GREVE GERAL APRESSA CONSTITUINTE

Se for sucesso a greve geral programada pelas centrais sindicais, na próxima sexta, 28, contra recessão e reformas trabalhista e previdenciária, aceleradas pelo governo golpista, o resultado será desdobramento, no Congresso, da ideia de convocação de Assembleia Constituinte exclusiva, para votar reforma política. Apavorada com possibilidade de antecipação de eleições diretas já, a classe conservadora que domina o poder, totalmente, desmoralizada e sem credibilidade, em razão do repúdio popular ao golpe parlamentar que promoveu, com apoio de Washington, fará a clássica leitura de Dom João Vi ao seu filho Dom Pedro I: “Faça a revolução, antes que o povo a faça.” Aí, evidentemente, os conservadores, que têm rejeitado, insistentemente, verdadeira reforma, capaz de ampliar participação popular, no poder, perderão o controle da situação. E o que os conservadores mais temem na vida é isso aí: perda do controle do poder. Por isso, deram o golpe no PT e aliados, depois de dançarem em quatro eleições e sentirem perspectiva de perda da quinta em 2018. O medo de nova derrota evidenciou-se no apoio popular ao programa nacionalista distribuidor de renda, como pressuposto do desenvolvimento equilibrado. Por meio dele foram sendo gerados, ao longo dos 14 anos de governo petista, programas socialmente inclusivos, perigosos para a burguesia conservadora, dependente da poupança externa, aliada menor do capital internacional, completamente, submissa a ele. Abalou a burguesia concentradora de renda e promotora de exclusão social a ampliação, no governo do PT e aliados, de iniciativas populares que permitiram aos mais pobres ter acesso às universidades públicas, aos remédios mais baratos, à luz para todos, à casa popular, ao transporte aéreo, graças à valorização dos salários reajustados acima da inflação etc. Tudo isso, preparou campo para maiores reivindicações populares. Depois do programa Bolsa Família e outros, viriam, certamente, mais demandas econômicas, que redundariam, dialeticamente, em demandas políticas participativas. O modelo democrático meramente representativo caminhava, sob governo distribuidor de renda e promotor de inclusão social, para o modelo participativo. A lógica democrática implica, no contexto da participação, em distribuição, não, apenas, da renda, mas do poder. As classes conservadoras, minoritárias, sentiram o terreno abrir-se sob seus pés, no compasso da aceleração democrática participativa socialmente inclusiva. Nesse ritmo mais acelerado do avanço democrático, adeus pregação conservadora favorável às restrições de direitos, seja no campo previdenciário, seja no trabalhista. Perderiam os conservadores o controle do poder, no contexto do desenvolvimento científico e tecnológico associado ao fortalecimento das forças produtivas, comandadas politicamente, no parlamento, por orientação voltada ao aprofundamento do caráter social das leis no sentido de democratizar o capitalismo brasileiro, conferindo-lhe perfil, crescentemente, social democrata, socialista etc. As tentativas empreendidas pela ex-presidente Dilma, golpeada pelos conservadores, associados a Washington, no sentido de promover a Constituinte Exclusiva, foram sistematicamente rechaçadas pelas forças dominantes no Congresso, do PMDB e PSDB, hoje, aliados, na tarefa de tentar acelerar contra-reformas antipopulares da previdência e trabalhista, enquanto adotam programa macroeconômico, sustentado nas propostas conservadoras, reacionárias, constantes do “Ponte para o futuro”, que é uma pinguela para o passado. A greve geral visa frear a onda conservadora, neoliberal washingtoniana, cujo objetivo é seguir adiante com o que já está em curso pelo governo Temer: entregar de bandeja as riquezas nacionais ao capital estrangeiro,  desarticular, completamente, a Petrobras, para que as multis do óleo tomem conta da sua exploração e distribuição, sem restrições nacionalistas. A ordem conservadora, submissa às determinações externas, é uma só: parar o Brasil. Eventual sucesso da greve geral representará basta ao neoliberalismo de Temer-Meirelles, obediente ao Fundo Monetário Internacional, que voltou a dar as cartas na economia antinacionalista, com amplo apoio do seu maior pé de cabra: Rede Globo. Assim, diante de possível sucesso grevista, os conservadores e sua porta voz da comunicação acharão mais razoável aceitar a Constituinte, por meio da qual tentariam continuar manobrando o poder. Entregaria os anéis para não perder os dedos.

PROGRAMA ECONÔMICO EMERGENCIAL NACIONALISTA DE LULA VISA POVÃO-CLASSE MÉDIA X NEOLIBERALISMO TEMER/MEIRELLES/FMI

O Brasil precisa de ajuste fiscal neoliberal draconiano, benéfico, apenas, aos rentistas especuladores, que mantem juros altos, câmbio sobrevalorizado, prejudicial às forças produtivas, afetadas pela recessão e o subconsumismo que se amplia com avanço do desemprego e miséria, ou de um projeto nacional soberano desenvolvimentista, capaz de mobilizar a sociedade para a cooperação cívico-militar, em vez da expansão do ódio, do xenofobismo, do machismo, da misoginia, enfim, da intolerância social, que espalha pessimismo e instabilidade social, econômica e política?

Em Brasília, na próxima segunda feira, 24, quatro dias antes da Greve Geral, sex 28, o ex-presidente Lula, líder de pesquisa de opinião, cujas consequências estão minando a base governista na Câmara, fazendo-a recuar de suas iniciativas reacionárias para as reformas da previdência social e trabalhista, apresentará propostas emergenciais capazes de superar a violenta recessão que o neoliberalismo de Temer/Meirelles/Washington impõe ao país, para desnacionalizar a economia, entregando-a de bandeja ao capital especulativo internacional, como está acontecendo, graças a uma maioria congressual bunda mole vendida por prato de lentilha.

Cassado, implacavelmente, pela Rede Globo, objetivando impedi-lo, a qualquer custo, de ser candidato à presidência da República, em conspiração com Washington e forças conservadoras internas, antinacionalistas, sócias menores, submissas ao império americano, que orientou o golpe parlamentar, colocando Temer, no poder, Lula virou tremendo fantasma para os neoliberais, que tentam, também, derrubar Maduro, na Venezuela, para fazer o que estão fazendo por aqui: tomar o petróleo e privatizar a Petrobras.

As propostas anti-recessivas, nacionalistas, desenvolvimentistas são composição de ideias suprapartidárias arregimentadas por cabeças diversificadas, evidenciando forças da esquerda e do centro, como as formuladas, no manifesto PROJETO BRASIL NAÇÃO, pelo economista Bresser Pereira, dissidente tucano, envergonhado pela posição que seus ex-companheiros golpistas abraçaram, ao lado do PMDB, traidor da aliança com PT, na formulação de um programa menor, entreguista como o Ponte para o Futuro, na verdade, ponte para o passado.

Essencialmente, as forças progressistas proporão alternativa substantiva, quantitativa e qualitativamente diferente,, em choque com o entreguismo em curso na economia, comandada pelos banqueiros que dominam o Ministério da Fazenda e o Banco Central, fazendo do ajuste econômico liberal radical, plataforma antinacional.

Para a direita radical governista, a causa da grande recessão atual é a irresponsabilidade fiscal; para o centro e a esquerda, ocorre armadilha de juros altos e de câmbio apreciado que inviabiliza o investimento privado.

A política macroeconômica que o governo impõe à nação apenas agravou a recessão.

Quanto aos juros altíssimos, alega que são “naturais”, decorrendo dos déficits fiscais, quando, na verdade, permaneceram muito altos mesmo no período em que o país atingiu suas metas de superávit primário (1999-2012), como diz o PROJETO BRASIL NAÇÃO.

O decálogo desenvolvimentista visa, portanto, tirar o País da armadilha da dívida em que se encontra, na qual todos perdem para somente um ator continuar ganhando com o avanço da miséria nacional: os rentistas especuladores.

Até quando?

EIS O DECÁLOGO DESENVOLVIMENTISTA PARA FORTALECER OS ASSALARIADOS, CLASSE MÉDIA E MILITARES A UMA ALIANÇA NACIONALISTA CÍVICO-MILITAR 

1 – Reservas internacionais para retomar desenvolvimento

2 – Fundo de Desenvolvimento e Emprego formado pelas reservas

3 – Reajuste de 20% nos valores do Bolsa FAmília

4 – Aumento real do salário mínimo

5  – Atuação contracíclica do gasto público com prioridade à saúde e educação

6 – Taxa básica de juro compatível com juro internacional

7 – Câmbio competitivo mediante conquisa de superavit em conta corrente do balanço de pagamento

8 – Retomada do investimento público para despertar espírito animal dos empresários

9  – Reforma tributária com impostos progressivos

10 – Fortalecimento do programa nacional de defesa

Águas do Velho Chico unem Lula e Vargas. História para rememorar Tiradentes

Ao som de Águas de Março , de Tom Jobim e da sanfona de Gonzagão entoando acordes da canção que descreve o valor da   Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, Lula realizou no mês de março, em Monteiro, na Paraíba, a Celebração das Águas, integrando as bacias do  Velho  Chico com rios do semiárido nordestino, tornando-os perenes, vivos o tempo todo.

Nas águas do Velho Chico navega o barco da aproximação histórica entre Lula e Vargas. O gaúcho Getúlio Vargas construiu a Usina de Paulo Afonso, levando energia para o nordeste, reduzindo sua dependência ao candeeiro, e o pernambucano Luis Inácio, leva água e vida para  região, beneficiando, pelo menos, 12 milhões de nordestinos e um projeto mais equilibrado para o desenvolvimento do Brasil

Lula criou por decreto a Semana Presidente Vargas

Esta aproximação política entre os dois presidentes mais populares que o Brasil já teve,  incomoda à esquerda e á direita, já sabemos. O PT quando nasce, exibia injusta hostilidade ao varguismo, mas tinha  entre seus quadros dirigentes, não por acaso, figuras como Francisco Werffort e José Álvaro Moysés, obedientes no esforço político de rotular tudo o que fora nacional-desenvolvimentismo como um “populismo arcaico”, muito embora tenha sido este movimento o que mais estruturou um projeto estratégico de nação soberana para o Brasil. A tarefa de distorcer a história e hostilizar o varguismo, foi  definida como prioridade política pela oligarquia paulista, assim assumida pela academia uspiniana, e que encontrou na mídia udenista ilimitados espaços de vassalagem para dividir politicamente as forças populares.

Eis que, entretanto, a obrigação de gerir o estado, leva Lula a revisar de forma objetiva a avaliação negativa que exibira contra Vargas no início de sua trajetória. Um exemplo, Lula criou, por decreto presidencial, a Semana Vargas, para homenagear “o grande presidente brasileiro”, conforme consta da exposição de motivos da decisão do Palácio do Planalto. Lula vai ainda mais longe quando, em declaração pública, chegou a taxar o movimento armado que a oligarquia paulista lançou para derrubar o governo Vargas, em 1932, como uma Contra-Revolução, muito embora todo o denodado esforço mistificador  da mídia dominante para rotular  aquilo como se democrático fosse.  Apesar do apoio que a oligarquia paulista recebeu dos capitais externos, Vargas resistiu ao golpe, de armas nas mãos, tal como havia chegado ao Catete, pela Revolução de 1930, derrocando a corrompida Republica Velha,  período em que as greves eram tratadas como “ caso de polícia”.como disse o oligarquíssimo presidente Washinton Luis.

Já é conhecido o fim que levaram ex-dirigentes do PT, da linha de Francisco Weffort e outros, no apoio aos governos neoliberais de FHC e , agora, na sustentação do golpismo de Michel Temer, que tem a própria cara da República Velha.

Excluindo as claras e objetivas declarações de Lula em reconhecimento ao importante papel de Getúlio Vargas, ao longo do tempo estas correções de avaliação do petismo em relação ao varguismo vêm sendo feitas de modo parcial, semiconsciente, meio envergonhado, salvo algumas elaborações mais aprofundadas  por parte de intelectuais petistas, que identificaram e destacaram o valor significativo desta aproximação histórica entre os projetos dos dois presidentes.

Vargas e Lula complementam-se

Durante algum tempo, o petismo hostilizava a própria CLT, rotulando-a até como “o AI5 da classe trabalhadora”, o que já não é mais mencionado. Ao contrário, sem reconhecer publicamente que errou na qualificação da CLT   –   um corajoso e bem elaborado trabalho de regulamentação do trabalho e um tremendo enfrentamento com o capital   –   hoje, a CUT defende energicamente as conquistas laborais da Era Vargas, inclusive com passeatas onde as reproduções em cartazes da Carteira de Trabalho,  as carteiras azul que FHC quase transformou num OVNI,  despontam com símbolo de uma época em que, de fato, se deu início efetivo à destruição da herança escravagista, a partir da Revolução de 30.

O mesmo se pode dizer em relação à Previdência Social, que só na Era Vargas ganhou o status de Ministério, tal como ocorrera com o Ministério do Trabalho, da Educação e Saúde e outros. Aqui também, na defesa da Previdência Pública, que recebeu movimentos de expansão  no regime militar (Funrural) e depois com Lula e Dilma, pode-se registrar  uma revisão prática, semiconsciente, não declarada, da condenação política que o petismo fazia em relação ao presidente gaúcho. Vale destacar  que a expansão da cobertura previdenciária estatal foi energicamente ampliada durante os governos Lula e Dilma, pelo o que se pode afirmar existirem entre estes e Vargas, muito mais complementaridade que contradições, como ainda é erroneamente acentuado, com exageros políticos interessados, à esquerda e à direita. Mas, reconheçamos, cada vez menos nas fileiras do petismo.

CLT: Vargas criou, Lula expandiu

Se na Era Vargas se criou a CLT, na Era Lula esta conquista foi expandida a sua aplicação prática, com 22 milhões de empregos com carteira assinada, a carteirinha azul que Temer quer destruir, tornou-se uma das grandes marcas dos governos Lula-Dilma. Se na Era Vargas foi criada a Petrobrás e o monopólio estatal do petróleo, e a empresa estatal foi fortalecida durante a gestão de Geisel  –   após o crime de quebra do monopólio  estatal, praticado por FHC  –   Lula retoma o sentido histórico da obra varguista, recriando o monopólio estatal do petróleo pré-sal, cuja existência,  já era prevista durante a ditadura, o que levou Dilma Roussef, então prisioneira política, a defender, com objetividade e grandeza,  as 200 milhas marítimas decretadas pelo governo Médici. Ou seja, tanto na questão  social, que a República Velha tratava como caso de política, como na questão da infra estrutura energética, que era praticamente inexistente antes da Revolução de 1930, há muito mais identidade e complementação entre varguismo e lulismo, o que sugere um bom debate para o Congresso do PT, uma agenda nem sempre tratada com objetividade no petismo,  por estar  sempre acompanhada de rótulos condenatórios que a direita lançou contra a Era Vargas.

Usina de Paulo Afonso e Transposição, alcances históricos

A Celebração das Águas, a obra de integração das bacias do Velho Chico  com os rios do semiárido nordestino , tem alcance histórico para o país na mesma envergadura da construção da Hidrelétrica de Paulo Afonso,  obra de Vargas, mas que a pilantragem oportunista de  Café Filho tentou usurpar , tal como a vergonhosa tentativa de usurpação de Michel Temer sobre a transposição das águas do grande rio. Certamente , a tentativa de retrocesso à República Velha, a demolição dos instrumentos estratégicos criados na Era Vargas (Petrobra, BNDES, Previdência Social, CLT etc) indicam a sintonia absoluta dos remanescentes daquela carcomida oligarquia paulista com os interesses das Aves de Rapina do capital externo, denunciadas  por Vargas em sua Carta Testamento, que deveria ser do conhecimento de todos os brasileiros, e também dos petistas que tanto condenaram , injustamente, o ex-presidente gaúcho.

O tremendo alcance que a obra da Transposição das Águas do Velho Chico possui para  o Nordeste, representa uma continuidade de grandes obras também realizadas por Vargas para aquela região. Além da Usina de Paulo Afonso,  Vargas criou o Banco do Nordeste, o Instituto do Açúcar e do Álcool, o Estatuto de Lavoura Canavieira, entre outras alavancas estruturantes para o desenvolvimento da economia nordestina

“Dr Getúlio” e Lula, nos braços do povo

Os artistas populares não esquecem os heróis nacionais. Mano Décio, do Partido Comunista, exaltou Tiradentes, em versos geniais. Chico Buarque e Edu Lobo, igualmente, exaltaram Getúlio. O poder midiático oligopolizado, vendilhão da pátria, cuida de boicotá-lo.

Vargas contou com o apoio de destacados intelectuais e artistas para seus projetos na área da cultura e da informação. Villa Lobos presidiu o Instituto Nacional de Música; Roquete Pinto e Humberto Mauro dirigiram o Instituto Nacional de Cinema Educativo; Sérgio Buarque de Hollanda e Mario de Andrade foram diretores do Instituto Nacional do Livro ; Vinícius de Morais e Cecília Meirelles trabalharam no jornal varguista A Manhã , e Carlos Drummond de Andrade , na Rádio Mauá. Lula também conta com o apoio de notáveis pensadores, artistas e cientistas, que reconhecem o valor histórico de seu governo,  bem como o seu direito de disputar as eleições presidenciais previstas para 2018 e,  tal como Vargas, voltar nos braços do povo.

 

Beto Almeida

Membro do Diretório da Telesur

Mercado financeiro embala ditadura parlamentar para aprovar urgente reformas antipopulares trabalhista e previdenciária

Sintonia perfeita. Temer e Maia, submissos ao mercado financeiro, lixam-se para regimento e Constituição, na guerra parlamentar das reformas. Cunha faz escola.

Foi a reedição de um filme de horror antidemocrático em pleno Congresso. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, aprendeu, direitinho, a lição do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha, há seis meses preso em Curitiba. Na terça, à noite, o plenário havia rejeitado pressão do Palácio do Planalto, dada pelo presidente Temer, em favor de pedido de urgência, para acelerar reforma trabalhista. Esse é o desejo do mercado, das grandes empresas e dos grandes bancos, que financiam, por meio da legislação eleitoral corrupta, os mandatos parlamentares no Congresso. As forças governistas, maioria esmagadora, não atingiram o quorum de 257 votos. Naquele dia, a novidade política nacional fora a divulgação da pesquisa Vox Populi-CUT em que Lula, como foguete político eleitoral, alcançava preferência de 45% do eleitorado. Não tem pra ninguém, na atual conjuntura de desgaste total das forças governistas, tendentes à fuga em massa diante da opinião pública propensa à volta do ex-presidente operário. Era a resposta das ruas ao governo golpista em sua tentativa de massacrar trabalhadores com sua proposta neoliberal, na contramão do mundo. O impacto da pesquisa abalou geral os golpistas, dessintonizados dos anseios populares. Que fez o Planalto? Desconheceu o veredito do plenário. Mandou votar de novo. Corrompeu o regimento interno da Câmara. Repetiu comportamento que Eduardo Cunha adotara várias vezes. De onde vinha a ordem ao governo? Claro, do mercado financeiro. Nessa segunda tentativa, sob pressão intensa dos credores especuladores, alcançou-se maioria de 287 votos. Caso isso não ocorresse, Temer e sua base perderiam utilidade para o mercado, cujo comportamento se expressaria em volatilidade intensa. Por que continuaria apoiando um governo cuja força cadente não atenderia mais os interesses das classes proprietárias, financeiras, especulativas, entreguistas, antinacionais? Temer e seu ministério, alvos da Operação Lavajato, seriam rifados. Emergiria crise política. Ganharia força processo no Tribunal Superior Eleitoral(TSE), que propõe cassação da chapa Dilma-Temer. Entraria em pauta a eleição indireta. Porém, como as forças governistas não dispõem de credibilidade para escolher novo presidente, o Judiciário assumiria, politicamente, o País. Ou, caso não ocorresse isso, teria que ser antecipada eleição direta. Lula na cabeça seria a lógica eleitoral do momento. Eis porque Rodrigo Maia encarnou o espírito de Eduardo Cunha, nessa quarta feira triste para a democracia. Lixou-se para o regimento, para a Constituição, para a institucionalidade legal existente no Legislativo, de modo a seguir trâmites de matéria sobre a qual se desperta a atenção da população em grau máximo. Maia partiu para o gesto autoritário. Evidenciou-se a lógica do direito da força em substituição à lógica da força do direito. Instalou o titular da Casa, pura e simplesmente, a ditadura parlamentar, com aplauso do oligopólio econômico-financeiro-midiático que governa o País, nesse momento. A matéria segue para a Comissão especial da reforma. Lá, o rolo compressor do governo vai funcionar de novo, para mandar o assunto ao plenário. Como reagirá? Se a greve geral do dia 28, contra as reformas Temer, for sucesso, aí, serão outros quinhentos.

 

 

Lula esvazia base de Temer no Congresso

Temer precisava de 257 deputados do total de 513. Arregimentou 230. No café da manhã, reuniu 130 parlamentares, 100 a menos do que juntou há pouco mais de duas semanas, para tentar formar maioria capaz de aprovar reformas. O barco temerista balança em alto mar proceloso.

Os testes estão dizendo a verdade. Temer tentou dar urgência à reforma trabalhista, na Câmara. O tiro saiu pela culatra. Os comentaristas da Globo arranjaram uma desculpa para o fiasco. Disseram que foi interpretação errada de regimento. Os parlamentares teriam pixotado. Imagine! Ali só tem macaco velho. Não querem se queimar. Lula está bombando nas pesquisas. Essa é a forma de o povo dizer que as reformas de Temer não são boas para ele. Na sequência do desastre da tentativa da urgência, a base governista aprovou mecanismo de financiamento dos estados falidos em troca de arrocho fiscal. Detalhe: os problemas estão nos destaques. Nestes, a discordância emerge quanto ao entendimento sobre tal arrocho. Os estados querem prazo para pagar as dívidas, mas as contrapartidas exigidas por Temer/Meirelles/banqueiros são insuportáveis. Nenhum governador concorda. Seria suicídio, em meio à recessão, arrochar salários de servidores, demiti-los, impor mais cortes de gastos, privatizar empresas estaduais etc e tal. Quer dizer, Temer não tem segurança alguma que logrará sucesso na votação dos detalhes, dos destaques. Enquanto isso, aprofundam-se as divergências sobre os termos da reforma/desmonte neoliberal  da previdência. O que se vê em marcha é uma reforma seletiva. Valem regras gerais para uns, mas, para outros, não. Os policiais partiram para o quebra-quebra. Não aceitam o limite de idade de 65 anos. A estratégia funcionou. Poderão aposentar com 55 anos de serviço. Mas, e os operários que se desgastam nas máquinas o dia inteiro, como ficarão? Assim como os policiais correm riscos no combate aos crimes que se avolumam na crise recessiva, os trabalhadores veem desgastar, dia a dia, seus cérebros, nervos e músculos. Não poderão usufruir do mesmo tempo de serviço? Trabalhadores rurais, igualmente, ameaçados pelas máquinas modernas que, no campo, dispensam mão de obra, terão que trabalhar até os 65 anos, sabendo que quando chegar lá, não haverá emprego no campo? O que fazem outros povos, nesse momento?

Zebra total. O chefe do golpe não consegue reunir sua turma para atender as demandas dos credores que querem o estado mínimo e o fim dos consumidores.

Os chineses, relativamente aos trabalhadores rurais, facilitam aos agricultores vendas de suas terras, para que se tornem trabalhadores urbanos. Fazer o que no campo, desempregados, vendo as máquinas substituí-los? Nas cidades, as políticas sociais distributivas, bancadas pelo Estado, sustentam consumidores, assim como acontece com o bolsa família e outros programas do mesmo naipe que somente governo de trabalhadores tiveram coragem de colocar em prática, por aqui. Criam-se, na China, cidades para esse novo personagem urbano, o desempregado crônico consumidor. Na Europa, mesma coisa. Governos europeus defendem programas como os de Lula, recomendados, agora, pela ONU. Vive o mundo o fim do emprego. Mas, o consumidor precisa sobreviver. Vai-se antevendo que no mundo futuro do capitalismo socialmente excludente basta ter consumidor, comendo e cagando, para garantir o PIB. Saída: política social distributiva. O governo, no mundo sem emprego, dispensado pela tecnologia,  garante o consumidor que vai consumir para gerar tributo sem o qual não há governo, não há desenvolvimento etc. O estado mínimo que Temer/Meirelles/banqueiros quer impor detona previdência, arrecadação e desenvolvimento. Lula avança nas pesquisas porque o inconsciente coletivo percebe que a turma golpista é inimiga dele. A base governista no Congresso, sintonizada com essa percepção, não vai se suicidar, como dizia Tancredo Neves. Os caciques partidários, como Renan, sem disposição para o suicídio, já viu, né. Estão pulando fora do barco. Não é à toa que já se articula força política capaz de dar sustentação à onda que se forma em torno do ex-presidente, bafejado pela preferência popular. A direita golpista vê agora em que fria entrou. Depende, para sobreviver, politicamente, da ditadura. Os militares vão cair no conto do vigário, novamente?