheiro em circulação diminui juro e consequentemente peso da dívida. Realmente, Delfim tem razão: economia não é ciência, mas experimentação. Lara Resende fala agora que juro alto é que provoca inflação e desajuste fiscal. Considera blá, blá, blá o que durantes anos pregou, enganando a freguesia. Os juros absurdos cometidos por FHC, portanto, são a fonte do desastre econômico nacional. Por isso, tucano, depois de FHC, não ganhou mais eleição.

O grande erro do PT foi seguir a política monetária de FHC, minimizando seus estragos com política social ativa de melhor distribuição de renda. Por isso, Lula virou um Deus. A outra cagada petista foi a de praticar compra de voto, fantasiada de financiamento privado de campanha eleitoral, com o qual FHC garantiu segundo mandato, para continuar com a política antinacional tucana.

O mea culpa de Lara Resende, no Valor, reconhece o desmonte da economia industrial, que Delfim, no Roda Viva, credita aos juros absurdos praticados pelo BC, comandado pelos próprios banqueiros. O ex-czar da economia, no entanto, cai na esparrela de dizer que o buraco do déficit público está na previdência. Parece que nega sua própria convicção de que os juros são o grande estrago ao bombearem a dívida pública de maneira selvagem. Previdência é consequência, não causa do desajuste das contas públicas, como confirmou CPI realizada pelo Senado. Delfim até deixa a dúvida de que, também, vendeu a alma ao diabo, quando culpa a Previdência e não a agiotagem pela paralisia econômica, agravada pelo congelamento de gastos públicos, que, felizmente, considera loucura, por diminuir a taxa histórica de investimento, que, com exportação, promovem desenvolvimento sustentável. Nem Delfim se mostrou capaz de fazer a crítica da bancocracia toda poderosa que manda e desmanda no estado nacional.

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O Roda Viva recebe o professor e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, que faz uma análise objetiva do panor

GUEDES BOMBEIA GREVE E AMEAÇA BOLSONARO

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REAÇÃO ABALA GOVERNO

Duas opiniões conflitantes se digladiam entre três personagens de destaque na vida brasileira nesse momento sobre o desastre econômico, aprofundado pelo golpe de 2016, e como ataca-lo, para fazer a economia girar novamente.
De um lado, Paulo Guedes, o ultraneoliberal, que insiste em dizer que o maior problema do país é o buraco financeiro da Previdência.
Sua receita radical é acabar com o regime previdenciário existente inscrito na Constituição de 1988 baseado na repartição solidaria entre capital, trabalho e governo, para financiar aposentadoria dos mais velhos pelos mais jovens que entram no mercado de trabalho.
No lugar desse regime que, certamente, requer mudanças e aperfeiçoamentos constantes, ao longo do tempo, no compasso das alterações da idade da população, em sua média composta por diferentes classes sociais antagônicas, no ambiente capitalista, Guedes radicaliza em favor da capitalização, ou seja, cada um cuida de sua aposentadoria, fazendo sua poupança para dela usufruir quando chegar o tempo estimado pela legislação.
Solidariedade x individualismo estão em questão.
Os oponentes de Guedes, ao lado de milhões de outros, são André Lara Resende, economista, um dos país do Plano Real, e Maria Lúcia Fattorelli, auditora fiscal, líder do movimento Auditoria Cidadã da Dívida.
Ambos são favoráveis aos ajustes, mas não ao desmonte da Previdência, como entendem ser o regime de capitalização, ainda mais, em meio à economia submetida à recessão e ao desemprego crônico.
Resende e Fattorelli, que, também, têm entre si suas divergências profundas, convergem para a crítica de que a questão central não é o buraco da previdência, que representa 25% do Orçamento Geral da União(OGU), realizado, em 2019, em R$ 3,6 trilhões, mas questão do financiamento da dívida pública, que consome 44% dele.

BANCOCRACIA ESPECULATIVA

Essa discrepância decorre, na avaliação convergente de ambos, da política monetária conduzida pelo Banco Central, que fixa a taxa de juros acima, bem acima, da taxa de crescimento da economia.
Isso vem acontecendo desde 1994, ou seja, há 25 anos, quando o real foi lançado, para salvar o Brasil da hiperinflação.
A inflação, ao longo desse perído, deixou de ser problema, mas não levou o país ao crescimento sustentável.
A economia está numa merda que faz gosto: desemprego crônico, recessão, crise, instabilidade social e política etc.
Só dá certo a vida dos banqueiros, com essa estratégia do BC, que, aliás, é administrado por eles, na prática, especialmente, a partir do golpe neoliberal de 2018, que congelou gastos sociais e manteve descongelados gastos financeiros, para sustentar pagamento de juros e amortizações da dívida pública.
Escoadouro de dinheiro da sociedade para a agiotagem financeira da bancocracia especulativa.
Relatório do BC, divulgado essa semana, mostra a economia caminhando para crescimento negativo, enquanto o lucro dos bancos, no primeiro trimestre, alcança os 20%, por aí.
A taxa de juros básica, que está em 6,5%, mas é muito mais do que isso, pois os bancos só compram os títulos do governo, se levarem 10% ou mais, ou seja, 4%, 5% de lambuja, não deixa o país crescer de jeito nenhum.
Também, pudera: o PIB cresce na casa de 1% e vai no ritmo descendente do rabo de cavalo, avançando para o chão.

DÍVIDA INSUSTENTÁVEL

Está na cara que quem está com a análise correta não é Paulo Guedes, mas André Lara Resende e Maria Lúcia, ao destacarem que o juro é o causador do desajuste fiscal.
Mantida, portanto, a política monetária ortodoxa e dogmática do BC, com juro crescendo acima do crescimento do PIB, o desajuste fiscal se aprofunda, tornando a dívida insustentável.
O déficit da Previdência seria consequência da paralisia econômica produzida pela causa central, que são os juros elevados incidentes sobre a dívida.
De instrumento de promoção do crescimento, ela virou mecanismo sistemático de destruição econômica.
A vaca, portanto, atolou no brejo e de lá não sai de jeito algum, salvo se a causa central e não a acessória for realmente atacada.
As greves que começam a pipocar vão mostrando o estado das coisas absurdas que acontecem.
Se as despesas da Previdência, que são, na prática, investimento, pois dão retorno, não são causas centrais do desajuste fiscal, mas sim os gastos com o giro da dívida pública, que não dá retorno algum à sociedade, em forma de crescimento sustentável, por que não fazer imediatamente a auditoria da dívida, como determina a Constituição, para tirar a prova dos nove, como prega Maria Lúcia Fattorelli?
Aa insistência em fazer ajuste fiscal, como quer Guedes, exaurindo as forças da economia, que são as rendas dos aposentados, para continuar na batida de fazer lucro para banqueiro, por meio de juro especulativo, que vai na frente do crescimento da produção e do consumo, inviabilizando a continuidade de ambos, como fatores de desenvolvimento, produz o que o relatório do BC está demonstrando: desastre econômico e social.

POPULARIDADE EM QUEDA

Guedes mente quando diz que a saída é o regime de capitalização, como se fosse panaceia geral.
Em 30 países onde essa experiência foi aplicada, 18 deles desistiram dessa loucura, especialmente, em tempo de crise global, afetada por guerras comerciais entre grandes potências, cujas consequências são instabilidades totais.
Previdência sugere espírito de solidariedade social, algo cristão, como está concebido na Constituição de 1988.
Já o que Guedes prega é puro individualismo, proposta egoísta, que se sustenta, se empobrecer, ainda mais, aquele que está com poder de compra abalado, chamado a contribuir mais, ganhando menos.
No ambiente do congelamento de gastos sociais, condenado, essa semana, em Nova York, pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, insistir em capitalização por meio da descapitalização dos mais pobres, dos quais Guedes quer extrair R$ 800 bilhões, para passar aos credores, tudo, certamente, vai piorar.
O presidente Bolsonaro já mostra seu incômodo com o ajuste fiscal de Guedes.
Diante da pressão social, diz uma coisa, hoje, amanhã diz outra, revelando-se, totalmente, inseguro.
Afinal, seu maior capital, a popularidade escorre pelo ralo.
Insistir com plano Guedes é fazer pipocar pelo país afora greves sem fim e fincar bases para derrotas eleitorais em pencas, que encurtam a vida política do bolsonarismo.
Lara Resende e Fattorelli cantam a bola: a obsessão fiscal estoura a democracia e joga o regime liberal na lata de lixo, produzindo instabilidades políticas que levam o país à convulsão social.

https://g1.globo.com/…/paulo-guedes-diz-que-previdencia-vir…

 

Maia detona economia do golpe em Nova York

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DITADURA FINANCEIRA X DEMOCRACIA

Presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ), no maior centro financeiro do mundo, Nova York, previu, hoje, no encontro com os homens da bolsa, que a economia brasileira entrou em colapso; o modelo neoliberal imposto pelos golpistas, que, em 2016, derrubaram Dilma, pelo impeachment, sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo, esgotou-se; sua arma central, congelamento de gastos públicos, por 20 anos, apresenta fatura sinistra: desemprego, recessão, violência, instabilidade política e perigo de golpe político de direita, que ameaça fechar Congresso, resistente à pauta neoliberal, exigida pelos credores da dívida pública;  Maia abandona – ou deixa de apoiar – a estratégia neoliberal dos golpistas, assumida por Bolsonaro e seu comandante da economia, Paulo Guedes, para abraçar a nova proposta que emerge, de rompimento do ajuste fiscal neoliberal, feita pelo economista André Lara Resende, em artigos no Valor Econômico, como o de hoje, “Liberalismo e dogmatismo”; o centro da crítica de Lara Resende é o de que o Banco Central, comandado pelos banqueiros, pela Febraban, que monitora a mídia conservadora pró-americana, fixa a taxa de juros bem acima da taxa de crescimento da economia; enquanto o PIB, segundo relatório do BC, despenca, podendo registrar crescimento negativo em 2019 e 2020, a taxa selic mantém-se em 6,5%; trata-se de agiotagem criminosa; por isso, o lucro dos bancos, no primeiro trimestre, alcança os 20%, enquanto a economia atola-se no brejo; o congelamento dos gastos públicos paralisa produção e consumo, porque são eles que geram renda disponível para consumo, produção, emprego, renda, arrecadação e investimentos, o silogismo capitalista; a PEC do teto de gastos impõe, no Brasil, o regime anticapitalista, por excelência, para que a lucratividade da bancocracia especuladora se multiplique interminavelmente; até o Supremo Tribunal Federal condenou esse roubo escancarado sob nome de Anatocismo, fixado na Súmula 121; o sistema da dívida, como denuncia Maria Lúcia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Divida, é um mecanismo perverso, praticado pela criminosa política monetária do BC, a serviço dos credores, na medida em que representa correia de transmissão de riqueza da população para os banqueiros; a dívida deixou de ser instrumento de financiamento do desenvolvimento para se transformar em fonte de destruição econômica; ela é responsável maior do desajuste das contas públicas, que os banqueiros tentam fazer crer ser de responsabilidade dos gastos sociais, especialmente, com a Previdência; enquanto, no Orçamento Geral da União(OGU),de R$ 3,6 trilhões, realizado em 2019, segundo Auditoria Cidadã, 44% representam desembolso com juros e amortizações da dívida, 25%, apenas, representam despesas com Previdência, que, na verdade, são investimentos; afinal, retornam, em forma de tributos, aos cofres do governo, com os gastos dos aposentados; já o que se paga de juros especulativos escorre pelo ralo, sem dar retorno algum à população em forma de desenvolvimento sustentável; nem os generais que avalizam o governo Bolsonaro suportam mais o diagnóstico da banca de que inflação decorre do excesso de demanda, cujas consequências consequências exigem juros altos para contê-la; trata-se de farsa que foi desmoralizada na última grande crise global; os países capitalistas desenvolvidos, superendividados, cortaram juros por meio de ampliação da oferta de dinheiro na circulação capitalista; o peso da dívida diminuiu, permitindo a economia respirar; configurou-se o óbvio: é a dívida que faz o déficit, não os gastos sociais; por isso, como destaca, agora, em Nova York, o presidente da Câmara, se não suprimir o teto de gastos, imposto pelos golpistas de 2016, a economia entra em buraqueira total; caiu a ficha dos que, com o golpe neoliberal, que colocou Temer no poder, desbancando Dilma, romperam o processo democrático nacional; Maia, com sua declarações na city do império, destaca-se como novo líder político: dá xeque mate no ultraneoliberalismo de Paulo Guedes e joga a reforma da Previdência no limbo da incerteza total.

Brasil sem rumo na nova geopolítica global na América do Sul

Multilateralismo global

Onde ficam os generais brasileiros, que avalizam  o governo Bolsonaro, no estado de guerra sul-americano, submetido a nova geopolítica global, imposta por Estados Unidos, de um lado, e Rússia e China, de outro, pela disputa do petróleo venezuelano, na América do Sul, a mais nova rica do mundo, alvo da cobiça internacional? Com Trump, que mostra os Estados Unidos sem aquela força de antes, garantida pelo dólar, abalado pela especulação internacional, interessados em tomar ativos brasileiros, na bacia das almas, ou com Jiping e Putin, a nova força, que chegou para ficar, com os Brics, armados de novo sistema monetário internacional?

Trump não é besta de, agora, cair no jogo de guerra de Bolton e Pompeo, falcões de Pentágono, interessados em destruir Maduro, na Venezuela, protegida e armada por Putin e Jiping. Se dependesse desses dois guerreiros, se tivesse de obedecê-los, já teria mandado seus exocets para destruir o bolivarianismo nacionalista, socialista, leninista-chavista venezuelano, e acabado com a conversa. Tomava o petróleo, instalava em Caracas governo fantoche de Guaidó ou outro qualquer, ocupava a empresa estatal de petróleo, PDVSA, colocava gente americana para dirigi-la, pronto e acabou. Haveria clima de guerra em toda a América do Sul, a Casa Branca colocaria no poder seus títeres em todos os países sul-americanos, o que, aliás, já vem acontecendo etc e tal. A indústria bélica, espacial e nuclear de Tio Sam iria deitar e rolar. Negócios e mais negócios, puxados pela indústria de guerra, bombearia a demanda dos setores industriais em tecnologia de ponta, nos Estados Unidos, como tem sido praxe a ação do imperialismo americano em todo o mundo, com consequente instalação de bases militares nos países sul-americanos, em meio a uma situação conjuntural revolucionária em ascensão. O poder imperial sempre agiu assim e assim continuará, mas há uma contradição aí.

Eleitorado latino nos EUA

Tio Sam tem que manter retórica democrática. Haverá eleição nos Estados Unidos, no próximo ano. Trump disputará segundo mandato. A economia americana está bombando, a estratégia nacionalista trumpista sustenta a mais baixa taxa de desemprego, nos últimos 50 anos, e a ordem, da Casa Branca é para o Banco Central manter a taxa de juros a mais baixa possível, na casa dos zero ou negativa. O negócio dos Estados Unidos são os negócios. Juros baixos bombeiam produção, emprego, renda, consumo, arrecadação e investimento, o silogismo capitalista. Os salários, nessa fase de pleno emprego, estão, relativamente, baixos, porque o titular da Casa Branca reduziu, fortemente, custos de contratação de mão de obra, de modo que a mais alta taxa de emprego corresponde ao mais baixo poder de compra dos assalariados, diante da farta oferta de mão de obra emigrada. E quem são esses emigrantes, que aceitam trabalhar por baixos salários? Os latinos, que votam na eleição presidencial americana. Se Trump se rende aos falcões e joga bombas na Venezuela, os latinos, nos Estados Unidos, certamente, não votarão nele. Ele vai jogar esses votos fora, sabendo que mais de 10% dos votos nos Estados Unidos são dos latinos? Fará isso para agradar Pompeo e Bulton, os brucutus do Pentágono? Poderá fazer isso depois, não, agora. A indústria de guerra não tem do que reclamar. Está de barriga cheia. Recebeu mais de 1,5 trilhão de dólares do orçamento/2019. Pode esperar, embora, sempre, peça mais e mais, bancando lobby guerreiro, no Congresso.

Nova realpolitik global

É aqui que entra o jogo da ambiguidade Trump-Putin-Jiping. Quanto mais Putin, apoiado, estrategicamente, pelos chineses, falar grosso, agora, em favor de Maduro, lançando ameaças contra Trump, mais ajuda o titular do poder americano, contribuindo para ele manter posição de diz que vai, mas não vai quebrar o pau em cima de Maduro. O poder atômico russo e americano se equivale. Ninguém vai jogar bomba um no outro, sabendo que pode ser bombardeado. Auto-destruiriam-se. O fato é que a entrada da Rússia/China, para valer, na América do Sul, protegendo Maduro contra Bolton e Pompeo, os animadores do fantoche Guaidó, ajuda, temporariamente, os propósitos eleitorais de Trump, que não quer saber, agora, de briga. Quer, sim, amealhar votos. Dessa forma Putin-Trump-Jiping faz o novo trio geopolítico global, na América do Sul. Aparentemente, de certa forma, põe-se fim à Doutrina Monroe, da América para os americanos – deixando Rússia e China entrar e fazer grandes negócios por aqui. Ademais, essa penetração sino-soviética, na América do Sul, revela nova realpolitik global, o novo poder internacional. O dólar de Tio Sam não é mais aquela Brastemp, para dar estabilidade internacional. Os BRICs, nos quais destacam China e Rússia, econômica e militaramente, fortes, demonstram a base de novo sistema monetário internacional, que vai se impondo no cenário mundial nesse século 21, dividindo, entre si, o mundo com seus respectivos satélites.